Endividamento sobe pelo quinto mês consecutivo

Cenário expõe a dependência de uma linha de crédito de altíssimo risco
Ciclo penaliza famílias de menor renda, elevando a inadimplência das que recebem até três salários mínimos para 38,6%

Ao alcançar o quinto mês seguido de alta e renovar o maior patamar da série histórica aos 81,6%, o endividamento dos consumidores brasileiros expõe a dependência de uma linha de crédito de altíssimo risco. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de maio, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quarta-feira (10), mostra que o cartão de crédito permanece isolado como a modalidade mais utilizada, parte do problema de 84,6% das famílias endividadas.

O dado reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo. A inadimplência entre as famílias que recebem até 3 salários mínimos disparou 1,7 ponto percentual em termos mensais, atingindo a marca crítica de 38,6% em maio. O efeito prático do diagnóstico desenhado pela Peic é um alerta, pois a sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos em pagamentos.

O total de famílias que se consideram "muito endividadas" subiu para 17%, renovando o maior nível desde junho de 2024 e gerando uma postura de extrema cautela no mercado. "A configuração de curto prazo no orçamento doméstico empurrou a inadimplência geral para 29,9% em maio. Como as taxas de juros ao consumidor final reagem de forma lenta à redução da taxa Selic, o custo de carregar essas dívidas consome o poder de compra. Ainda mais, levando em conta o comportamento recente da inflação, aumentando, assim, a percepção de risco das famílias", analisa Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Apesar disso, a pesquisa registra melhora qualitativa de fatores como a ampliação dos prazos de pagamento – com 33,3% das famílias possuindo dívidas por mais de um ano – e uma leve redução do percentual médio de comprometimento da renda para 29,3%.

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Quarta, 10 Junho 2026

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