Ciência do Sul perde neurocientista Iván Izquierdo

Pesquisador argentino radicado em Porto Alegre descobriu mecanismos do funcionamento da memória e coordenou o Centro da Memória
Considerado um dos maiores pesquisadores do Brasil, Izquierdo foi inspiração para milhares de estudantes e professores no mundo inteiro

Considerado um dos maiores especialistas em memória do mundo, o neurocientista e pesquisador Iván Izquierdo, faleceu nesta terça-feira (9), em Porto Alegre. Ele faleceu aos 83 anos, em decorrência de uma pneumonia. Nascido em Buenos Aires, naturalizado brasileiro em 1981, o neurocientista morava em Porto Alegre, desde 1977. Izquierdo foi responsável pela descoberta dos principais mecanismos bioquímicos da memória em várias estruturas cerebrais, entre elas, o fenômeno conhecido como dependência de estado endógena e a separação funcional entre as memórias de curta e longa duração.

A PUCRS e o Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer) lamentaram com profundo pesar o falecimento do professor Iván Izquierdo. O reitor da PUCRS, Ir. Evilázio Teixeira define como inquestionável o legado de Izquierdo enquanto pesquisador e formador de gerações de novos cientistas. "Os frutos de seu trabalho seguirão se multiplicando nas áreas do saber em que imprimiu seu nome e produção científica, especialmente na neurociência. A PUCRS se solidariza com sua família, amigos, colegas, alunos e orientandos", afirma.

Considerado um dos maiores pesquisadores do Brasil, com um vasto trabalho científico na área de neurociências, em especial, na memória, ele foi inspiração para milhares de estudantes e professores no mundo inteiro. "Estamos todos muito tristes. O professor Ivan Izquierdo colocou no cenário internacional as pesquisas sobre memória. Foi um exemplo de pesquisador e professor que formou e motivou inúmeros neurocientistas. Como idealizador, coordenador e pesquisador do Centro de Memória embasou as pesquisas da doença de Alzheimer no InsCer e formou jovens neurocientistas. Ivan Izquierdo, um grande homem, um talentoso cientista e um nobre mestre", afirma Dr. Jaderson Costa da Costa, diretor do Instituto do Cérebro do RS.

Trajetória
Nascido em Buenos Aires, adotou o Brasil como seu país em 1973, vindo, primeiramente para Porto Alegre. Teve passagem por São Paulo, mas desde 1977 morava em Porto Alegre ao lado da esposa, dos filhos e netos. Naturalizou-se brasileiro em 1981. Em 2004, assumiu a coordenação do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A partir de 2012, ano da criação do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, integrou e coordenou o Centro de Memória da Instituição. Como professor na PUCRS, atuou nos Programas de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica e em Medicina e Ciências da Saúde.

Izquierdo dedicou mais 60 anos à neurociência, durante os quais publicou cerca de 700 artigos em periódicos científicos com quase 23 mil citações. Considerado um dos maiores pesquisadores do mundo na área de fisiologia da memória, o neurocientista recebeu mais de 60 prêmios e distinções nacionais e internacionais, entre eles, o Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico (1996), Prêmio Conrado Wessel (2007), Prêmio Almirante Alvaro Alberto (2010), Doutor Honoris Causa das universidades de Paraná e Córdoba, além de Professor Honorário das universidades de Buenos Aires e Córdoba e Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2014). Em 2018 foi laureado com o prêmio Cientista do ano, na área de neurociências, pelo Instituto Nanocell. Ele é também o pesquisador com o maior número de citações acadêmicas da América Latina.

Foi membro da Academia Brasileira de Ciências e da National Academy of Sciences (EUA), além de membro do Comitê Editorial de mais de 30 revistas internacionais. Orientou mais de 100 teses e dissertações. Suas linhas de pesquisa concentravam-se em mecanismos da memória e neurofarmacologia da memória. Foi responsável pela descoberta dos principais mecanismos bioquímicos da memória em várias estruturas cerebrais, entre elas, o fenômeno conhecido como dependência de estado endógena e a separação funcional entre as memórias de curta e longa duração.

Em 2018 recebeu ainda o Prêmio Internacional Unesco-Guiné Equatorial para Pesquisa em Ciências da Vida. O reconhecimento, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi obtido por suas descobertas em elucidar os mecanismos de processos de memória, em consolidação e recuperação, e suas aplicações clínicas em distúrbios psicológicos e de idade e doenças neurodegenerativas, levando a uma melhoria da qualidade de vida humana.

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Quarta, 26 Janeiro 2022

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