Coamo, 55 anos: trabalho com essência cooperativista
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
O que era um pequeno grupo de agricultores de uma região pouco lembrada do Brasil se converteu em uma das maiores potências empresariais do País. Final da década de 1960. Fim do ciclo da madeira na região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Uma região que não contava com tecnologias agrícolas e contabilizava na época apenas cinco tratores. O cenário agrícola registrava algumas lavouras manuais de arroz, milho e algodão, e enfrentava um grande problema: as terras eram ácidas (impróprias para o plantio), fracas e desvalorizadas. A região era conhecida como a terra dos " 3S – sapé, samambaia e saúva".
Esta era a realidade da agricultura na região, período em que marcou o início da história da fundação da Coamo. Uma cooperativa que teve sua constituição consolidada em 28 de novembro de 1970, com a união de 79 agricultores que enfrentavam os mesmos problemas da época e buscavam soluções para que pudessem mudar a realidade.
Os esforços da Coamo, liderada há meio século por José Aroldo Gallassini, o engenheiro agrônomo que a idealizou – primeiro gerente geral e presidente eleito pelos cooperados a partir de 1975 e reeleito a cada quatro anos aos dias atuais- trouxe para Campo Mourão e para todas as regiões às quais chegou ao longo das décadas, técnicas apropriadas de manejo da terra e tecnologias avançadas para a lavoura, além de boas práticas administrativas, visão estratégica e respeito à natureza.
Não é à toa que, em pouco mais de 55 anos, o que era uma pequena associação de agricultores de uma região pouco lembrada do Brasil se converteu em uma das maiores potências empresariais do País, reunindo mais de 32 mil cooperados integrados em 80 regiões produtoras nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Assim, o agricultor associado, devidamente amparado e assessorado, e encontrando na coletividade cooperativista a força necessária, é capaz de levar seus sonhos adiante. Em novembro de 1969, em uma reunião com lideranças da região, tomou-se a decisão de estabelecer uma cooperativa que proporcionasse aos seus associados melhores condições de produção e comercialização. O então prefeito da cidade, Horácio Amaral, ofereceu apoio, prometendo que, constituída a cooperativa, cederia a ela um terreno para que começassem suas atividades.
Seria necessário escolher alguém que presidisse a cooperativa. A pessoa mais indicada para o cargo era o madeireiro e agricultor Fioravante João Ferri, que aceitou a missão, convidando Aroldo Gallassini para ser o gerente geral. Depois de realizada a assembleia que constituiu a Coamo, foi necessário cumprir diversas tarefas burocráticas de formalização, como o procedimento de registro. Em agosto de 1971, Aroldo Gallassini se desligou da Acarpa para assumir a função de gerente geral. Com essas etapas concluídas, a cooperativa passou a funcionar efetivamente.
Operando em um pequeno espaço alugado e com equipamentos – como máquinas de escrever e calcular – emprestados ou cedidos por associados, a Coamo locou armazéns para receber a safra de trigo daquele ano. A colheita foi boa e o espaço arrendado mostrou-se insuficiente. Em novembro daquele mesmo ano, os cooperados autorizaram contratar financiamento para a construção do seu primeiro armazém próprio.
Recebimento e comercialização
A Coamo é responsável pelo recebimento e comercialização de 16% da produção paranaense e 2,7% de toda a safra de grãos e fibras produzidas no Brasil. Isso demonstra a importância estratégica da Coamo na produção de alimentos em âmbito nacional e internacional. Em 2025, a cooperativa recebeu mais de 9,6 milhões de toneladas.
Para estar o mais perto possível dos cooperados e facilitar a atividade do quadro social a cooperativa conta com 124 unidades localizadas em 80 municípios nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, para recebimento da produção agrícola dos mais de 32 mil associados. A soja é o principal produto recebido, seguida pelo milho, trigo, café e outros. A extensão territorial da Coamo é de 4 milhões de hectares e sua capacidade global de armazenagem é de 6 milhões de toneladas.
A Coamo desenvolve um modelo industrial integrado que transforma a produção dos cooperados, amplia mercados, fortalece a competitividade e sustenta novos ciclos de crescimento com investimentos permanentes. "Com esse desenvolvimento, a Coamo consolidou uma estrutura industrial integrada ao campo, fortalecendo a parceria com os associados e ampliando o valor agregado à produção ao longo de cinco décadas de agroindustrialização", diz o presidente do Conselho de Administração, José Aroldo Gallassini.
Os produtos alimentícios da Coamo estão presentes em todos os estados brasileiros, com maior destaque nas regiões Sul e Sudeste, além de serem exportados para diversos países. "Com mais de 32,5 mil cooperados distribuídos no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a Coamo estruturou um sistema que combina produção rural, processamento industrial e comercialização. O modelo envolve unidades de óleo, trigo, margarinas, café, rações e o envio de parte da produção ao mercado externo."
Com mais de 400 profissionais, entre engenheiros agrônomos e florestais, técnicos em agropecuária e médico-veterinários, a Coamo tem a missão de gerar renda aos cooperados com desenvolvimento sustentável do agronegócio e a visão de ser a melhor opção de desenvolvimento. Por isso, a Coamo tem uma política de desenvolvimento, visando a capacitação, atualização e o aprimoramento dos profissionais nos mais diversos temas e tecnologias da agricultura.
Safra a safra ou para o desempenho da atividade agropecuária, os cooperados Coamo têm sempre perto de suas propriedades a presença da cooperativa com uma excelente infraestrutura e o apoio para fornecimento dos melhores produtos e condições com insumos e produtos de alta tecnologia. Eles contam com Planos de Fornecimentos de Insumos de qualidade comprovada. A área de bens de fornecimentos da Coamo abrange produtos veterinários, insumos, peças e máquinas agrícolas. Um pacote completo para o homem do campo, exercer sua profissão com tranquilidade e segurança.
Fazenda Experimental, um laboratório a céu aberto
Os cooperados da Coamo sempre buscaram por mais conhecimento e aprimoramento. Evolução que pode ser medida por meio de uma série de práticas que resultam em boas colheitas, amparada por um trabalho voltado para o quadro social, alicerçado na pesquisa de qualidade e na difusão de tecnologias que vem propiciando benefícios para os cooperados. A Fazenda Experimental Coamo comemorou em 2025 seus 50 anos de existência. Possui uma área de 190 hectares, anexa ao parque industrial da cooperativa, em Campo Mourão. Surgiu da necessidade de facilitar a vida dos cooperados, com a realização de testes, ensaios e experimentos sobre novas técnicas de plantio, variedades, conservação de solos e de combate às doenças e pragas. São mais de 230 experimentos e por meio dos Encontros de Cooperados de verão e de inverno há a disseminação das tecnologias validadas na Fazenda.
Credicoamo - No final da década de 1980, os associados da Coamo começaram a perceber que os recursos para financiamentos das lavouras estavam difíceis e insuficientes. Os valores eram depositados em bancos, mas nem sempre retornavam em forma de financiamento de custeio e de investimentos agrícolas. Então, eles se uniram e pensaram em uma solução, que foi fundar uma cooperativa do crédito, a Credicoamo, a cooperativa de crédito rural dos associados da Coamo, fundada em 17 de novembro de 1989 por 29 agricultores, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. Um benefício que os cooperados da Coamo têm. Afinal de contas, trata-se da maior cooperativa de crédito singular do Brasil.
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