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Mesmo com a pandemia, número de cervejarias cresce 14,4%

Santa Catarina alcançou o posto inédito de estado com maior número de fábricas por habitante
A pandemia freou a curva de crescimento acentuada que o número vinha registrando nos últimos anos, mas, ainda assim, o mercado se manteve em expansão

O número de cervejarias está aumentando no Brasil. De acordo com o Anuário da Cerveja 2020 divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), existem 1.383 cervejarias registradas no Brasil. O número é 14,4% maior do que o registrado no ano anterior. Segundo o levantamento, só no ano passado foram registradas 204 novas cervejarias no país, enquanto 30 foram canceladas – o que dá um saldo positivo de 174 novas cervejarias no ano. Além disso, pela primeira vez, todos as unidades federativas têm, em seu território, pelo menos uma cervejaria, após ser aberta a primeira fábrica desse tipo de produto no Acre.

Entre os estados, São Paulo segue com o maior número absoluto: 285 cervejarias. Foram inauguradas 44 novas fábricas em 2020 na unidade da federação. Seguem a lista: Rio Grande do Sul (258, 22 a mais do que no ano passado), Minas Gerais (178, 15 a mais), Santa Catarina (175, 27 a mais) e Paraná (146, 15 a mais). O anuário do Mapa destaca também o crescimento percentual acentuado nos estados do Centro-Oeste e Nordeste, embora a concentração nas regiões Sul e Sudeste se mantenha na casa dos 85%. O número de municípios que contam com uma planta de produção cervejeira cresceu 5%, até o final de 2020, 609 cidades brasileiras continham pelo menos uma fábrica.

O número de municípios com cervejarias aumentou em 5%, chegando a 609 em 2020, informa o anuário que apresenta, também, um levantamento que calcula a densidade por habitantes. Pela primeira vez desde que os dados foram divulgados, Santa Catarina é o estado com maior número de cervejarias por habitante. O crescimento de 18% no número de fábricas colocou o estado na liderança, com uma cervejaria para cada 41.443 habitantes. O segundo lugar é ocupado pelo Rio Grande do Sul (44.275) e o terceiro pelo Paraná (78.882). Entre os 10 municípios com maior número de cervejarias por habitante, nove estão no Rio Grande do Sul. Os três primeiros são gaúchos: Santo Antônio da Palma (1062), Esperança do Sul (1443) e Dona Francisca (1500).

A ampliação do número de pequenos municípios que têm empresas ou locais onde vendem cervejas é explicada pelo atendimento a demandas locais e pela ocupação já saturada de espaços nos grandes centros urbanos. "Por isso, os novos estabelecimentos passam a se instalar em cidades menores, em regiões menos atendidas", explica o coordenador-geral de vinhos e bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller. O Mapa concedeu 8.459 novos registros de produtos para cerveja em 2020. O número, no entanto, representa uma queda de 15% na comparação com 2019. Segundo a pasta, é a primeira vez que isso ocorre. "Sabemos que muitos desses lançamentos de novos produtos foram impactados pela pandemia, pelas restrições de consumo e restrições econômicas de forma geral. Com um menor número de lançamentos, se faz um menor número de registros de produtos também", justifica Müller. Só em São Paulo, foram registrados 2.347 novos produtos voltados à cerveja em 2020. Em Santa Catarina foram 1.413 e em Minas Gerais, 1.233 produtos foram registrados.

Carlo Bressiani, fundador da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e especialista neste mercado, comenta que a pandemia freou a curva de crescimento acentuada que o número vinha registrando nos últimos anos, mas, ainda assim, o mercado se manteve em expansão. "A inovação deu o tom para as fábricas que seguem no mercado: muitas mudaram sua forma de distribuição, embalagens e atendimento. Isso foi essencial para que a cerveja artesanal se mantivesse como uma opção para os consumidores", comenta. O especialista diz ainda que o número reflete a atração de investidores que a ascensão do mercado provocou nos últimos anos. "O ciclo de implantação de uma fábrica de cervejas é longo. Acredito que muitas fábricas que inauguraram em 2020 são resultado de um planejamento iniciado no ano anterior, quando não se avistava a pandemia e os seus impactos. Sob essa perspectiva, 2021 deve trazer um crescimento menor", explica.

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Quarta, 05 Mai 2021

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