CEOs de serviços financeiros afirmam que a inovação é um componente crítico para os negócios

Essa é uma das conclusões do recorte setorial da 29ª Global CEO Survey da PwC
"Observamos que a preocupação com os riscos tecnológicos está acima de outros riscos, como o de fatores macroeconômicos, por exemplo", destaca Lindomar Schmoller, sócio e líder para o setor de serviços financeiros da PwC Brasil

Empresas de serviços financeiros são pioneiras nos processos de inovação de negócios no Brasil. Hoje, 58% dos CEOs destas companhias admitem que incorporaram a inovação como um componente essencial da estratégia de negócios, um percentual superior à média global para o setor (47%) e também à média geral brasileira (56%) e global (50%). Os dados estão no recorte setorial da 29ª Global CEO Survey da PwC, estudo que ouviu mais de 4.400 líderes empresariais em 95 países, incluindo o Brasil. Quando o tema é inovação, as companhias de serviços financeiros se destacam, principalmente, em termos de colaboração e experimentação: 39% colaboram com parceiros externos para acelerar a inovação e 35% testam rapidamente novas ideias com clientes, percentuais superiores aos observados em todos os recortes analisados.

Neste contexto, o cuidado com os riscos cibernéticos também está acima da média na comparação com demais setores. Para 45% dos líderes brasileiros, os seus negócios estão altamente expostos a ameaças tecnológicas, um patamar que também chama a atenção por estar acima da média para o setor financeiro globalmente (31%) e da média de todos os setores no Brasil (25%). Isso indica que, apesar da ambição, a inovação ainda encontra limites na gestão de riscos e na institucionalização de capacidades de longo prazo. "Observamos que a preocupação com os riscos tecnológicos está acima de outros riscos, como o de fatores macroeconômicos, por exemplo. Isso demonstra a importância de ações preventivas e preditivas e de monitoramento constante entre as companhias desta indústria", alerta o sócio e líder para o setor de serviços financeiros da PwC Brasil, Lindomar Schmoller.

Inteligência Artificial
Neste contexto, a adoção da Inteligência Artificial (IA) pode ser uma aliada tanto na prevenção de riscos como em outras frentes para o setor. No Brasil, 34% dos CEOs de serviços financeiros já associam algum aumento de receita atribuído ao uso de IA e nenhum relata queda. Em relação aos custos, 28% apontam redução associada a ganhos de eficiência, enquanto metade (50%) mantém os custos estáveis. Valores significativamente maiores quando comparados com os 12% no mundo que registraram economia de custos e aumento de receita com IA no último ano.

Quando o assunto é o impacto da IA sobre os empregos, o contexto é outro: 48% dos CEOs de instituições financeiras no Brasil dizem que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos, em comparação com 60% na média geral de todas as indústrias no país. Por outro lado, 39% acreditam que terão necessidade de contratar mais, um índice superior à média geral do país (28%). Para cargos de nível médio e sênior, os CEOs esperam um impacto menor na redução de pessoal.

A 29ª CEO Survey também revela que os CEOs buscam oportunidades em novos setores e ampliam o foco na reinvenção dos seus negócios. No Brasil, 42% dos executivos do mercado financeiro afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos (48% na média setorial global), acompanhando a reconfiguração da economia global. "Já observamos esta movimentação do mercado há alguns anos e acreditamos que além da expansão setorial, vamos observar também a expansão territorial do setor neste ano. Daí a importância de observarmos o interesse dos líderes brasileiros em investimentos no exterior", observa Lindomar Schmoller. O sócio destaca que 34% dos CEOs do setor demonstraram interesse em investir nos Estados Unidos em 2026, país que concentrará o maior volume de investimentos do capital nacional do setor no ano. No entanto, o estudo revela, também, uma concentração das atenções desses líderes em necessidades imediatas: os CEOs do setor no Brasil dedicam 55% do seu tempo a temas com horizonte inferior a um ano, percentual levemente superior à média global do setor (52%). Apenas 11% do tempo é destinado a questões de longo prazo (cinco anos ou mais), abaixo da média global do setor (13%).

Confiança na economia
O otimismo dos líderes do setor no Brasil quanto à economia global recuou em comparação ao ano anterior. Para os próximos 12 meses, 55% projetam aceleração, abaixo dos 65% registrados na edição passada. Já quando o foco é o crescimento do próprio país, a confiança é maior e estável: 68% dos CEOs esperam aceleração da economia local em 2026, patamar acima da média dos CEOs brasileiros de todos os setores (60%). Entretanto, houve um ajuste nas expectativas de curto prazo para as próprias empresas. A perspectiva de crescimento de receita nos próximos 12 meses diminuiu de 62% (no ano anterior) para 48%, embora esse número permaneça acima da média brasileira de todos os setores (38%) e alinhado à média global do setor financeiro (42%).

"A confiança dos stakeholders é um ativo estratégico e mensurável, com impacto direto no valor. Antecipar vulnerabilidades e tratar o tema de forma estruturada no conselho, abrangendo a confiança em três dimensões – operacional, na prestação de contas e digital – permite reduzir riscos e fortalecer a resiliência do negócio. Programas robustos de IA responsável, por exemplo, contribuem para mitigar incidentes e acelerar a recuperação quando falhas ocorrem", ressalta Schmoller.

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Quinta, 29 Janeiro 2026

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