Black Friday fortalece operações “fullfilment” em galpões logísticos descentralizados

A estratégia faz parte da corrida para tornar a jornada de vendas mais competitiva
Ainda para atender a demanda cada vez maior do e-commerce, as grandes varejistas também investem em centros de distribuição variados espalhados por localizações estratégicas

A consolidação da Black Friday no calendário do comércio brasileiro fortaleceu o modelo de operação "fullfilment" dentro dos centros de distribuição. É quando a empresa instalada dentro do galpão logístico fica responsável por todo o processo de distribuição. Na prática, o fullfilment envolve as várias etapas do pedido, indo do recebimento do produto até a entrega na casa do consumidor. O objetivo é ganhar velocidade de entrega, ao mesmo tempo em que se economiza no frete. Dessa forma, a operação busca a satisfação do cliente.

"As vendas online ganham um volume muito maior nessa época do ano e a implantação destas operações trouxe aos centros de distribuição tradicionais o modelo de operação 'fullfilment', em que as empresas passaram a ser os operadores logísticos para as famílias, pequenos negócios e grandes marcas com lojas digitais exclusivas operando neste ambiente digital", diz Eric Ammirati, gerente de locações da consultora imobiliária Cushman & Wakefield.

A estratégia faz parte da corrida para tornar a jornada de vendas mais competitiva, assim como a armazenagem e distribuição mais eficientes. O objetivo é fortalecer as operações para melhorar o "same day delivery" (do inglês, "entrega no mesmo dia") e superar os desafios da "last mile", ou última milha, como se costuma chamar a última etapa a ser cumprida antes de o produto chegar ao consumidor. Ainda dentro dos ´fullfilments´, também há estratégias de micro ´fullfilments´, armazéns de pequena escala localizados em áreas urbanas, mais próximos do consumidor final. A abordagem busca reunir a velocidade de entrega a partir de lojas físicas à eficiência de grandes depósitos automatizados.

"Em certos casos, como em grandes cidades, se faz necessária a criação de hubs menores, seja pelo volume de vendas em determinados bairros ou para melhorar a eficiência das rotas e tornar mais competitivos os custos com transporte. Esses hubs auxiliam na distribuição local, melhorando a logística urbana em operações de last mile ou crossdocking (sistema de distribuição no qual o produto que foi comprado pelo cliente é despachado para um centro de distribuição ou armazém). De uma forma geral, essa estrutura viabiliza a velocidade das entregas nas regiões onde são implantadas", explica Ammirati.

Centros de distribuição variados
Ainda para atender a demanda cada vez maior do e-commerce, as grandes varejistas também investem em centros de distribuição variados espalhados por localizações estratégicas. Para Rodrigo Demeterco, presidente da Capital Realty, ter uma distribuição variada é um fator importante para garantir a satisfação dos clientes. "A mudança no hábito do consumidor fez com que houvesse um aumento no número de centros logísticos em diversas cidades e estados, e as empresas notaram a importância de espaços menores, mas localizados em mais lugares. O público consumidor não está mais tão concentrado em determinadas regiões, já que esse é um hábito que cresce em todo o Brasil. Em um cenário competitivo, as empresas disputam por maior rapidez, qualidade, preço e fidelização dos clientes", conta.

Para Demeterco, a tendência é que os centros de distribuição variados sigam fortes, não somente para atender demandas altas, como as da Black Friday e Natal, mas também durante todo o ano. "Antigamente havia muita operação própria, o que era uma barreira. Hoje uma empresa que quer ter um CD em uma outra capital ou outro centro consumidor, tem uma oferta de operadores logísticos muito grande e não precisa construir um armazém próprio. É uma tendência forte e a demanda no país não deve diminuir nos próximos anos", analisa.

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Segunda, 22 Abril 2024

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