Como um sulista tornou-se o Barão do Guaraná na floresta amazônica

Sílvio Proença desbravou o interior do Amazonas e empreendeu ao beneficiar a fruta típica da região
"Nós nos preocupamos com o social e com a produção orgânica", afirma Sílvio Proença, um gaúcho que deixou o Sul para viver na floresta amazônica

A Guaraná do Brasil Agro completou duas décadas de atividades no Amazonas. Com sede em Maués, interior do estado, e produtora do Barão do Guaraná, um dos mais conhecidos produtos em pó, ela se transformou em referência de beneficiamento do guaraná com características sustentáveis e de alto valor agregado. Centenas de produtores rurais orgânicos fornecem matéria-prima, que é cuidadosamente beneficiada e distribuída no mercado local e nacional. "Nós nos preocupamos com o social e com a produção orgânica. Nesses 20 anos, construímos uma história de integração com os produtores rurais e com nossos clientes", afirma Sílvio Proença, também conhecido carinhosamente como "Barão do Guaraná'', um gaúcho de Esteio, que deixou o Sul para viver na floresta amazônica.

Proença atingiu uma posição de credibilidade regional que fez de sua carreira como microempresário do agronegócio de floresta um exemplo de persistência, sustentabilidade e responsabilidade. Ganhou medalha do Mérito Industrial do Ano como Microindustrial de 2009 pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). O Sebrae Amazonas deu todo o suporte abrindo caminho para cursos e consultorias sobre gestão administrativa e financeira para o empresário. "Eles conseguiram ver logo no começo que o meu negócio teria sucesso pelo que representa de sustentabilidade ambiental e fortalecimento da economia do interior, com algo genuinamente amazonense: o guaraná", recorda Proença. A iniciativa foi precursora de beneficiamento do guaraná em uma escala reduzida, mas com sustentabilidade e qualidade final dos seus produtos oriundos da capital mundial do guaraná: Maués.

A Guaraná do Brasil Agro beneficia os grãos do guaraná existentes em Maués. Os fornecedores são pequenos produtores locais da agricultura familiar. O guaraná é conhecido como um tônico cerebral e tem propriedades naturais, que auxiliam a manter a memória e a constante ativação dos neurônios. É potente anti-inflamatório, modelador sanguíneo e auxilia na prevenção de acidentes vasculares cerebrais e infarto. É consumido pelos indígenas Sateré Mawes há mais de dois mil anos. Maués é uma das cidades com taxas de longevidade mais elevadas do Brasil. No município a média de vida local é de 82 anos. Dentre tantas outras experiências, o guaraná possibilitou realizações de sonhos ao gaúcho e, após mais de meio século vivido, ele diz que o sentimento é de gratidão. "Esse sentimento, após os 60, parece que vem com mais nitidez. A gente sente a pulsação maior. Trabalho com um produto do bem, que energiza as pessoas, que dá ânimo. Comigo não poderia ser diferente", emociona-se.

"A cachaça está entre as melhores do mundo e nós tentamos fazer uma coisa diferente. Não inventamos a roda, simplesmente a saborizamos com sabores regionais aqui da Amazônia, como açaí e o camu-camu. Eu trabalho principalmente com o licor do guaraná, e os clientes começaram a pedir para fazer a cachaça com guaraná, que fizemos e, posteriormente, criamos novos sabores. Estamos sempre testando", conta Proença. Segundo ele, o principal problema enfrentado na produção da cachaça saborizada é a logística para o escoamento do produto, feito em Maués. Além disso, trabalhando exclusivamente com garrafas de vidro, o empresário também busca fazer reutilização destes vasilhames, trazendo também uma noção de sustentabilidade. "Fazemos questão de trabalhar com garrafas de vidro, pois o sabor em si é outro. Além disso, mesmo tendo a facilidade de produzir a cachaça aqui, o escoamento dessa produção é difícil, já que o meio de transporte aqui é fluvial, sendo tudo mais demorado e caro. Mas a questão talvez não seja o produto em si, mas a produção dessa iguaria, pela qual as pessoas pagam um valor alto", detalha o Barão do Guaraná.

Arquiteto por formação, Proença, de 59 anos, virou filho de Maués e personalidade do município após popularizar a batida do guaraná na cidade. O guaraná é Patrimônio Cultural do Amazonas. Há 20 anos em terras maueenses, o Barão do Guaraná, como é conhecido, inventou a bebida "Turbinado", que energiza os turistas e moradores com muita virilidade e disposição. O "pub" de sua propriedade virou um atrativo turístico para quem quer se energizar com o sabor da natureza. "Quando vim pela primeira vez para cá, me encantei com a ilha da Vera Cruz. Que paraíso, que lugar lindo. Inclusive morei durante oito meses lá. E, durante esse período, vi que os moradores tinham o costume de consumir o guaraná, alcançando mais disposição. Vi idosos acima dos 90 anos trabalhando ainda. E tive a ideia de aprimorar o guaraná batido em uma bebida rica de energia", explica o empresário.

Casado com uma maueense, Proença se especializou no fruto energético e percorreu o mundo divulgando a bebida turbinada. Do guaraná nasceram os derivados do fruto, como o chá, o licor, a limonada à base de guaraná, e tantas outras iguarias feitas por ele. "Essa terra é mágica, é linda por natureza. Há 20 anos, eu via o caboclo da região consumindo o guaraná, mas o turista não tinha isso à disposição. Nós compartilhamos o guaraná para todo mundo. Hoje, o Turbinado, que é patenteado por mim, popularizou-se na cidade. A gente vê as pessoas felizes na cidade, os interiores são todos parecidos, mas aqui é diferente. E esse diferencial, essa energia, vem do guaraná", orgulha-se. "Estou sempre aprendendo e conversando com o guaranacultor, com o homem do campo, com o caboclo. Inclusive eu não sou barão, né? A gente está aqui lutando, aprendendo. É uma licença poética, porque não sou um barão, mas é uma maneira de homenagear todo produtor em si. Foi graças a isso, a esse tempo e ao apoio do Sebrae, que a gente ganhou alguns prêmios como empreendedor", relata o Barão do Guaraná.

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Segunda, 22 Abril 2024

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