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Gramado, a cidade que nunca para, parou

O impacto do coronavírus é forte no município que é um dos cartões-postais da região Sul
Segundo o ranking do TripAdvisor, o município é o quinto destino tendência no mundo, mas, com o coronavírus fez a cidade parar e todos terão de repensar suas atividades (Foto: Leonid Streliaev/Especial AMANHÃ)

De Gramado (RS) 

Gramado, conhecida por suas belezas naturais e hospitalidade, tem no seu DNA o turismo, responsável por 85% do PIB local. Não é só Gramado que vive desta atividade econômica: é toda a Região das Hortênsias, que engloba também Canela, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula.

A Secretária de Turismo de Gramado revela que por ano circulam em torno de 6 milhões de pessoas. Para atender esta multidão, a cidade inovou, criou mais e melhores eventos, o setor privado organizou e melhorou a infraestrutura oferecendo uma diversidade de hotéis e uma farta rede gastronomia foi oferecida aos visitantes, aliados aos parques, formando um tripé perfeito para turistas.

Gramado é uma das cidades mais requisitadas: segundo o ranking do TripAdvisor, o município é o quinto destino tendência no mundo, mas, com o coronavírus fez a cidade parar e todos terão de repensar suas atividades.

Hotelaria
Mauro Salles, presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da região das Hortênsias (SindTur), aponta que Gramado atualmente conta com 193 empreendimentos hoteleiros, totalizando 18.258 leitos; além disto, tem os aluguéis de temporada, em torno de 8.267 leitos. Sobre as perdas, Salles assinala que é difícil estimar neste momento, porém, avalia que giram "em torno de R$ 180 milhões por mês".

Quanto ao quadro funcional, ele projeta que há em torno de 4,5 mil trabalhadores parados e algumas demissões já iniciaram: "Estamos trabalhando muito para que possamos segurar o emprego, mas é difícil, não acreditamos na retomada imediata mesmo que voltássemos ao trabalho hoje, e quando voltarmos não sabemos com que capacidade operacional iremos atender", antevê.

A diretoria e a equipe do Sindicato já haviam tomado decisões antecipadamente com ações coletivas: "Quando a MP do governo federal referente ao emprego foi publicada, praticamente todas as medidas desta MP nós já havíamos decidido fazer, pois já prevíamos um cenário complexo. Estamos cadastrando todos os funcionários do setor junto ao Ministério da Fazenda e no Senac para que façam os cursos de aperfeiçoamento, e outras diversas ações para ajudar a salvar os empregos e ajudar as empresas", conta Sales.

"O foco é trabalhar para salvar as empresas e os empregos e muitas ações foram tomadas e estão em execução para ajudar as empresas, junto às prefeituras, como postergar o pagamento dos impostos, liberação de documentos para que as empresas possam tomar empréstimos, ações juntos aos bancos locais para redução de taxas e melhores condições para pagar, assessoria jurídica, entre outros", reforça ele.

Salles argumenta que o grande xis da questão é o consumidor: "Quem manda na realidade não é o governador, o presidente ou prefeito e sim o consumidor, ele que vai determinar quando é a hora de abrir. Eu vejo que o consumidor primeiro vai cuidar da saúde e também depende do poder econômico dele. Talvez em junho, julho possamos ter este início com o feriado de Corpus Christi e Dia dos Namorados. Evidentemente gostaríamos de estar trabalhando antes, mas depende de uma série de cenários", justifica.

"Quem manda na realidade não é o governador, o presidente ou prefeito e sim o consumidor, ele que vai determinar quando é a hora de abrir. Eu vejo que o consumidor primeiro vai cuidar da saúde e também depende do poder econômico dele"

Mauro Salles, presidente do SindTur da região das Hortênsias

Gastronomia
Conhecida por seus tradicionais fondues e cafés coloniais, hoje Gramado tem em torno de 415 restaurantes, bares e similares. Felipe Andreis, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Região das Hortênsias (Abrasel Hortências), desabafa. "O prejuízo é incalculável e a retomada será gradual. Mesmo com o decreto do governo do estado que autoriza os restaurantes e bares abrirem, a maioria dos associados prefere não abrir agora, pois não adianta só os restaurantes abrirem se o turista não chegar", diz. O setor emprega na casa de 5 mil pessoas; dessas, Andreis acredita que 50% deverão ser demitidas e novas contratações deverão acontecer na retomada, mas muitos não terão o mesmo quadro funcional.

