Copom reduz juros para 13,75% ao ano

A decisão veio em linha com o aguardado pelo mercado financeiro
O BC segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic) baixando para 13,75%. A decisão, que teve unanimidade dos membros do colegiado, veio em linha com o aguardado pelo mercado financeiro. Para os analistas, a Selic deverá fechar o ano nestes mesmos 13,75%. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, em cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificultou a queda da taxa.

Para o Copom, o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Para os membros do colegiado, esse cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. Já em relação ao ambiente doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. "Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta", destaca o texto divulgado após a reunião.

"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação", destaca o Banco Central (BC). "Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", afirma a nota.

Tom cauteloso
Para Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, o BC manteve um tom cauteloso aguardando algumas definições quanto aos choques de oferta do petróleo e seus derivados decorrente do conflito no Oriente Médio. "Apesar disso, o BC reafirma que a economia vem desacelerando mais rápido do que o que foi projetado. Acredito que neste tom, o BC deixou aberto o movimento para as próximas reuniões, sem descartar que pausou o movimento de corte de juros. Acredito que podemos ter surpresas nas próximas reuniões, dependendo de como vierem os dados da economia, IPCA, PIB e principalmente, informações do Oriente Médio. Tanto esse como o último comunicado foram bem parecidos com relação as cautelas e riscos inflacionários. Apesar disso, senti que o Banco Central deixou o futuro em aberto, sem entregar uma pausa nos cortes. Claro que, para as próximas reuniões, os dados de IBC-Br e IPCA serão muito importantes para entender o quanto podemos cortar ainda, porém, acredito que o mercado irá começar a projetar uma Selic um pouco menor do que os 13,75% de hoje", projeta o especialista.

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Quarta, 16 Setembro 2026

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