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Redram entrega a primeira obra internacional antes do prazo

Construtora paranaense reconstruiu porto peruano empregando tecnologia digital e robótica
A Redram compõe, em parceria com uma empresa portuguesa, o consórcio que venceu em 2014 a licitação aberta pelo governo peruano para a reconstrução do terminal

O empresário Mauro Marder, presidente da construtora paranaense Redram, comemora o melhor resultado que almejava para uma empreitada considerada gigantesca: entregar antes do prazo a reconstrução de um porto quase inteiramente destruído por um terremoto, localizado numa região desértica e assolada por frequentes abalos sísmicos.

Um detalhe aumentou o desafio: as obras não poderiam interromper o funcionamento do terminal. Em julho, ao concluir o projeto de recuperação e modernização do Porto General San Martín, em Paracas, no Peru, a construtora cumpriu o seu primeiro desafio internacional com sobras: a obra foi finalizada três meses antes do prazo acordado.

Com sede em Curitiba, a Redram faz parte do grupo paranaense Pattac e é especializada em grandes obras de infraestrutura. Tem no portfólio projetos no segmento de energia, pavimentação urbana, de rodovias, de infraestrutura aeroportuária e de portos, de saneamento, e as chamadas obras de arte especiais, que recebem esse nome por representar um desafio técnico complexo.

Um exemplo é a passarela de acesso ao Salto Floriano, nas Cataratas do Iguaçu (PR), cuja construção desviou temporariamente o curso das famosas quedas da água. Ou a concepção das obras e a operação do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), considerado um dos maiores terminais portuários privados em movimentação no Brasil.

Tecnologia digital
O trabalho em Porto de Paracas é um grande passo no projeto de internacionalização da Redram. A construtora paranaense compõe, em parceria com uma empresa portuguesa, o consórcio que venceu em 2014 a licitação aberta pelo governo peruano para a reconstrução e operação do terminal, localizado a meia hora da cidade de Pisco. O contrato de concessão prevê um investimento total de US$ 150 milhões, dos quais US$ 120 milhões já foram aportados na recuperação estrutural e modernização de Paracas, empreendimento que acaba de ser concluído.

A tecnologia de ponta que a Redram aplica aos seus projetos foi fundamental na reconstrução do Porto San Martín. A obra foi concebida e gerenciada integralmente na plataforma BIM (Building Information Modeling). O sistema permite construir digitalmente todo o projeto, antecipando e resolvendo eventuais falhas, prevendo com exatidão os custos e o uso dos insumos – de um prosaico parafuso a equipamentos robotizados –, possibilitando o acompanhamento da obra da sua concepção até a entrega.

Em razão da transparência e controle que oferece, o BIM já é uma exigência para a maioria dos contratos de obras públicas nos Estados Unidos e Europa. A Redram é uma das pioneiras no uso dessa ferramenta em obras executadas no Brasil. No canteiro de Paracas, o uso de drones foi estratégico. Os do tipo convencional realizaram levantamentos topográficos e monitoramento em tempo real do trabalho. Drones submarinos fizeram a conferência da dragagem do leito do oceano em frente ao porto – iniciativa que deu agilidade a um trabalho que normalmente emprega navios equipados com sonares.

Também foram usadas máquinas autônomas que prescindem de operadores, uma novidade no Peru. Caso das cavadeiras de concreto, que trabalham com precisão milimétrica. Foi a tecnologia construtiva de última geração que contribuiu para preservar o sítio arqueológico localizado em pleno canteiro de obras do terminal. "A verdade é que o setor da construção civil está passando por uma grande transformação e estamos a par e passo com ela", explica Marder. "O ambiente digital aumentou muito a produtividade no segmento. Está revolucionando o setor de grandes obras, de grandes projetos", comemora.

Os 23 meses de atividades em Paracas envolveram a construção de 700 metros de cais, de um pátio para granéis e outro para contêineres, edificações diversas, entre outras melhorias, que foram aprovadas em testes duríssimos: no período, a região sofreu nada menos do que quatro abalos sísmicos e o tempo todo as obras do porto permaneceram incólumes. Outro dado relevante: o trabalho somou 2,1 milhões de horas/homem sem acidentes.

A recuperação e modernização do Porto de Paracas o transformou em um terminal de uso múltiplo, que está preparado para operar granéis, produtos agrícolas, pescados e que tem capacidade para armazenar e operar até 100 mil TEUs [Um TEU representa a capacidade de carga de um container marítimo normal, de 20 pés de comprimento, por 8 de largura e 8 de altura] em contêineres.

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Sábado, 31 Outubro 2020

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