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Com aquecimento no setor imobiliário em Joinville, CRH aposta em bairros inteligentes
Cidade das Águas: bairro inteligente custará R$ 870 milhões em investimentos somente na primeira fase do projeto

O setor imobiliário está cada vez mais aquecido em Joinville, com uma boa oferta de imóveis somada à queda nas taxas de juros e facilidades no financiamento imobiliário. A boa performance se comprova nos números: dos lançamentos feitos em 2020, apenas 35% ainda estão disponíveis.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da cidade (Sinduscon), Bruno Cauduro, diz que o bom desempenho vem se consolidando desde o ano passado, quando o setor bateu recorde histórico em lançamentos e vendas. "Isso demonstra a maturidade das empresas e a capacidade de adaptação mesmo em um período desafiador como o de pandemia", afirma.

No primeiro trimestre deste ano, Joinville registrou um aumento de 50% no número de empreendimentos lançados em relação ao mesmo período do ano passado. Além do mercado residencial, o outro segmento que registrou aquecimento durante a pandemia foi o logístico industrial, com redução nas taxas de vacância em função do crescimento da produção da indústria e, sobretudo, pela ascensão do comércio eletrônico.

Segundo Cauduro, as perspectivas de negócios são boas para construtoras, incorporadoras, compradores e toda a cadeia de empresas ligada ao setor – e a CRH que o diga. Administradora do prédio onde fica a Tigre e mais 80 CNPJs, a multinacional de presença mundial tem Joinville como sua casa e aproveita a boa maré para dar passos importantes.

Segundo o presidente da CRH, Felipe Hansen, além dos investimentos da Tigre nas Américas, a empresa tem planos importantes para sua cidade-natal, em conformidade com o momento de crescimento do mercado da construção. O bairro inteligente Cidade das Águas, por exemplo, surgiu da assinatura de um contrato com a Pedra Branca e custará R$ 870 milhões em investimentos somente na primeira fase do projeto.

O objetivo é a criação de um bairro-cidade onde os moradores terão a comodidade de encontrar soluções de gastronomia, lazer, esporte, moradia, trabalho e educação a uma caminhada de distância, podendo aproveitar um urbanismo com espaços públicos atraentes, seguros e de qualidade.

"Esse empreendimento deve marcar um novo jeito de morar em Joinville", garante Hansen. O projeto está cumprindo todo o rito necessário de licenciamento ambiental junto à prefeitura, e as obras serão iniciadas assim que essa etapa for finalizada. "O que nos motiva é tornar Joinville um exemplo que irá inspirar outras cidades do Brasil a também serem melhores", crê Hansen.

Já na primeira etapa do bairro serão entregues 20 mil metros quadrados de parque e praças entre os edifícios, integrados à cidade, criando um ambiente agradável para ser ocupado independentemente de onde as pessoas morem. Haverá um sistema de segurança integrado, com câmeras com inteligência artificial, reservatórios de água da chuva para o sistema de águas de reuso, gestão de resíduos e transporte compartilhado, além de ruas que contam com uma vocação mista entre comércio e residências.

Outro conceito que as cidades inteligentes adotam é a construção coletiva de soluções - neste aspecto, a Cidade das Águas ouviu mais de 85 lideranças locais e contou com a atuação de mais de 60 profissionais de arquitetura, engenharia e paisagismo em um processo de criação coletiva que uniu mentes para além das fronteiras. Algumas referências reconhecidas internacionalmente ajudaram a conceber o projeto.

Hoje, no Brasil, 85% da população vive em centros urbanos. Esse processo acelerado de urbanização traz desafios enormes de mobilidade, educação, insumos e segurança pública, desafios que devem se agravar nas próximas décadas. "Joinville, por exemplo, deverá chegar a um milhão de habitantes em menos de 30 anos", analisa Danilo Conti, associado do Sinduscon Joinville. Por outro lado, estamos migrando para uma era onde mais da metade da população brasileira está conectada, segundo a ONU.

