Uma reflexão sobre os carrinhos de bebê

A compra do carrinho de bebê nos Estados Unidos é o pontoalto do anúncio da maternidade para milhões de brasileiras. Certo é que acompra do enxoval, constatada a gravidez, não prescinde dessa fase em muitoslares de classe média de nosso País. Os novo...

A compra do carrinho de bebê nos Estados Unidos é o pontoalto do anúncio da maternidade para milhões de brasileiras. Certo é que acompra do enxoval, constatada a gravidez, não prescinde dessa fase em muitoslares de classe média de nosso País. Os novos pais, na verdade, adoram fazeresse programa porque é um rito antecipatório do aumento da família e,maldosamente falando, lhes permite reatar com a resiliente memória consumistaem sua melhor arena. Pois também comprarão uns mimos para si, salgando maisa conta. Mas não queimemos etapas.

Pois bem, ontem conheci um casal potiguar que veio fazercompras num outlet perto de Chicago. Exausta, a futura mãe de Marina mostrou osachados, acondicionados em três malas enormes de trinta quilos cada. Sapatinhosrevestidos de lã de ovelha, pequenos cardigans de vários tamanhos e nas maisvariadas cores. Enquanto fazia as contas de quanto essa nova brasileirinha jánão vinha custando ao país em divisas, veio a pergunta que não quer calar: comoé possível que não consigamos fabricar um pijama de algodão de 50 gramas apreço mundialmente competitivo?

Pois o que aqui custa R$ 20, no Brasil custa R$ 150, diz o casal num tomassustado. Além do mais, tem sua excelência, o carrinho. Como posso eu e todauma geração ter sobrevivido naquelas carroças de antanho? Dizem que aqui custaUS$ 200 e que vem com GPS e tudo. Na Pátria-Mãe gentil, vale 12 vezes essevalor, sem a geringonça de navegação. Ora, por que será que alguém não fez umafrota desses veículos para aluguel por períodos de um ano? Porque o brasileiroé sentimental e não quer vestígios de xixi alheio no bebê-conforto de seuherdeiro. Chistes à parte,  temgente que faz serviço de concierge decompras e cobra U$ 500 por dia de cada cliente. Fato é que, com todos os custossomados – hospedagem, entretenimento, passagens, dólar caro –, é um absurdo quesaia mais barato sair do Sertão do Moxotó para vir fazer enxoval de bebêaqui na fronteira canadense. Se eu fosse o ministro da Fazenda – do que seráque ele tanto ri, aliás? –, eu encomendaria um estudo detalhado sobre oestranho caso do carrinho de bebê e das cadeias produtivas que gravitam emtorno dele. E colocaria como meta reter as mães no Brasil, via desoneração erenúncia fiscal de uma ponta a outra. Seria um bom case e ainda poupariapreciosas divisas por conta de brasileirinhos que, sem opção, nascerãoendividados. E, ironicamente, já contribuindo para aumentar um mal crônico.

*Fernando Dourado Filho é colunista da revista AMANHÃ. 

Veja mais notícias sobre Economia.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Sábado, 10 Janeiro 2026

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://amanha.com.br/