Eventos climáticos extremos impactaram 88% dos domicílios gaúchos
Durante os desastres climáticos de 2024, 6,3 milhões de moradores foram afetados e 14,6% das pessoas mudaram de endereço após os desastres. Os dados da Pesquisa sobre as Enchentes no RS (PEERS) foram divulgados nesta quarta-feira (01), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante evento em Brasília. A coleta foi realizada por telefone entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026. Ao todo, 133 municípios integraram a pesquisa.
Entre a população que mudou de endereço após as fortes chuvas, 37,9% foram motivadas pelo desastre climático. A pesquisa também revela que 88% dos domicílios apresentaram ocorrências causadas pelo desastre climático. Os maiores incidentes foram a interrupção do fornecimento de água e luz, ambas com 66,3%. O percentual de moradores que avalia que seus domicílios sofreram algum tipo de dano na estrutura após as chuvas foi de 55,5%.
A operação, experimental e inédita, teve como objetivo produzir informações obtidas nos domicílios sobre os impactos provocados pelo evento climático extremo ocorrido. Além de investigar as características socioeconômicas dos moradores atingidos, a pesquisa avançou na compreensão dos danos sofridos e dos graus de gravidade vivenciados. A pesquisa pioneira foi inspirada em referências internacionais, como a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial, incluindo experiências com o furacão Katrina.
Luís Eduardo Azevedo, do IBGE-RS, enfatizou a importância da perspectiva das pessoas afetadas. "Os dados mostram o quão importante é os estados e municípios estarem preparados. Saber o que fazer em um momento como esse é fundamental, por é o que faz toda a diferença. Um ou dois dias de espera, por não saber o que fazer, faz toda a diferença na vida das pessoas", declarou.
Domicílios nas áreas mais afetadas chegaram a 2,3 milhões
O total de domicílios nas áreas mais afetadas pelas enchentes foi estimado em 2.328.093. A avaliação dos moradores sobre as condições da estrutura física dos domicílios após as inundações, é que 3,5% estavam "destruídos" e 8,2% "muito danificados" evidenciando que essas condições de máxima precariedade foram atribuídas a 11,7% dos domicílios.
Já o total de moradores afetados na área da pesquisa foi estimado em 6.333.727. Dentre esses, 24,9% residiam em domicílios em que as condições gerais de vida no momento da coleta eram piores do que as vivenciadas no mês anterior às enchentes, superando o percentual daqueles que moravam em domicílios em que foram avaliadas melhorias (17,3%). A avaliação de que a qualidade de vida permaneceu a mesma foi a percepção correspondente à maioria dos moradores (56,5%). Ao considerar a renda domiciliar mensal dos moradores na época das enchentes, 66,8% estavam concentrados na classe de rendimento de até R$ 5 mil.
População de baixa renda foi mais afetada
O percentual do total de moradores dos domicílios para os quais foi relatada a existência de danos na estrutura ficou em 55,5%. Entre aqueles em que não houve relato de estrago estrutural, essa parcela foi de 16,9%.
A existência de impactos causados pelas enchentes no bairro e ruas próximas foi informada por 68,7% do total estimado de domicílios. Os domicílios com rendimento de até R$ 3 mil correspondiam a 45,4% daquelas moradias em que houve impacto das enchentes em suas proximidades, percentual similar ao do total de moradias nesta faixa de renda (43,4%).
Observando-se as residências que apresentaram algum dano na estrutura e os que identificaram problemas causados pelas chuvas nas redondezas, o percentual foi 65,6%. Quando não houve relato de impactos nos bairros e ruas próximas, segundo domicílios avaliados com danos nas estruturas físicas, a proporção correspondeu a 25,7%.
Saúde mental foi o maior efeito na vida pessoal dos moradores
Para captar a forma como as enchentes afetaram a vida pessoal dos moradores, foram estimados na PEERS, para situações impactantes devidas às fortes chuvas, os totais de domicílios em que pelo menos um morador sofreu tais impactos. Os maiores percentuais corresponderam às seguintes ocorrências à saúde mental abalada (67,5%). Outros impactos relevantes foram as interrupções na vida social ou no convívio com família ou amigos (58,4%) e a dificuldade no deslocamento para trabalho, escola ou creche (57,3%).
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