Setor têxtil de SC debate formas de adesão à economia circular

Evento na Fiesc discutiu ferramentas e ideias para tornar o segmento alinhado com as tendências globais de consumo
Otimizar processos, reduzir o desperdício e reaproveitar materiais são tarefas do setor têxtil

O setor têxtil mundial enfrenta um dos seus principais desafios, se tornar mais sustentável em meio a mudanças não só nos hábitos do consumidor, mas na legislação e regulação, que têm imposto práticas que priorizam o uso racional dos recursos e a redução dos resíduos. Como integrantes de uma das principais cadeias têxteis do planeta, as indústrias têxteis, de confecções, de couros e de calçados de Santa Catarina discutiram na quinta-feira (21), em evento organizado pela câmara de Desenvolvimento do setor, como a adoção da Economia Circular pode contribuir para vencer esses desafios. O Instituto Senai em Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design apresentou soluções para a indústria no tratamento e reaproveitamento de resíduos.

O presidente da câmara setorial, Giuliano Donini, destacou que a economia circular é uma jornada para o setor têxtil e de vestuário. "É um caminho, não o fim. Temos desafios inerentes ao nosso negócio, que muitas vezes é visto sob uma ótica negativa especialmente na questão ambiental e de relações do trabalho. Adotar práticas da economia circular pode contribuir para melhorar nosso diálogo com a sociedade e a imagem do segmento", destacou. O evento trouxe a experiência europeia na adoção de práticas e conceitos da economia circular no setor têxtil, com a apresentação de Raul Fangueiro, presidente da Fibrenamics. "Precisamos pensar o negócio com uma abordagem de desperdício zero, de melhora do desempenho com menos recursos. A moda descartável está fora de moda. Precisamos nos preocupar em como lidar com um consumidor que vai pensar cada vez mais antes de comprar", salientou.

Uma alternativa para tornar a moda mais sustentável, segundo ele, é pensar no ciclo de vida do produto desde o seu desenvolvimento. "O EcoDesign é uma alternativa que as empresas precisam adotar. Será necessário desenvolver produtos mais duradouros, mais naturais e com possibilidade de reuso e reciclagem", afirmou Fangueiro. Para a Mayra Montel, executiva da CHT Brasil Química, o maior desafio é repensar o modelo de negócio. "Precisamos mudar nosso mindset, transformar o processo de produção. Para isso, o planejamento, a colaboração e a inovação são essenciais", avaliou.

O Instituto Senai em Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design apresentou o projeto em parceria com a UFSC para a produção de biofloculantes a partir de resíduos da indústria têxtil para a remoção de corantes em efluentes.Também abriu a possibilidade de novas empresas participarem da iniciativa, que conta com financiamento não reembolsável do programa Aliança Industrial, do SenaI nacional. O evento contou ainda com a apresentação de casos práticos, com a transformação de resíduos sintéticos da indústria têxtil em novos materiais. O executivo da Libértecce, João Carlos Andrades, mostrou diferentes processos e produtos que a empresa gaúcha desenvolve por meio da reciclagem de poliamida, poliéster e espumas. O executivo da Eurofios, Adilson Moura, apresentou soluções para reciclagem de retalhos, aparas e roupas usadas. A empresa transforma os resíduos em barbante e fios e fibras têxteis.

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Segunda, 24 Junho 2024

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