Inovação, sustentabilidade e lucro imediato são conciliáveis?

O dilema entre estratégia e tática pautou o Webinar "Greenovate: Inovação no conceito ESG" realizado nesta segunda-feira pelo Grupo AMANHÃ e IXL-Center. Evento também revelou o ranking da 18ª edição de Campeãs da Inovação
Webinar teve as participações de Gerdau, Ciser, Sanepar e Anpei

Inovação e sustentabilidade atingem objetivos comuns. Essa foi uma das principais conclusões do Webinar "Greenovate: Inovação no conceito ESG" realizado nesta segunda-feira (23). O evento, que também revelou o ranking da 18ª edição de Campeãs da Inovação (veja a lista completa clicando aqui), foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do Grupo AMANHÃ (clique aqui para ver).

O debate, mediado por Eugênio Esber, diretor de Redação de AMANHÃ, teve as participações de Elder Rapachi, diretor de Novos Negócios na Gerdau Next, e Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho de Administração do Grupo Ultra. Ele também preside o Conselho da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei). Carlos Schneider, presidente da Ciser, e Claudio Stabile, CEO da Sanepar, também estavam presentes no painel juntamente com Fernando Onosaki, sócio-diretor do IXL-Center.

"Campeãs da Inovação foi o primeiro ranking do gênero no Brasil a destacar o tema. É um reconhecimento internacional baseado na metodologia do Gimi que permite comparar indicadores com empresas e setores de outros países", recordou Jorge Polydoro, Publisher do Grupo AMANHÃ, ao abrir o evento. Durantes sua fala, Hitendra Patel, diretor geral e presidente do IXL Center, mostrou o livro "Greenovate! – Companies Innovating to Create a More Sustainable World", escrito por ele, Tyler McNally e Ronald Jonash, que foi Capa de AMANHÃ em junho de 2010.

"Há mais de dez anos, a revista AMANHÃ se antecipou ao me perguntar como seria o futuro. E eu disse que seria Greenovate. Escrevemos este livro e, neste livro, fizemos perguntas: e se pudéssemos ter energia que não provida de petróleo e gás? Em menos de 10 anos, painéis solares vieram e se tornaram mais barato que o petróleo", lembrou. "Greenovate foi o predecessor do que agora tornou-se sustentabilidade. E hoje, todos esses trabalhos chegam ao tema de meio ambiente, social e governança. A ESG, essencialmente diz que se você fizer o bem para o planeta, se fizer o bem para a sociedade e seus funcionários, e se sua liderança tem o pacote certo de compensação e ótima governança, então, será respeitado e será visto como um bom cidadão da nossa sociedade. As empresas que fizeram isso vão lucrar mais do que outras empresas que não", destacou.

Greenovate: Inovação no conceito ESG
A inovação, para se revelar um sucesso de mercado, precisa responder a necessidades de curto prazo – de consumidores, de acionistas, da comunidade. Já a sustentabilidade, em grande parte dos casos, acena com um valor a ser criado no longo prazo. Como resolver este descasamento de tempos e prazos? Como o CEO, o CFO e o CIO (Chief Inovation Officer) podem chegar ao melhor entendimento, conciliando objetivos táticos (o jogo do mercado) e objetivos estratégicos, de construção mais complexa e alongada no tempo? Essas foram as perguntas iniciais feitas aos debatedores do painel "Greenovate: Inovação no conceito ESG".

Inovação e sustentabilidade se dão no longo prazo
"Inovação não é necessariamente algo complexo e de longo prazo, pois tem de toda natureza. Os efeitos podem ser gerados imediatamente enquanto outros necessitam de um período maior. Com a sustentabilidade acontece a mesma coisa: é possível focar em ações de curto prazo, como trocar fontes de energia ou economizar água, ou ter metas de longo prazo. Ou seja, tanto inovação como sustentabilidade se dão no longo tempo. Toda companhia tem de ter determinado objetivo e cada área trabalha tendo em vista um conjunto de objetivos. Não há disputa. Há alinhamento entre esses dois temas que atingem objetivos comuns", garantiu Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho da Anpei. Elder Rapachi, diretor de Novos Negócios na Gerdau Next, respondeu que a cultura voltada para a inovação é fundamental para qualquer negócio. Ele recordou as várias transformações pelas quais o grupo passou até a criação da Gerdau Next. "Plantamos a semente da inovação aberta desenvolvendo vários ecossistemas e ao traçar nossa estratégia até 2031, definimos pontos importantes, hoje acompanhados por um Comitê de Estratégia e Sustentabilidade que tem uma visa ampla e cujas decisões sempre levam em consideração o conceito ESG", destacou.