"Nunca, em toda a história da humanidade, tivemos acesso a tantos dados que, se bem utilizados, podem, de fato, melhorar a vida das pessoas", pondera Conti. Da confluência dessas tendências globais surge a oportunidade de repensar a forma como as cidades são gerenciadas, colocando o ser humano no centro do processo e questionando como a inovação pode melhorá-lo.

"As expectativas da CRH são muito boas, apesar de estarmos atentos à questão sanitária e ao respeito às ações de prevenção e combate à Covid-19", ressalta Hansen. Para os próximos cinco anos, a companhia planejou investimentos de R$ 900 milhões em novos negócios, compatíveis com o tamanho e a relevância dos projetos que estão liderando.

A urbanização de um loteamento urbano em Campinas (SP) está na fase de aprovação junto aos órgãos locais, e representa o novo foco da CRH em projetos imobiliários na região de São Paulo, além de Santa Catarina.

“Num país onde se presencia a morte prematura de tantas novas empresas, a criação de um ambiente favorável aos negócios é mais do que um diferencial, é uma necessidade”, afirma Felipe Hansen, presidente da CRH

Outros planos incluem a aquisição de unidade industrial para locação em Indaiatuba (SP), uma área industrial e logística em Joinville e um projeto imobiliário em Campo Alegre, além dos investimentos na Tigre, que projeta um investimento global de cerca de R$ 300 milhões para este ano.

Constituída em junho de 1986 por Carlos Roberto Hansen, a CRH tem como proposta expandir negócios em áreas ligadas ao ramo imobiliário. Em 2011, constituiu seu primeiro centro empresarial multiuso, com áreas industriais e comerciais na região central da cidade de Joinville. Na área de serviços imobiliários, o foco é a gestão e administração dos seus próprios imóveis, tendo uma carteira de locação consolidada.

A proposta é oferecer condomínios versáteis que ofereçam segurança e competitividade para as empresas e contribuam para o desenvolvimento da região. "Fazemos isso fornecendo a estrutura necessária para empresas de todos os portes se instalarem com a maior facilidade possível, sem ficarem presas a necessidades de aquisição de imóvel e obtenção de licenças.

Num país onde se presencia a morte prematura de tantas novas empresas, a criação de um ambiente favorável aos negócios é mais do que um diferencial, é uma necessidade. Acreditamos que assim fomentamos a economia e contribuímos para o aumento da qualidade de vida, segurança e saúde da sociedade", afirma Hansen.

Sustentável e eficiente
Os bairros inteligentes criam uma estrutura sustentável e eficiente, com planejamento capaz de proporcionar uma experiência de vida diferenciada. Além disso, ainda promovem o desenvolvimento econômico da região na medida em que são geralmente formados por áreas mistas, com espaços destinados à residência, ao comércio e até mesmo indústrias. Com isso, mais empregos são gerados, já que investidores decidem trazer suas empresas para o bairro visando ao aproveitamento da infraestrutura.

E, enquanto bairros tradicionais geralmente surgem de um aglomerado de pessoas, a criação de um bairro inteligente é planejada por uma equipe de especialistas. Uma pesquisa da Universidade de Harvard aponta que a taxa de mortalidade das pessoas que vivem em áreas verdes é 12% mais baixa do que a daquelas que vivem em ambientes menos arborizados.

Já a Universidade de Chiba, no Japão, mostrou que ter contato com a natureza reduz os níveis do hormônio do estresse, e interfere positivamente no funcionamento do sistema nervoso. As áreas arborizadas do bairro também incentivam a prática de exercícios físicos.

Mas o grande diferencial de um bairro inteligente é a concentração de todos os tipos de estabelecimentos e funcionalidades em um mesmo local, o que reduz o tempo que os moradores gastariam no trânsito. E menos horas no transporte implica mais disponibilidade para desfrutar do que realmente torna a vida mais saudável.

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*Colaborou Eduarda Pereira

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Segunda, 25 Outubro 2021

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