Hora de você investir na bolsa? 1 milhão de brasileiros estão lá

Carteira de ativos, Home Broker, Day Trade, cotação, volatilidade, esses são alguns termos que podem causar arrepio entre as pessoas que não fazem ideia do que é o mercado acionário ou, até mesmo, entre os iniciantes. A verdade é que essas palavras p...
Hora de você investir na bolsa? 1 milhão de brasileiros estão lá

Carteira de ativos, Home BrokerDay Trade, cotação, volatilidade, esses são alguns termos que podem causar arrepio entre as pessoas que não fazem ideia do que é o mercado acionário ou, até mesmo, entre os iniciantes. A verdade é que essas palavras passaram a fazer parte do dicionário de um número cada vez maior de pessoas físicas. Em abril, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) alcançou mais de 1 milhão de investidores pessoa física no mercado de renda variável. Além dos investimentos em produtos de bolsa, o Tesouro Direto também atingiu essa mesma marca. De acordo com Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes Brasil da B3, não se pode ignorar que há uma mudança em curso no mercado financeiro. “Mês a mês, vem crescendo, então é uma tendência de crescimento no número de pessoas físicas, também em outros produtos, não só em Bolsa”, relata. 

Em um país onde 58% da população não conhece e não utiliza produtos de investimento, o número é expressivo – ainda que muito distante das proporções globais. Nos Estados Unidos, metade dos investidores aplica em renda variável. Na Europa e na Ásia, a fração gira entre 20% e 30% da população, dependendo do país. “O patrimônio de um indivíduo é como uma pirâmide com diversas camadas. A inferior é a de proteção contra pobreza; as outras, para os diferentes objetivos. Para o brasileiro típico, a pirâmide toda é ocupada pela primeira camada. Aí ele está interessado em segurança, não em retorno. E passa longe da Bolsa”, explica William Eid Junior, coordenador do centro de estudos em finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Após quase uma década patinando nos 600 mil, a B3 pode comemorar o seu primeiro milhão de CPFs. O número só deslanchou após a queda da taxa básica de juros, a Selic, o que tornou menos atrativas as aplicações tradicionais de renda fixa, como a poupança e os fundos. “Sempre tivemos taxas de juros muito altas. Por muito tempo, o investidor deixava seu dinheiro em um CDB de banco ou poupança que, mesmo ruim, gerava alguma rentabilidade. Mas agora com a taxa de juros menor, historicamente a menor do Brasil, cada vez mais o brasileiro precisa aprender a investir de outras formas”, acredita Tito Gusmão, CEO da Warren Brasil. Por outro lado, as facilidades para fazer operações no mercado de valores também evoluíram. “Corretoras independentes quase que não existem mais, e as poucas que há, estão mais e mais se tornando plataformas de investimentos”, exemplifica o coordenador da FGV. A indústria de fundos de investimento também está avançando fortemente. O patrimônio líquido total deste segmento dobrou para mais de R$ 5 trilhões em quase dez anos. 

William Eid Junior, entretanto, alerta para a ilusão dos números. “Temos de discutir o que é um investidor ativo na B3. Será o CPF que tem ações das telefônicas ainda dos anos 1980 ou 1990? Ou será o CPF que efetivamente negocia? Eu acredito, mas não tenho dados para comprovar, que o número efetivo de pessoas que negociam é muito menor”, reflete. “Cerca de 22% das pessoas já têm conta aberta em corretora, mas apenas 7% colocam dinheiro aí. O que pode explicar essa discrepância é a falta de confiança para migrar para as ações”, aposta Gusmão, da Warren.

As dificuldades para educar o investidor, no entanto, não estão restritas a determinadas camadas sociais.  Prova disso é um estudo realizado por Eid Junior e Pedro Bono Milan que analisou a alocação de investimentos de 500 candidatos nas eleições de 2012 em todos os estados do Brasil, a partir dos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo com patrimônios que variam de R$ 17 mil até R$ 11 milhões, cerca de 70% dos investimentos deles eram em ativos tradicionais e de baixo risco, como imóveis e veículos. Apenas um valor ínfimo, em torno de 0.2% do patrimônio, eram ações. “Não é uma questão de renda, pois até pessoas com maior poder aquisitivo não têm investimentos. Há um problema cultural grande atrás disso tudo. Enfim, há todo um arcabouço institucional que nos leva a ter uma bolsa pequena em termos de investimentos”, conclui Eid Junior.

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Segunda, 22 Julho 2024

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