Marfrig compra 24% das ações da BRF e Cade pode investigar a operação

Companhia não pretende exercer influência sobre as atividades da BRF
A BRF e a Marfrig tentaram uma fusão em 2019, porém as negociações foram encerradas na época por falta de acordo

A BRF anunciou que recebeu comunicação da Marfrig informando que adquiriu ações ordinárias de emissão da companhia catarinense. A Marfrig o fez via opções e leilão realizados em bolsa. O movimento resultou em uma participação acionária de aproximadamente 24,2% do capital social da BRF. O valor total da compra foi de R$ 4,4 bilhões. O J.P. Morgan atuou como corretora na compra das ações.

Também por meio de Fato Relevante, a Marfrig afirmou que a aquisição da participação na BRF a "visa a diversificar seus investimentos em um segmento que possuí complementaridades com o setor de atuação numa empresa onde a administração vem realizando uma reconhecida gestão". A Marfrig esclareceu ainda que não pretende eleger membros para o conselho de administração ou exercer influência sobre as atividades da BRF. A companhia também declarou que não foram celebrados por ela quaisquer contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto.

De acordo com informações dadas por Marcos Molina, dono da Marfrig, ao jornal Valor Econômico, a posição na BRF começou a ser montada em abril, exclusivamente via ADRs, até a segunda-feira da semana passada, quando atingiu uma participação de 4,99%. No dia seguinte, chegou aos 5%, patamar obrigatório para informar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O órgão abriu uma investigação para averiguar porque a Marfrig não divulgou imediatamente a informação. O empresário declarou que a companhia teria três dias para informar sobre o atingimento do percentual mínimo. De acordo com ele, a empresa que teve as ações compradas é que tem a obrigação de divulgar ao mercado a informação assim que recebe do investidor, o que foi feito pela BRF na sexta-feira, quando a Marfrig comunicou ter chegado aos 24,2%.

Molina afirmou ao Valor Econômico que não pretende unir as empresas. "Não tem nada no plano. As operações precisam estar focadas", destacou, lembrando que a Marfrig está concentrada em carne bovina e a BRF, em aves e suínos. "Para ele, o investimento é de longo prazo e fazia sentido também porque a dona da Sadia é o principal cliente, comprando hambúrguer, quibe e almôndega produzido em Mato Grosso pela Marfrig", diz a reportagem assinada pelos jornalistas Luiz Henrique Mendes, Ana Paula Ragazzi e Juliana Schincariol.

A BRF e a Marfrig tentaram uma fusão em 2019, porém as negociações foram encerradas na época por falta de acordo em relação à governança da empresa que surgiria a partir da união das duas companhias. A BRF é a segunda maior empresa da região e também a segunda maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ com o apoio técnico da PwC. Leia o anuário completo clicando aqui, mediante pequeno cadastro.

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Terça, 28 Setembro 2021

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