S&P reafirma rating do Brasil

Agência assume que o governo estabilizará gradualmente o seu recente crescimento da dívida pública
A S&P reforça que o Brasil se recuperou mais rápido do que o esperado da crise da Covid-19 em 2020, mas que a perspectiva de crescimento do país é moderada

A agência de classificação de riscos S&P reafirmou o rating em moeda estrangeira do Brasil em BB-. A perspectiva da nota do país é estável. A S&P avalia que a perspectiva estável da nota assume que o governo estabilizará gradualmente o seu recente crescimento da dívida pública. "As pressões de gastos e uma alta carga de juros provavelmente resultarão em uma lenta consolidação fiscal, com a dívida líquida do governo geral tendendo para 75% do PIB até 2024", projeta a agência.

No comunicado, a S&P reforça que o Brasil se recuperou mais rápido do que o esperado da crise da Covid-19 em 2020, mas que a perspectiva de crescimento do país é moderada. Para 2021, a projeção é de expansão de 4,8%, seguido de alta do PIB de 0,8% em 2022, 2% em 2023 e 2,3% em 2024.

Ao comentar a PEC que parcela precatórios e modifica o cálculo do teto de gastos, a S&P destaca que a proposta ilustra a dificuldade "de longa data" do Brasil de controlar as contas públicas. "O governo está tentando emendar a Constituição do Brasil para modificar marginalmente sua lei de teto de gastos para permitir maiores investimentos com programas sociais, bem como fazer pagamentos parciais em 2022 sobre passivos crescentes de decisões judiciais. As mudanças no teto de gastos ilustram as dificuldades de longa data em controlar e reduzir o déficit fiscal de maneira sustentável. Mais de 90% dos gastos orçamentários não são discricionários, refletindo compromissos com vários programas obrigatórios de gastos e outras receitas", relata a agência.

A S&P apresentou dois cenários para o futuro da avaliação de crédito do Brasil. Um rebaixamento da nota seria possível nos próximos dois anos se os resultados fiscais vierem pior do que o esperado, sinalizando uma capacidade institucional mais fraca de implementar medidas corretivas das finanças públicas. No entanto, em um cenário positivo, uma elevação do rating brasileiro é possível se houver uma combinação de crescimento da economia acima do esperado, bem como um desempenho fiscal "significativamente melhor".

A agência de classificação de risco S&P Global também afirmou esperar uma "ampla continuidade" nas principais políticas econômicas brasileiras após as eleições de 2022.

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Terça, 18 Janeiro 2022

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