South Summit encerra com discussões sobre as novas fronteiras do empreendedorismo

O tema da edição, "human by design", busca incentivar a criação de soluções e negócios centradas na experiência humana
Hitendra Patel, CEO do IXL Center, abordou como a IA abre possibilidades para criar novos negócios

A quinta edição do South Summit Brazil foi encerrada na tarde de sexta-feira (27), no Cais Mauá, em Porto Alegre, com a divulgação dos números consolidados do evento e a confirmação das datas da próxima edição, que ocorrerá de 14 a 16 de abril de 2027. Os dados apresentados indicam crescimento em relação à edição de 2025. Em 2026, o South Summit Brazil reuniu mais de 24 mil visitantes de 70 países, além de mais de três mil startups, mais de sete mil empresas e mais de 800 palestrantes, sendo cerca de 150 internacionais. Também participaram mais de 30 delegações estrangeiras, enquanto fundos de investimento presentes somam US$ 250 bilhões sob gestão. Na edição anterior, o evento havia reunido cerca de 23 mil participantes de 62 países, consolidando Porto Alegre como um dos principais polos de inovação da América Latina.

Além disso, o evento teve palestras simultâneas em oito palcos. Alguns dos destaques do evento abordaram a relação entre investidores e startups, mobilidade aérea e inteligência artificial. O último dia também teve a final da competição de startups, uma das principais atrações do evento. Foram premiadas nas categorias Melhor Equipe, Mais Escalável, Mais Disruptiva, Mais Sustentável e Global Winner. A competição, que atrai empreendedores do mundo todo, bateu recorde de inscrições em 2026, com 2.378 startups de 66 países. Após a conclusão da avaliação do comitê de seleção, composto por jurados especialistas, foram selecionadas 51 startups finalistas, sendo 25 brasileiras e 26 do exterior.

Os pilares da IA 5.0
A IA 5.0 já é uma realidade. Em sua palestra no Arena Stage, principal palco do evento, o CEO do IXL Center, Hitendra Patel, orientou como os negócios podem utilizar a IA para escanear o mundo, prever cenários futuros, gerar e testar ideias exaustivamente, e implementar com parceiros globais. "Nós olhávamos para a inovação com esperança de que algo fosse acontecer. Agora não é esperança, é certeza", declarou. De acordo com Patel, historicamente, a inovação dependia muito de intuição, pesquisa, sorte e era limitada pela biologia humana. A IA elimina limitações, como cansaço, tempo de análise e capacidade cognitiva, permitindo uma abordagem mais robusta e eficiente para a inovação. A metáfora muda de uma "lanterna" (visão limitada) para uma "visão de satélite" (visão completa) do mundo da informação. Na opinião de Patel, a IA permite escanear dados e informações de milhares de bases de dados, gerar cenários ilimitados e ideias estruturadas, simular testes com agentes virtuais e conectar empresas a parceiros globais.

Evtols: por que os carros voadores são uma realidade inevitável
Especialistas de diferentes elos da cadeia da mobilidade aérea reuniram-se para discutir um tema emergente: os evtols (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, na sigla em inglês), popularmente conhecidos como "carros voadores". Os paineis sobre o tema evidenciaram que a evolução deste mercado dependerá da capacidade de articular governos, indústria, formação técnica e aceitação social. Lideranças como Bruno Limoeiro, CEO da VertiMob, Lucas Campregher, líder de serviços estratégicos da Eve Air Mobility, Cristiane Cunha, COO da Aeromot, e Laura Mota Calegari, diretora de desenvolvimento de negócios da Leadin Aviation Consulting, traçaram um panorama realista sobre os próximos passos da indústria. A evolução deve acontecer em fases: o turismo será o primeiro motor, seguido pelo airport shuttle (transporte entre aeroportos), até chegar à integração plena à mobilidade urbana.

