Como são montadas as casas emergenciais para as vítimas das enchentes no Sul

Um grupo de seis pessoas fará a estrutura em até quatro horas
Primeira casa modular foi erguida durante treinamento realizado pela Agência das Nações Unidades para Refugiados

A primeira casa emergencial para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul foi montada em Canoas, na Região Metropolitana, no local onde funcionará um dos Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs) projetados pelo governo estadual. A unidade foi instalada com a ajuda do Exército e da Agência das Nações Unidades para Refugiados (Acnur). A iniciativa integra o Plano Rio Grande, programa de reconstrução, adaptação e resiliência climática do Estado que visa planejar, coordenar e executar ações para enfrentar as consequências sociais, econômicas e ambientais da enchente histórica. A primeira casa modular foi erguida durante treinamento realizado pela Acnur com um grupo de dez militares para explicar como deve ser feita a montagem. Durante a capacitação, a equipe instalou a moradia do zero, desde a abertura das caixas utilizadas para o transporte de seus componentes até a colocação de bases, teto, paredes, janelas e porta. O treinamento foi ministrado pela oficial de planejamento de abrigos da Acnur, Patrícia Gomes Monteiro, que é engenheira e orientou os militares durante o processo.

"Todas as estruturas já vêm conectadas e são projetadas para que a montagem seja rápida. A vantagem é que, em uma situação de resposta de emergência, é possível erguer as casas de forma ágil. Além disso, são melhores do que uma barraca ou uma tenda comum, porque dão a sensação de um lar e de acolhimento", relatou Patrícia. Nesse primeiro exercício, a montagem levou seis horas, com instruções passo a passo. Contudo, à medida que as equipes ganharem experiência, o trabalho se tornará cada vez mais ágil. Segundo Patrícia, um grupo de seis pessoas conseguirá montar a casa em até quatro horas. A ideia é que um grande número de militares possa instalar várias unidades ao mesmo tempo. A Acnur doou, no total, 208 casas modulares ao Rio Grande do Sul. Dessas, 108 já se encontram no território gaúcho, e as outras 100 estão em trânsito. Das 208, oito vieram de Boa Vista, capital de Roraima, e as demais são provenientes da Acnur na Colômbia. De lá, os materiais vêm de avião pela rota Bogotá–Santiago–Guarulhos e depois seguem por via terrestre até Porto Alegre. Acompanhe, a seguir, o processo de montagem da estrutura e veja ao final desta reportagem a galeria de imagens criada pelo Portal AMANHÃ.

Processo de montagem
Primeiro, as caixas que transportaram as peças são abertas para retirar os materiais que serão utilizados na montagem. São tubos e fios metálicos, painéis, dobradiças, parafusos e vários outros elementos. Em seguida, é hora de fixar os fundamentos da unidade ao solo. Um fio metálico é estendido no chão e forma um retângulo que revela o tamanho exato da casa e contém orifícios que indicam os locais onde deverão ser fincadas as bases. São cavadas pequenas valas no chão, onde são introduzidos tubos metálicos, que funcionam como pilares e dão sustentação à moradia.

Esse sistema de ancoragem permite a fixação adequada da estrutura, assegurando que ela fique de pé e resista a chuvas e ventanias. Após fixar as bases ao terreno, é hora de começar a montar o teto. Vigas de aço são utilizadas para armar o telhado, que depois recebe painéis de plástico reciclável para completar a cobertura da casa. Com o fundamento e o teto prontos, começam a ser instaladas as paredes da casa, que também são feitas com o uso de painéis. Eles são fixados com o uso de dobradiças e parafusos, e a moradia vai ganhando forma. Em seguida, são colocadas as janelas e partes como placa solar, lâmpada, mosquiteiros, cortina e lona no piso. Por último, são encaixadas a porta e a maçaneta.

Estrutura das casas modulares
As estruturas sustentáveis são usadas em operações da Acnur em todo o mundo, funcionando como uma alternativa emergencial até a construção de moradias definitivas. A casa possui cerca de 18 metros quadrados e capacidade para abrigar cinco pessoas. Com 2,83 metros de altura, 5,68 metros de comprimento e 3,32 metros de largura, a unidade tem quatro janelas pequenas, saídas de ar para ventilação e porta com fechadura. A estrutura conta também com placa de energia solar, o que permite acender lâmpada e carregar celulares e eletroportáteis, como tabletes.

A estrutura metálica pode durar até dez anos. Já os painéis têm três anos de durabilidade e são feitos de uma espécie de plástico tratado, com proteção contra incêndio, umidade e mofo. As janelas contam com mosquiteiros e são feitas em tamanho e formato padrão para preservar a privacidade das famílias. Há, também, uma cortina, que pode ser usada como divisória, repartindo a casa em dois ambientes. No piso, usa-se uma lona, que é removível e lavável. Os painéis também podem ser higienizados facilmente, com água, sabão e pano úmido.

Adaptável a vários contextos de emergência humanitária, o projeto foi feito de forma colaborativa entre Acnur, a empresa social Better Shelter e a IKEA Foundation. Atualmente, há unidades sendo utilizadas na América do Sul, Europa, África e no Oriente Médio. No Brasil, o modelo é empregado já há alguns anos para receber imigrantes venezuelanos em Roraima, onde serve como moradia e também escola, posto de saúde, clínica e outras estruturas de apoio. Nas Américas, unidades desse tipo também foram muito utilizadas no período da pandemia de Covid-19 para montar hospitais de campanha.

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Segunda, 24 Junho 2024

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