Sul pode se tornar referência na produção de grafeno

UCS passa a contar com a primeira e maior planta em escala industrial da América Latina
O Brasil tem a segunda maior reserva mundial da grafita, matéria-prima do grafeno, e é atualmente o terceiro maior fornecedor mundial do produto

Desde a última sexta-feira (9) a região Sul passa a contar com UCSGraphene, a primeira e maior planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina sediada em Caxias do Sul (RS). Vinculada à Universidade de Caxias do Sul, a fábrica entrou em operação em março de 2020 em caráter provisório. A solenidade contou com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele estava acompanhado pelos ministros Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia e Inovações, e Milton Ribeiro, da Educação.

A unidade atua na prestação de serviços tecnológicos inovadores voltados a produção, caracterização e aplicação de grafeno e seus derivados. A planta da UCSGaphene é resultado de 17 anos de pesquisas avançadas na área de nanomaterais. Por sua experiência em atuar em projetos de inovação com a indústria, o grupo de pesquisa da UCS passou a integrar a Rede MCTI/EMBRAPII de Inovação em Grafeno e a ter disponível recursos não reembolsáveis para desenvolver novas aplicações industriais para o grafeno em parceria com empresas nacionais.

O grafeno é um nanomaterial com estrutura hexagonal de átomos de carbono, considerado um dos materiais mais fortes e leves do mundo, tido como 200 vezes mais resistente que o aço, que é o material mais fino que existe, entre outras propriedades. Possui alta resistência mecânica, maleabilidade a alta condutividade térmica e elétrica. A combinação única de propriedades superlativas do grafeno, o torna uma plataforma tecnológica que impacta dezenas de setores industriais. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial da grafita, matéria-prima do grafeno, e é atualmente o terceiro maior fornecedor mundial do produto. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações estima que, nos próximos cinco anos, o grafeno deve movimentar mais de US$ 3 bilhões.

De hoje até sexta-feira (16) ocorre a primeira edição da Feira Brasileira do Grafeno, promovida pela UCS. O evento conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e de empresas privadas. O CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, presente na abertura da feira, prevê que a utilização do grafeno na produção de armas de fogo será uma revolução neste mercado e as pesquisas estão bastante avançadas, com testes já sendo realizados e apresentando bons resultados. "O desenvolvimento de aplicações de grafeno nas armas de fogo será um divisor, um fato muito relevante para o mercado mundial de armas curtas", afirmou. A empresa oficializou recentemente um convênio inédito com a UCS para realizar pesquisa e desenvolvimento de armamentos com o material, através da UCSGRAPHENE.

A Taurus e os pesquisadores estão trabalhando em três cenários possíveis de aplicação do grafeno: nos revestimentos de peças utilizadas nas armas de fogo em substituição ao tratamento superficial, proporcionando menor desgaste, maior proteção contra corrosão e dissipação de calor mais rápida (necessária por conta do disparo da munição); nos equipamentos que produzem as peças, com a tecnologia Metal Injection Molding utilizada na fábrica da Taurus, que proporcionará um desgaste menor nos moldes e utilização de máquinas menores, com redução de custos e de investimentos para a empresa; e na mistura do grafeno com o polímero que traz vantagens como a diminuição de peso, aumento da resistência mecânica e da resiliência do material (com maior flexibilidade e, consequentemente, menor deformação).

A Gerdau lançou em meados de abril uma nova empresa, batizada de Gerdau Graphene, focada no desenvolvimento e comercialização de produtos com a aplicação de grafeno. Com seu escritório principal em São Paulo e uma filial nos Estados Unidos, a Empresa prevê oferecer mais tecnologia para os setores da construção civil, lubrificantes industriais e automotivos, borracha, termoplásticos, tintas e sensores, no Brasil e em países da América do Norte. A nova companhia faz parte do portfólio de empresas da Gerdau Next, divisão de novos negócios da Gerdau lançada no segundo semestre de 2020, que tem o objetivo de empreender em novos segmentos, além do aço, com participação relevante nas receitas da Gerdau.

"Já trabalhávamos com o grafeno em Manchester, na Inglaterra, desde o ano 2019. O grafeno é o material mais forte já encontrado, um dos melhores condutores que existem, com inúmeras aplicações potenciais. Com parcerias estratégicas já estabelecidas neste novo negócio, estamos confiantes de que a Gerdau Graphene será um player relevante nas Américas", diz Juliano Prado, vice-presidente da Gerdau. Nessa primeira etapa, a Gerdau Graphene focará nos mercados da construção civil, lubrificantes industriais e automotivos, borracha, termoplásticos, tintas, baterias e sensores nas Américas.

Uso na saúde
Projeto que busca desenvolver nanocompósitos poliméricos contendo grafeno para aplicação em tratamento cutâneo e medicina regenerativa, desenvolvido na UCS, recebeu verba da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no valor de R$ 1,8 milhão. A assinatura do convênio entre a UCS e a Finep foi realizada durante a inauguração da feira pelo presidente da Finep, general Waldemar Barroso Magno Neto, e pelo reitor da UCS, Evaldo Antonio Kuiava. O recurso será usado no desenvolvimento de curativos para tratamento cutâneo e medicina regenerativa que utilizam o grafeno e/ou seus derivados, bem como na confecção de materiais de prototipagem 3D e de restauração e regeneração na área da odontologia. Com o estudo será possível determinar quais são as atividades biológicas antimicrobiana, antiviral, anti-inflamatória, antioxidante, citotóxica e genotóxica existentes no grafeno e em seus nanocompósitos poliméricos.

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Terça, 28 Setembro 2021

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