Cultura como fio condutor
No entender de Carlos Schneider, presidente da Ciser, o grande desafio da inovação em direção à sustentabilidade é tornar essas tarefas economicamente viáveis para as empresas, fatores preponderantes para dar escalabilidade ao negócio. "A transição para produtos, processos e modelos de negócios inovadores deve focar em mudanças incrementais, sempre levando em conta aspectos da sustentabilidade, hoje reconhecidas pela palavra Greenovate ou inovabilidade", resumiu. Claudio Stabile, presidente da Sanepar, declarou que a cultura corporativa deve ser um fio condutor para unir os temas da sustentabilidade e inovação. Ele contou, por exemplo, que a estatal paranaense promoveu uma grande campanha publicitária para demonstrar a importância de economizar água durante a estiagem que assolou a região Sul. "Ao terminarmos o processo de rodizio em várias regiões do estado, a população continua a economizar água. Foi uma virada de chave protagonizada pelas pessoas. Sem elas não há dinheiro ou tecnologia que nos leve adiante. Recebemos uma herança, que tem seu preço, e devemos cuidar para deixar também uma herança para as próximas gerações", alertou. Para Fernando Onosaki, sócio-diretor do IXL-Center, o conceito ESG é um grande aliado da inovação. "Muitas corporações têm dificuldade para explicar como seu propósito de inovação se alinha à estratégia. A sustentabilidade dá essa visão mais clara que a inovação pode ter um alinhamento natural com a agenda ESG", explicou.

Afinal, crises inibem a inovação?
Ao ser perguntado se crises inibem a inovação, Onosaki reiterou que elas, na verdade, dão razão para mudanças e imprimem maior velocidade ao processo. "Vejo como oportunidade, pois os acionistas entenderão alterações no portfólio de produtos, por exemplo, sem contar que períodos difíceis engajam pessoas que se comprometem com os objetivos do negócio", sublinhou. "Se as crises travassem empresas, não estaríamos aqui. Elas despertam novas ideias e propulsionam a inovação. Em fases como essas, é fundamental controlar custos e catalisar energia da companhia para resolver temas urgentes", argumentou Rapachi. Schneider lembrou que algumas empresas sofrem mais em crises que outras, porém aquelas que têm problemas com o caixa, podem ter mais dificuldades para capturar oportunidades advindas do processo de inovação. "Aportar recursos em inovação é fundamental. É um caminho necessário não apenas pela sobrevivência no longo e médio prazos, como também para conseguir se sair melhor das crises", justificou.

Lucro é basilar para a perenidade dos negócios
Wongtschowski destacou que entre os múltiplos objetivos empresariais esta atender os acionistas e a sociedade. Por isso, o lucro é basilar para a perenidade dos negócios. "Obter resultado é uma demonstração de competência e a inovação necessita da rentabilidade para que possa se alocar recursos nessa área. Ele também ajuda que os funcionários tenham um futuro de realizações pessoais e profissionais. O lucro, a inovação e a sustentabilidade são irmãos siameses, pois andam sempre juntos", comparou. Ao concordar com o presidente da Anpei que "o lucro não deve parecer um pecado, desde que seja fruto de um trabalho sério e honesto", Stabile lembrou que graças a uma modificação na política de dividendos por parte do governo paranaense – acionista controlador da Sanepar –, a estatal pode ter R$ 600 milhões em caixa que foram vitais para que a companhia conseguisse passar pela crise advinda do coronavírus como também a escassez hídrica. "Por meio de um corpo técnico fantástico conseguimos vencer momentos desafiadores que nos deixaram ainda mais fortes. Também deixamos um legado para a Sanepar e para a sociedade que soube contornar situações difíceis utilizando principalmente a inovação comportamental", salientou ao destacar mais uma vez como a população segue economizando água, mesmo tendo passado o período mais crítico da seca no Paraná.

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Segunda, 27 Junho 2022

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