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“A indústria transforma, o agro multiplica”

Cooperativismo do Sul e o agronegócio perdem um de seus maiores líderes, Mário Lanznaster, presidente da Aurora Alimentos
"A indústria transforma o metal em motor, automóveis, etc. O agro multiplica", declarou Lanznaster ao ser reconhecido pela Fiesc com a Ordem do Mérito Industrial, em 2006

Muito trabalho e pouca exposição a holofotes marcaram, até o fim, a trajetória de Mário Lanznaster, que morreu na madrugada deste domingo (18) no Hospital Unimed, em Chapecó, aos 80 anos de idade. Embora enfrentasse desde 2018 um tratamento delicadíssimo contra um tumor de fígado, Lanznaster bateu ponto normalmente até o dia 11 na presidência da Cooperativa Central Aurora Alimentos, terceiro maior conglomerado agroindustrial brasileiro do setor de carne. A rotina que ele cumpria pontualmente na vigésima maior empresa do Sul, segundo o ranking GRANDES & LÍDERES de AMANHÃ e PwC, só foi interrompida com a sua hospitalização, cujo desfecho marca o fim de uma era que o projetou como um dos maiores líderes do cooperativismo do Sule do agronegócio brasileiro.

Lanznaster presidia a Aurora Alimentos desde 2007 e estava em seu quarto mandato. Antes, liderou a Cooperativa Agroindustrial Alfa de 1997 a 2009. Por dois anos (de 2007 a 2009) exerceu simultaneamente as presidências da Aurora e da Alfa.Nos 13 anos em que comandou a Aurora Alimentos, Mário Lanznaster implementou um poderoso programa de investimentos na estrutura industrial e na produção pecuária, consolidando um colosso cooperativista-empresarial-industrial que emprega diretamente mais de 34 mil trabalhadores e processa 1 milhão de aves, 25 mil suínos e 1,5 milhão de litros de leite diariamente, com receita operacional bruta superior a R$ 12 bilhões por ano.

Lanznaster foi reconhecido pela Fiesc com a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina, em 2006. Em 2015, recebeu a comenda da Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). São as duas maiores condecorações da indústria catarinense e brasileira, respectivamente. Em vídeo gravado pela TV Indústria SC, por ocasião da homenagem nacional, Lanznaster expressou o exemplo que desejava deixar: "muita dedicação, empenho, amor ao que você faz; tem de ter muito amor, não vai desistir nunca; pode vir o que quiser, você não vai desistir, vai procurar alternativas". No mesmo depoimento, ele expressou sua devoção ao agro. "A indústria transforma o metal em motor, automóveis, etc. O agro multiplica".

"Lanznaster nos deixa o exemplo da dedicação ao trabalho, liderou com bravura o empreendimento cooperativo que administrou, colocando-o entre os maiores conglomerados do setor alimentício brasileiro", afirmou o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar.

O governador Carlos Moisés lamentou o falecimento de Lanznaster. O governo estadual decretará luto oficial por três dias, "considerando os relevantes serviços prestados e sua destacada participação na vida pública catarinense". A administração estadual manifestou pesar pela perda e se solidarizou com a família.

Trajetória
Lanznaster era catarinense. Nasceu em 30 de junho de 1940 em Presidente Getúlio. Casou-se com Edirce com quem teve quatro filhos: Márcia, Fabiano, Fernando e Juliana. Suinocultor há 40 anos e produtor de milho, feijão, soja e trigo desde 1984, Lanznaster era graduado em agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e em engenharia de segurança do trabalho pela Universidade Federal de Santa Catarina. Cursou MBA em gestão empresarial para dirigentes de organizações do sistema de agronegócio e formação geral básica para altos executivos pela Fundação Getúlio Vargas.

Foi extensionista rural em 1968 nos municípios de Modelo e Chapecó. Em 1974, trabalhou como assessor técnico na Coopercentral quando iniciou a implantação do programa de fomento à suinocultura, conhecido hoje como Suicooper. Foi vice-presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) e presidente da Sociedade Amigos de Chapecó (SAC), entre outros cargos comunitários que exerceu. Era vice-presidente para assuntos estratégicos do agronegócio da Fiesc. Em outubro de 2002 assumiu a vice-presidência da Cooperativa Central Aurora e, em 2007, a presidência.

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Terça, 24 Novembro 2020

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