Intenção de contratações no varejo é a pior em 13 meses
A disposição do comerciante brasileiro de expandir suas equipes e colocar novos produtos nas prateleiras foi substituída por uma estratégia de contenção em maio, de acordo com a pesquisa apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta quarta-feira (27). Pressionado por uma escalada de incertezas que combinou instabilidade geopolítica externa e persistência inflacionária interna, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou queda de 2,4% na comparação com o mês anterior, após o ajuste sazonal. E a intenção de contratação de funcionários também encolheu 2,4% no mês, atingindo o patamar mais baixo de intenção de abertura de vagas desde abril de 2025.
A perda de fôlego em maio foi ditada principalmente pelo componente de expectativas (IEEC), que encolheu 3,6% em relação a abril. "Esse comportamento retraído do varejo nacional encontra forte justificativa no cenário macroeconômico global e doméstico. No plano internacional, os desdobramentos do conflito armado entre Estados Unidos e Irã e o consequente bloqueio temporário do Estreito de Ormuz injetaram forte volatilidade no mercado de combustíveis", afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. Com as perspectivas futuras sob revisão e o consumo das famílias mais pressionado, a intenção de investimentos do varejo recuou 1,4% no mês. Além de congelar os planos de contratação, os comerciantes precisaram ajustar a gestão operacional interna de suas empresas: o indicador de estoques caiu 1,6% em maio diante de abril, impulsionado pelo aumento de 0,3 ponto percentual na parcela de empresários que relataram ter mercadorias paradas acima do nível considerado adequado para o planejamento de vendas.
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