Desastre climático contribui para queda nas exportações no RS

Saídas pelo aeroporto Salgado Filho caíram mais de 72% em maio
O aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, tem maior peso para as importações do que para as exportações

Com plantas industriais paralisadas e rotas de transporte de insumos e produtos interrompidas ou prejudicadas, as exportações da indústria de transformação gaúcha sofreram forte impacto negativo no mês de maio. A retração foi de 19% na comparação com o mesmo mês de 2023, com queda em 18 dos 23 segmentos que realizaram embarques. "Além de fábricas fora de operação, a infraestrutura danificada contribui para maiores custos para a indústria gaúcha, tanto em transporte como na produção. A maior parte das plantas industriais está localizada em municípios atingidos pelo desastre climático", afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry.

Embora tenha registrado faturamento de US$ 1,2 bilhão com as exportações, de acordo com os resultados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a indústria de transformação do RS vendeu US$ 282 milhões a menos do que no mesmo período do ano anterior. Esse desempenho foi influenciado diretamente por uma menor quantidade de produtos enviados ao mercado externo. A tragédia climática contribuiu para aprofundar o desempenho negativo dos embarques da indústria de transformação, que têm apresentado trajetória descendente desde janeiro de 2023. 

Essas exportações ficaram em US$ 227,9 milhões, uma redução de 16,2%, abaixo da média verificada para o mês de maio nos últimos três anos. O Rio Grande do Sul importou US$ 772 milhões em mercadorias em maio. Isso corresponde a uma retração de US$ 540,9 milhões frente ao mesmo período de 2023 (-41,2%). A menor demanda gaúcha por bens intermediários e por bens de capital sinaliza um mercado interno menos aquecido, visto o menor consumo por parte da indústria gaúcha de insumos e maquinário utilizados diretamente no processo produtivo. A maior parte dos produtos importados pelo estado foram os pertencentes ao segmento de químicos.

Dificuldade no deslocamento 

O aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, tem maior peso para as importações do que para as exportações. Quando o aeroporto teve suas operações interrompidas em 3 de maio, já havia certo volume embarcado. Já o Porto de Rio Grande, principal local de embarque das exportações gaúchas, continuou a pleno funcionamento mesmo com o estado de calamidade. Mas as rotas que ligam as plantas industriais até os portos e alfândegas foram bastante afetadas, tornando os deslocamentos mais longos e demorados. Esse cenário contribuiu para maiores custos de transporte para a indústria gaúcha, afetando tanto o produto final processado quanto os insumos utilizados no processo produtivo.

Veja mais notícias sobre Sul for ExportRio Grande do Sul.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Terça, 16 Julho 2024

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://amanha.com.br/