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De smartphones a panelas elétricas de arroz: quem tem medo da Xiaomi?

Gigante chinesa passou a Apple no ranking global de smartphones e construiu rede de startups para explorar novos mercados
“Todo mundo tem uma vida melhor com a inovação. E é isso que a gente busca com os nossos produtos”, ressaltou Xiang Wang na Web Summit

Para muitas companhias chinesas, agir com discrição e sigilo é uma regra. Por isso, são raras as oportunidades como a coletiva de imprensa que o presidente da Xiaomi, Xiang Wang, concedeu durante o último dia da Web Summit 2020. A exceção talvez tenha ocorrido porque a gigante asiática tem muito a comemorar neste fim de ano: pela primeira vez, ela alcançou o terceiro lugar de vendas globais de smartphones em um trimestre, superando a Apple.

O topo do ranking demonstra o domínio oriental do mercado: a líder absoluta Samsung, da Coreia do Sul, é seguida pela também chinesa Huawei. Há motivos para temer essa supremacia? O sorridente executivo da Xiaomi demonstra o contrário: ao longo da entrevista, ele mencionou parcerias com as norte-americanas Google e Microsoft e abertura ao diálogo com o ocidente.

"Todo mundo tem uma vida melhor com a inovação. E é isso que a gente busca com os nossos produtos", ressaltou. Aliás, a abrangência do portfólio vai muito além do mercado de smartphones. A empresa tem uma gama de produtos gigantesca, desenvolvida em parceria com startups de diversos países. O próprio Wang disse ser usuário de muitos deles. O preferido? Uma panela elétrica de arroz. "Ela avalia a umidade do local e lê receitas que ficam na nuvem", contou.

A Xiaomi mantém a produção de seu core business: smartphones, smart TVs, tablets, entre outros itens. Todo o resto é desenvolvido por um ecossistema de 300 companhias. "Somos hoje uma das maiores incubadoras de projetos na China, mas não estamos só ali. Temos projetos em Singapura e diversos países europeus", disse. Após a definição do produto, cabe à gigante chinesa a parte de design industrial e, em alguns casos, a gestão de suprimentos.

Críticas à privacidade de usuários
Wang não se furtou a responder perguntas com teor mais crítico. Mas foi sucinto. Quando questionado se era verdade que a empresa fornecia dados de usuários, negou: "Nós não fazemos isso, no meu ponto de vista". Mencionou ainda o General Data Protection Regulation (que pode ser traduzido como "Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados"), normativa europeia sobre o tema, afirmando que eles seguem "regras semelhantes".

Uma possível incursão na indústria automotiva foi mencionada. Mas, por enquanto, nada de carros elétricos para competir com a Tesla: a chinesa está focada em scooters para países da Europa. Aliás, o mercado ocidental parece ainda restrito ao Velho Continente para a Xiaomi. Além de não mencionar países latino-americanos, Wang não falou sobre os consumidores dos Estados Unidos — que recebem apenas uma pequena seleção de acessórios da companhia. Os smartphones ainda não chegaram lá, e isso não parece estar nos planos chineses.

Para o futuro, a Xiaomi parece ter uma definição clara: seguir buscando inovações, sejam quais forem os setores. E a chave para isso não é contratar engenheiros — mas, sim, estimular o ecossistema tecnológico ao seu entorno. Se alguém ainda tem medo da competição chinesa, a melhor forma de enfrentá-la é aprender com os seus acertos.

*O Grupo AMANHÃ está presente em mais uma edição da Web Summit. A curadoria da cobertura tem a assinatura da BriviaDez com geração de conteúdo da Critério — Resultado em Opinião Pública.

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Segunda, 17 Mai 2021

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