Lucas Campregher trouxe para o centro do debate os pilares operacionais que ainda estão em construção: infraestrutura, legislação, regulação e gestão do tráfego aéreo. Um dos pontos críticos, segundo ele, é a adaptação de estruturas existentes para abrigar os vertiportos, além da necessidade de gerenciar a aceitação dos usuários — especialmente em relação à percepção de segurança, poluição visual e impacto sonoro. Apesar dos desafios, Lucas também apontou oportunidades expressivas nos mercados de infraestrutura dentro e fora dos aeroportos, no mercado imobiliário associado aos vertipontos e na demanda por mão de obra qualificada. "Isso abre uma porta gigantesca para novos investimentos, é um novo setor que está se construindo", declarou.

Bruno Limoeiro, da VertiMob, primeira empresa da América Latina a desenvolver vertiportos, trouxe um olhar pragmático sobre a escalabilidade do setor. Ele revelou que o mercado se divide igualmente entre infraestrutura e mercado imobiliário, destacando que, para alcançar escala, será fundamental trabalhar com a previsão de demanda elástica, já que a projeção é que o valor da passagem chegue a cerca de US$ 100 nos próximos 30 anos. Já Cristiane Cunha, da Aeromot, provocou uma reflexão essencial: como adaptar o ecossistema da aviação atual às tecnologias disruptivas que estão por vir? Ela estruturou sua contribuição em quatro vetores fundamentais: formação de profissionais, programa de mobilidade aérea regional (um modelo que chamou de "Uber" para curtas distâncias), infraestrutura e indústria de fabricação de componentes. Um dado preocupante trazido por ela acendeu um alerta: "a aviação cresce pelo menos 6% ao ano no mundo. E a formação decresce de 3% a 5%, ou seja, ela já está colapsada no modelo que a gente tem". Para Cristiane, a tecnologia é inevitável — e, sendo assim, o treinamento precisa ser tratado como prioridade.

A delicada relação entre investidores-anjo e fundadores
Em outro painel, foi abordado o papel do investimento anjo na jornada de uma startup e os fatores críticos para o sucesso de fundadores e empreendimentos. A discussão contou com a participação de Maria Rita Spina Bueno, board member do Anjos do Brasil; Simone Siebra, Board member do RS Angels; e Amure Pinho da Rocha e Silva, fundador do Investidores.vc. Os três trouxeram visões sobre a avaliação de fundadores, erros comuns, governança e a cultura de crescimento no ecossistema de startups brasileiro.

Maria Rita ecoou o tema central do evento ao enfatizar que o foco deve estar, acima de tudo, nas pessoas. Para ela, o olhar técnico é essencial, mas não pode se sobrepor à observação cuidadosa das relações humanas, que devem ser construídas e formalizadas fora do contexto imediato de vendas. "Como o anjo investe muito no começo da jornada, tudo que a gente tem certeza é que essa jornada vai mudar com o tempo, a gente vai investir em pessoas", afirmou. Ela também destacou a importância da diversidade, lembrando que soluções verdadeiramente inovadoras e diferentes só surgem quando há a contribuição de pessoas com vivências e perspectivas variadas

Na sequência, Simone alertou para o que considera dois dos maiores erros no mundo dos negócios: subestimar a concorrência e falta de literacia. "Muitas startups recebem investimento anjo, não entendem dos contratos, não têm o apoio legal, e muitas vezes o anjo puxa o tapete e faz um contrato em que ele nunca será diluído", alertou Simone. Ela aconselhou os empreendedores a prever problemas e soluções ainda no "momento zero", organizando-se para o que chamou de "maratona" do empreendedorismo.

Já Silva aprofundou a reflexão sobre o elemento humano, defendendo a necessidade de compreender profundamente as pessoas e valorizar a troca de experiências. "O empreendedor também tem que perder muito tempo entendendo quem são os investidores que ele está captando. Converse com os outros fundadores. As relações têm que estar muito bem condizentes com esse alinhamento de longo prazo", disse. Sua mensagem final foi sobre a cultura do crescimento, que deve ir além do sonho e da visão da startup, e focando na construção sólida. "Você pode fazer um milhão de coisas erradas, mas se você estiver crescendo, você tem mais maturidade para resolver esses problemas", aconselhou.

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Segunda, 30 Março 2026

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