Ásia em 2022: caro, trabalhoso, estressante e arriscado

Enquanto a vida volta ao "normal" na China, continua forte o receio de ser necessário novo fechamento
A variável “possibilidade de ser pego de surpresa com a decretação de fechamento da cidade onde se estiver” terá que ser incluída nos planejamentos de missões, viagens de negócios e outras atividades

Shanghai voltou ao "novo normal" dia 1º de junho, com liberação quase total, após angustiantes e sofridos 65 dias, nos quais seus 25 milhões de habitantes ficaram impedidos de sair de casa, e não puderam entrar na cidade os milhares de visitantes que diariamente chegam de todo o país e do mundo inteiro, "por ar, terra e mar" e pelo rio Yangtzé. Definitivamente, mais que todas as outras grandes cidades fechadas desde o final de dezembro de 2021, o lockdown radical em Shanghai é prova mais que suficiente que a política "Covid Zero" é levada a sério na China.

Agora, muito está sendo pensado, dito e escrito no mundo inteiro sobre a política chinesa de enfrentamento da pandemia – o fechamento total de cidades maiores do que Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo é muito impactante. Mas é inegável que o "lockdown" faz toda a diferença na redução da contaminação e das mortes em pandemias respiratórias como a do Covid. Graças à sua postura radical, a China tem a menor quantidade de mortes do mundo (COVID-19 Map - Johns Hopkins Coronavirus Resource Center (jhu.edu)), considerando-se a sua população, e também uma das menores proporções (1,1 morte) por 100 mil habitantes (Mortality Analyses - Johns Hopkins Coronavirus Resource Center (jhu.edu), muito distante, por exemplo, das do Peru (647), Brasil (313), Estados Unidos (306) e México (254).

A Índia, com a mesma população da China, já passa de meio milhão de mortos (números oficiais; ou 4,7 milhões, segundo estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (14.9 million excess deaths associated with the COVID-19 pandemic in 2020 and 2021 (who.int)), divulgado no início de maio. Segundo esse estudo, teriam morrido 7,7 milhões de pessoas na Ásia, das quais 3,3 milhões a 6,5 milhões na Índia, média de 4,7 milhões, números obviamente contestados pelo governo indiano. Os números elevam as quantidades oficiais muitas vezes, como nos casos do Paquistão (oito vezes), Indonésia (sete) e Bangladesh (cinco).

Enquanto a vida volta ao "normal" na China, continua forte o receio de ser necessário novo fechamento, tal o trauma desse início de 2022. Assusta pensar que essa prática tenha vindo para ficar, já que cientistas sempre se referem a "quando", ao analisar a perspectiva de novas epidemias e pandemias, por não terem dúvida que outras virão. Não será nada fácil esse "novo normal", em se tratando de Ásia, com suas megacidades de milhões de habitantes, fluxos diários de dezenas de milhões de pessoas entre os países e de centenas de milhões dentro dos países.

Objetivamente, para quem se relaciona com a China e/ou com outros países asiáticos, tudo isso significa que será mais caro, trabalhoso, estressante e arriscado viajar, trabalhar ou estudar lá. A variável "possibilidade de ser pego de surpresa com a decretação de fechamento da cidade onde se estiver" terá que ser incluída nos planejamentos de missões, viagens de negócios e outras atividades. Feiras e outros eventos terão risco de adiamento maior que antes. Exemplos: a 23ª CIIF esse ano será de 1 a 5/12 e a 5ª CIIE, de 5 a 10/11. E há feiras que foram adiadas "sine die", pois seus sites só mostram as edições anteriores.

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Quarta, 10 Agosto 2022

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