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Os quatro investimentos que sobrevivem ao Apocalipse

Especialista revela onde estão os menores riscos de mercado

Por mais que passemos anos falando de investimentos de baixo risco e reservas de valor, quando o mercado está em alta, ninguém dá importância para o assunto. Entretanto, é em momentos como esse pelo qual estamos passando que muita gente acorda para o nível de risco que tinha em carteira e não havia se dado conta. Isso tem acontecido tanto com pequenos investidores quanto com os grandes gestores do Brasil e do mundo.

Já que a dor ensina mais do que os livros, acredito que valha a pena lembrar dos ativos que sobrevivem ao Apocalipse, dos portos seguros de última instância, dos investimentos que se valorizam nas crises e daquela parte da carteira que pode passar muito tempo sem render muito, mas que nos salva em momentos como esse. No Brasil, a escolha óbvia se dá para o Tesouro Selic ou para fundos de investimento DI sem taxa de administração e resgate D+0 ou D+1. Como gosto de sair do óbvio, vou enumerar o que considero as melhores reservas de emergência - ou os quatro investimentos que se valorizam nas crises.

Dólar dos Estados Unidos
O dólar apresentou forte valorização nas crises de 2008 e 2015, e não está sendo diferente agora. Já está com 26,9% de alta em 2020. A melhor maneira de guardar dólar é ter uma conta bancária no exterior. Não só pelo fato de ser mais seguro, como também pelo fato da liquidez, já que pode ser usado em qualquer lugar do mundo por meio de um cartão de débito ou crédito. A segunda opção, ter papel moeda, também é válida - por outro lado, é mais difícil usar no Brasil e ainda corre o risco de dano ou roubo. A terceira opção, ter fundo cambial no Brasil, é interessante, mas possui dois problemas: taxa de administração e imposto de renda sobre o rendimento. De qualquer forma, exposição a dólar continua sendo importante.

Treasuries
Os treasuries são os títulos de dívida do governo dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo. É por isso que governos de todo o mundo guardam a sua reserva de emergência em treasuries do governo americano. Numa situação de crise, quando mais se precisa de dinheiro, são os investimentos mais líquidos e que mais se valorizam na moeda mais forte. Em janeiro de 2020, os cinco países que mais detinham treasuries eram Japão (US$ 1,211 trilhão), China (US$ 1,078 trilhão), Reino Unido (US$ 372 bilhões), Brasil (US$ 283 bilhões) e Irlanda (US$ 271 bilhões).

Ouro
Os detratores do ouro podem espernear à vontade. Na hora em que a situação aperta, o mundo corre para o metal precioso. Somente neste ano o ouro valorizou 30%.

Iene
Frente ao Real, em 2020, teve 27,8% de alta no ano. A verdade é que a valorização do iene nas crises não é fruto da força de sua economia, mas da riqueza do seu povo. Décadas como um dos maiores exportadores do mundo e com empresas japonesas se instalando em todos os continentes fizeram o país acumular muita riqueza. Hoje, o Japão possui mais de US$ 2,8 trilhões em Net International Investment Position (NIIP), a diferença entre os ativos e passivos externos. Em momentos de crise, a tendência é que investimentos em outros países, como mercados emergentes, incluindo o Brasil, retornem "para casa". Assim, investidores japoneses tendem a tirar o dinheiro de outros países e levá-lo para o Japão quando o cenário econômico mundial é incerto.

Outra questão é que a moeda japonesa também é muito usada para Carry Trade. Dadas as baixíssimas taxas de juros praticadas no país, muitos investidores do mundo pegam empréstimo em Iene e aplicam em moedas de outros países onde o juro é maior. Em momentos de estresse, esses investimentos tendem a ser desfeitos, fortalecendo o Iene.

O fato é que, dentro de uma carteira diversificada, essas são as opções que irão lhe trazer calma e liquidez nos piores momentos do mercado. Na crise de 2020, todos eles estão cumprindo muito bem o seu papel. Quem pratica o rebalanceamento periódico da carteira em algum momento começará a vender os investimentos que valorizam nas crises e comprará as ações ou títulos que mais estão sofrendo. É uma receita simples e de muito sucesso, mas que, geralmente, só é lembrada quando já é tarde demais.

*Especialista em investimentos no exterior

Acesse aqui o artigo original, publicado no site do autor

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Quarta, 30 Setembro 2020

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