Muitos restaurantes optaram por tele-entrega, que é uma operação complexa e muitos não têm infraestrutura para fazer as encomendas; há também outros fatores, como a questão financeira pessoal, o hábito de consumir delivery e o fato das pessoas estarem com mais tempo para produzirem a sua própria refeição.

O mês de abril contava com feriados de Páscoa, Tiradentes e emendava o 1º de maio. "Este seria o nosso melhor mês e perdemos, não tem volta. O turista que não veio agora não vai compensar vindo várias vezes durante o ano. Com esta queda abrupta de movimento eu creio que 40% do setor vai quebrar, alguns restaurantes vão passar para outras mãos, mas tantos outros não, é uma triste realidade", afirma Andreis.

"Nossos maiores clientes são oriundos de São Paulo e Rio de Janeiro, e estas cidades foram muito afetadas, o que significa que vai impactar totalmente aqui, agora é a hora de estudar e planejar a retomada, que prevejo na casa de 30% de movimento e assim mesmo vai oscilar mês a mês, talvez no Natal Luz possamos operar normalmente, mas é um ano perdido", resume.

Eventos
"Dever cumprido": assim Iara Sartori, diretora de eventos da Gramadotur, autarquia responsável pelos principais eventos públicos da cidade, se sente em relação à Páscoa.Iara afirma que foi frustrante não ver a cidade lotada para celebrar a data, porém, por outro lado, os moradores, mesmo que isolados puderam contemplar a cenografia, seja por vídeo e fotos ou nas raras vezes que saíram.

Os eventos do segundo semestre estão todos confirmados e vários deles terão readequação. O Festival de Cinema segue na mesma data, de 14 a 22 de agosto. O Festival de Gastronomia segue crescente: neste ano o país homenageado será a Itália e desde o ano passado, quando foi lançado, praticamente todas as ações já estavam previstas e organizadas; o mesmo acontecerá de 4 a 20 de setembro. Iara antecipa uma novidade: "Como não tivemos a Festa da Colônia as agroindústrias ganharam um espaço dentro do evento, sendo assim uma oportunidade de alavancar um pouco as vendas perdidas pelo cancelamento".

O Natal Luz, o evento mais importante para a cidade, vai acontecer com algumas alterações. Uma delas é a data, que está sendo estudada: ou de 17 de outubro até 17 de janeiro de 2021, ou de 22 de outubro a 24 de janeiro de 2021. Iara confirma que o evento vai acontecer. "Inclusive estamos fazendo ajustes para melhorar ainda mais o que foi apresentado ano passado. Estamos trabalhando à distância, mas não paramos, pois sabemos que os eventos são carros-chefes para atrair o turista e em especial este ano vamos encantar ainda mais", finaliza.

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Comentários: 1

Debora Adriana Foesch em Quinta, 23 Abril 2020 18:44

Ótima reportagem. Mas quero acrescentar que a região que vIve e sobrevive de Gramado e Canela vai muito além. Dessa citadas, moramos em Igrejinha e vendemos vendos nossos produtos em Gramado. Cidades como Três Coroas, Taquara, Parobé, Sapiranga, Igrejinha e até Novo Hamburgo dependem muito de Gramado, Canela e Nova Petrópolis. Também. Tem.ainda muitas outras que beneficiam o couro e dependem.do.turismo, além da minha família.

Ótima reportagem. Mas quero acrescentar que a região que vIve e sobrevive de Gramado e Canela vai muito além. Dessa citadas, moramos em Igrejinha e vendemos vendos nossos produtos em Gramado. Cidades como Três Coroas, Taquara, Parobé, Sapiranga, Igrejinha e até Novo Hamburgo dependem muito de Gramado, Canela e Nova Petrópolis. Também. Tem.ainda muitas outras que beneficiam o couro e dependem.do.turismo, além da minha família.
Visitante
Quarta, 05 Agosto 2020

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