Crianças estão adotando a IA três vezes mais rápido que os adultos
Metade das crianças e adolescentes já usa ferramentas de IA generativa — e usa mais do que seus pais. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), intitulado " Panorama do uso da IA e preocupações entre crianças e pais ", consolida uma análise do uso de ferramentas de IA por crianças e adolescentes em dez países: Armênia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Jordânia, México, Montenegro, Macedônia do Norte, Paquistão e Sérvia. Uma das conclusões do estudo é que as crianças têm mais de três vezes mais probabilidade de utilizar sistemas de IA do que seus pais ou responsáveis.
O estudo estima que pelo menos 20 milhões de crianças e adolescentes já utilizam a IA nesses países. O principal uso é a consulta para tarefas escolares, aplicado por 65% dos menores de idade que usam a ferramenta. Um a cada dez recorre à IA em busca de conselhos para questões que as preocupam. Essa proporção se repete no Brasil, onde 10% das crianças que usam internet disseram usar IA generativa para discutir problemas pessoais , de acordo com um estudo citado pelo relatório.
"As crianças estão mais expostas aos sistemas de IA – incluindo como são projetados, seus modelos de negócios subjacentes e como seus próprios dados são usados – mas têm muito menos poder para evitá-los ou contestá-los. Elas sentem primeiro os efeitos da governança frágil e conviverão com as consequências por mais tempo. No entanto, a maioria das políticas de governança de IA não prioriza as crianças", avalia o Unicef, em nota.
E elas mesmas reconhecem os riscos: um terço relatou preocupação com o uso da IA para aplicar golpes, disseminar desinformação ou enganar pessoas, enquanto um quarto temia o uso indevido de sua imagem para gerar fotos e vídeos falsos. Estimativas recentes publicadas pela Unicef sugerem que a IA foi usada para criar imagens ou vídeos sexuais falsos de pelo menos 1,2 milhão de crianças em 11 países pesquisados, no período de um ano.
Embora a adoção da IA seja significativa entre as crianças do estudo, ela é desigual: ao comparar o uso de IA entre crianças de países de baixa renda pesquisados com os níveis de uso em países de renda mais alta, evidencia-se uma disparidade no acesso à IA. Somado à diferença no uso entre menores de idade e adultos, o estudo evidencia a demanda por programas de letramento digital e suporte voltados para a IA.
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