Mercado imobiliário tem alta de vendas entre julho e setembro

No entanto, os lançamentos caíram 8,6% no período
De acordo com o estudo apresentado pela CBIC, a queda no número de lançamentos chegou a 20,3% em comparação com o mesmo período de 2022

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registrou avanço no terceiro trimestre de 2023 em relação aos três meses anteriores e apresentou crescimento de 35,8% em lançamentos. As vendas também subiram, apontando aumento de 13% no mesmo período. Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os dados revelam o reaquecimento do programa habitacional a partir das mudanças que entraram em vigor em julho, especialmente com a retomada da faixa 1. Os dados divulgados fazem parte da pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais do terceiro trimestre de 2023, divulgada pela CBIC. O estudo foi realizado em 219 cidades, incluindo todas as capitais e as principais regiões metropolitanas do país.

Apesar dos aumentos percebidos no MCMV, o número global do mercado imobiliário mostrou crescimento apenas nas vendas, de 6,5% no trimestre, em comparação com o anterior. Os lançamentos caíram 8,6% no período. Para o economista Celso Petrucci, os dados das vendas demonstram a aderência dos produtos às necessidades da demanda, mesmo em um trimestre com queda nos lançamentos. "O mercado vem respondendo bem. Há vendas de imóveis em construção e das unidades que foram entregues recentemente", disse. Para a CBIC, a queda nos lançamentos é atribuída à elevada taxa de juros dos últimos anos que, mesmo após o ciclo de queda iniciado em agosto, o mercado ainda não sentiu os efeitos no trimestre. Petrucci ainda destacou o aumento nos custos de materiais dos últimos anos e a dificuldade de reajustar o preço de venda na mesma proporção, deixando os empresários com maior cautela na hora de lançar unidades. A expectativa do setor é que os efeitos sejam sentidos no último trimestre deste ano e no primeiro de 2024.

A demora na entrada em vigor das novas regras do Minha Casa, Minha Vida também ajuda a explicar a queda nos lançamentos, segundo Petrucci. O mercado aguardava as novas regras do programa para o início do ano, mas entraram em vigência somente em julho, fazendo com que as empresas adiassem os lançamentos. "O mercado, em função de todo o descolamento de custo no passado e do atraso nas regras do MCMV, reduziu o número de lançamentos em 52 mil unidades. As empresas não conseguem se readequar do dia para a noite. Isso leva algum tempo", comentou.

O índice de preços indicou importante movimento do mercado, com aumento de 3,9% no valor dos imóveis no terceiro trimestre, superando a variação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, explicou que o reajuste decorreu da recomposição de preço real e da mudança de tipo de produto lançado nos últimos tempos. "A alteração foi resultado, principalmente, de dois movimentos, da recomposição de preço, com aumento na tabela, e da mudança de mix de produto no mercado. Foram lançados mais produtos de médio e alto padrão e com a queda que aconteceu no MCMV nos trimestres anteriores deixou o preço médio de mercado maior", explicou.

Lançamentos
De acordo com o estudo apresentado pela CBIC, a queda no número de lançamentos chegou a 20,3% em comparação com o mesmo período de 2022. Todas as regiões do país apresentaram retração nos lançamentos no terceiro trimestre de 2023, em comparação com o segundo trimestre do ano. A maior variação foi percebida na região Norte, com redução de 42,1%, seguida do Centro-Oeste (30,7%) e Sul (8,1%). "Nos últimos anos a curva de custos pressionou muito o mercado e os preços dos insumos desestimularam muitos lançamentos. Agora, com maior maturidade, as condições do MCMV ajustadas e com um patamar mais saudável, os lançamentos devem ser retomados. E é sempre importante lembrarmos que um mercado imobiliário saudável é fundamental para combatermos o déficit habitacional", enfatizou Renato Correia, presidente da CBIC.

Vendas
As vendas no terceiro trimestre de 2023 apresentaram melhora também em relação ao mesmo período do ano anterior, com aumento de 4,2%. Quase todas as regiões apresentaram crescimento de vendas no trimestre, em relação ao anterior. A região Norte teve 12,7% de aumento; o Sudeste teve 9,7% de acréscimo e o Centro-Oeste, 5,4%. Somente a região Sul apresentou queda no período, de 0,5%. Ely Wertheim, vice-presidente da indústria imobiliária da CBIC, enfatizou a aderência do mercado e a capacidade das empresas de atenderem as vendas. "As vendas continuam aderentes, saudáveis, com preço sustentável. Na verdade, desde 2020, apesar dos desafios, o mercado tem respondido satisfatoriamente às necessidades habitacionais do país e das empresas de continuar sua produção de imóveis", afirmou.

A oferta final de imóveis tem apresentado queda nos últimos trimestres e aponta atenção do mercado com o estoque de imóveis. Em comparação com o segundo trimestre, a retração foi de 6,4% no terceiro trimestre. Quando a comparação é com o mesmo período do ano passado, a queda registrada foi de 10,5%. No terceiro trimestre de 2023, a oferta foi de 272.145 unidades em todo o Brasil. No segundo trimestre de 2023, o estoque era de 290.880 unidades. O recuo em relação ao trimestre anterior foi percebido em todo o país. O Nordeste foi a região com maior queda na oferta, com 7,7%. Seguido do Sudeste (7,2%) e do Sul (6,2%).

O tempo de escoamento de oferta, considerando a média de vendas dos últimos 12 meses, caso não ocorram novos lançamentos, seria de dez meses, mostrou o levantamento. De acordo com a pesquisa, as 17.884 unidades vendidas a mais do que lançadas, neste terceiro trimestre, contribuíram para uma queda significativa da oferta final, registrando 272.145 unidades. O estoque apontou o menor patamar desde o terceiro trimestre de 2020. Wertheim alertou que a retração nos lançamentos e o aumento nas vendas mostram que está se vendendo o estoque de unidades e que pode ter escassez de imóveis em algumas cidades, o que preocupa o mercado. "Em algumas praças, pode ter início de ciclo de escassez, o que preocupa um pouco", destacou. "A construção é uma operação de ciclo longo e a reposição de uma unidade habitacional pode demorar mais de 12 meses. Então, é um número para ficarmos em alerta", opinou Correia.

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Sexta, 23 Fevereiro 2024

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