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Fintechs no Brasil: um cenário de desafios – e oportunidades

Panorama do setor foi apresentado no terceiro dia de palestras do BRDE
Apesar dos desafios, as fintechs ainda possuem muito chão para avançar

A Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) compreende, atualmente, 450 associadas. Um número relevante perto do universo de 742 startups mapeadas no último estudo da entidade, que surgiu em 2016 com o objetivo de promover a inclusão de novos players no mercado financeiro e a perpetuidade da inovação e tecnologia dentre os já existentes. Destas, 16,4% atuam na área de meios de pagamento; 15,8% na área de crédito; 15,1% em backoffice; 9,2% em risco e compliance e 6,6% com criptomoedas, para citar as mais expressivas. Todas possuem suas particularidades e diferentes maneiras de operar, mas contam com uma característica em comum: enfrentam diversos desafios e possuem, igualmente, inúmeras oportunidades de crescimento no futuro. O presidente da ABFintechs, Diego Perez, falou sobre o tema no terceiro dia de palestras do Seminário O Mercado Financeiro e as Oportunidades com as Fintechs, promovido pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Muitas vezes, as fintechs atendem públicos específicos e segmentados com quem os bancos não têm interesse em trabalhar – aquelas que possuem restrições de crédito e não têm poupança ou conta salário, por exemplo. "Mas essas pessoas também consomem e pagam contas, e, já que o Brasil tem um mercado de pagamentos desenvolvido, as fintechs acabam ganhando espaço", explica Perez. Um espaço que tende a crescer cada vez mais, visto que as gerações nativas digitais, que já nasceram em ambientes conectados, estão começando a atingir um estado de maturidade financeira para gerir recursos de maneira autônoma e independente.

Para Perez, o principal atrativo das fintechs para as novas gerações é que elas oferecem o serviço que o público procura, diferentemente dos bancos tradicionais. "Esses grandes conglomerados têm interesse em distribuir para o seu público os produtos mais rentáveis para a organização, não necessariamente o que o público precisa naquele momento. As fintechs nasceram para tomar o espaço que os bancos não tinham interesse em ocupar e acabaram trazendo o usuário para o centro do desenvolvimento de novos produtos", destaca. Isso acontece porque as instituições financeiras possuem altos custos de manutenção e os investimentos necessários para novos produtos são grandes demais para valerem a pena. Já as fintechs não precisam de redes de agências físicas para alcançar diferentes estados, por exemplo, pois já nascem digitalizadas. Pela grande oferta, os usuários também conseguem escolher qual produto melhor os atende em determinadas situações.

Desafios
Alguns desafios ainda são citados por Perez como determinantes para o avanço no cenário das fintechs. A falta de acesso a serviços financeiros por grande parte da população, a chamada desbancarização, é um deles. Com a pandemia, mais de 30 milhões de pessoas foram bancarizadas em poucos meses, recebendo poupanças digitais para o recebimento do auxílio emergencial. Mas, para o presidente da ABFintechs, ainda é um serviço muito básico e simples.

Ele também cita o mau uso de crédito, que faz com que a população fique altamente endividada; a falta de planejamento financeiro, levando em conta que muitas pessoas ainda não conhecem conceitos básicos de finanças como reserva de emergência; e o fato de o Brasil ter um dos maiores spreads bancários [a diferença entre os juros que os bancos pagam ao investir dinheiro e ao fazer empréstimos] do mundo. Além disso, os registros bancários ainda são muito manuais, o que faz com que o sistema perca eficiência e abre margem para o reconhecimento da importância de registros eletrônicos.

Avanços e tendências
Apesar dessas barreiras, as fintechs ainda possuem muito chão para avançar. A consolidação do open banking funcional, onde será possível uma interoperabilidade de dados entre instituições financeiras com o usuário em primeiro lugar, traz ótimas perspectivas, bem como as novas funcionalidades do Pix, o sandbox regulatório e as possibilidades de registro eletrônico de duplicatas e correspondentes bancários digitais. Todas essas possibilidades vêm estimulando tendências como transações via open banking, green finance – ESG [empresas estão aderindo ao requisito do mercado de ofertar produtos sustentáveis ou que causem impacto mínimo], startups que desenvolvem soluções tecnológicas para conformidade regulatória, conglomerados não financeiros integrando a cadeia de distribuição de créditos [como agro fintechs, por exemplo] e, talvez o mais interessante de todos, os chamados superapps transacionais. Já comuns na Ásia, são aplicativos que concentram funções de pagamentos com diversas finalidades e são facilitados com a tecnologia 5G. "Geladeiras, totens nas ruas, todos os dispositivos estarão conectados e poderão identificar as pessoas e outros equipamentos ao redor. Nessa interconectividade, é possível criar uma dinâmica financeira e transacional onde, basicamente, máquinas compram de máquinas", exemplifica Perez.

O seminário O Mercado Financeiro e as Oportunidades com as Fintechs integra as atividades relacionados aos 60 anos do BRDE. A série de encontros, que vai até o dia 29, terá a participação de importantes instituições de fomento, bem como cases de empresas privadas com destaque em negócios que romperam com o modelo tradicional no mercado financeiro. O evento sempre começa às 14 horas e é aberto ao público. Os debates diários serão transmitidos pelo canal do BRDE no Youtube.

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Quinta, 05 Agosto 2021

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