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Fiergs crê em recuperação intensa

A melhora do mercado interno em 2020 é a principal aposta da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) para sustentar uma alta de 1,8% na economia gaúcha. O crescimento previsto acompanha as estimativas de um PIB com aumento de 2% no ano...
Fiergs crê em recuperação intensa

A melhora do mercado interno em 2020 é a principal aposta da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) para sustentar uma alta de 1,8% na economia gaúcha. O crescimento previsto acompanha as estimativas de um PIB com aumento de 2% no ano que vem. Mesmo com uma taxa de câmbio mais favorável ao exportador, a retração na demanda externa tem afetado as vendas brasileiras para fora. Diante disso, a expectativa é que a retomada da confiança do consumidor ajuda nesse reaquecimento no mercado doméstico. As projeções foram divulgadas nesta terça-feira (3) pela instituição, em Porto Alegre. 

O principal parâmetro para essa avaliação é o comportamento da indústria da construção gaúcha, que apresentou seu primeiro sinal de recuperação. No segundo trimestre desse ano, o segmento saiu do vermelho após 60 meses seguidos de quedas.  Ainda assim, o PIB do setor está 22,9% abaixo do pico atingido em 2010. “É um parâmetro importante, porque a indústria da construção emprega muita gente e insumos. Desde o aço da construção até os móveis para mobiliar a casa depois”, explica Gilberto Petry (na foto, à esquerda), presidente da federação. A melhora da confiança dos consumidores, o aumento da oferta de empregos e as taxas de juros e inflação baixas podem dar um impulso para esses resultados. 

Por outro lado, 2019 deve encerrar consideravelmente abaixo do que a entidade projetava no ano passado. Com a retração da demanda externa, especialmente por conta da crise argentina, e as incertezas em relação à aprovação das reformas, o Brasil encerra o ano com crescimento de apenas 1,1%. A previsão da Fiergs era que o PIB cresceria 2,8% em 2019, variando de 1,6%, no pior cenário, a 3,6%, no melhor. “Em crises anteriores, existia espaço fiscal para promover medidas de estimulo que ajudavam numa recuperação mais rápida. Com a crise fiscal, o Estado não consegue mais dar esse suporte keynesiano”, explica André Nunes de Nunes (na foto, à direita), economista-chefe da Fiergs. Hoje, a dívida pública está perto de ultrapassar 80% valor de toda a riqueza gerada pelo país em um ano. 

Enquanto o desempenho da indústria brasileira foi afetado pelo desastre de Brumadinho (MG), o Rio Grande do Sul se sobressaiu no primeiro semestre com forte alta puxada pela elevada produtividade da colheita de grãos e o desempenho na indústria de transformação. Mesmo completando o terceiro ano consecutivo de crescimento, as economias ainda operam muito abaixo do período pré-crise. “A Reforma da Previdência, a Lei de Liberdade Econômica e o Programa Mais Brasil vão favorecer o crescimento, mas o impacto não é imediato. Precisamos ver que estamos passando por uma mudança na forma de se desenvolver”, defende o economista. A federação vê com bons olhos as privatizações previstas, bem como as novas rodadas de concessões, mas alerta: não se pode utilizar essa arrecadação somente para o pagamento de dívidas, sem destinar significativa parte em investimentos para fazer a economia andar. “Olha-se para o que será feito com o dinheiro das vendas, mas também devemos olhar para os investimentos que quem comprar as companhias fará, quanto isso vai injetar de dinheiro no estado”, alerta Nunes de Nunes. 

Outro desafio apontado pela federação é a necessidade de elevar a produtividade da mão de obra e a competitividade das indústrias. “Não é possível crescer se não resolver esses problemas. Vai ser como um voo de galinha. A maior crise que temos é da educação, da baixa produtividade dos trabalhadores”, acredita Nunes de Nunes. Atualmente, o país tem 12,5 milhões de desempregados, além de outras 27,5 milhões de pessoas subtilizadas e outras 41,4 milhões na informalidade.  

Quanto ao cenário exterior, a possibilidade de Trump taxar o aço brasileiro é vista com incertezas por parte do gestor da Fiergs. Para Petry, esse ônus terá impactos no setor produtivo brasileiro, mas ainda não se sabe se haverá de fato uma taxação e como se dará. “Como ele vai fazer e se vai fazer não está definido. Porém, há produtores de aço em todo o mundo. É diferente [comercialização] da soja, onde os países importadores dependem de alguns poucos países que produzem. Temos de esperar para ver o que vai acontecer”, afirma. Já a taxa de câmbio pode ser vista com bons olhos num cenário de médio e longo prazos, visto que o ônus inicial tende a se dissipar. “No curto prazo, o impacto é ruim, porque as vendas para o exterior já estão negociadas a um valor, mas a compra de insumos é mais suscetível agora. O problema é a volatilidade, pois atrapalha o planejamento das empresas”, justifica Nunes de Nunes.  

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Segunda, 03 Agosto 2020

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