Produção volta a crescer e indústria ajusta estoques no RS

Sondagem da Fiergs projeta aumento da demanda
O crescimento da demanda, contudo, não deve ser acompanhado de elevação do emprego

A Sondagem Industrial do RS, divulgada na quinta-feira (28) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), mostra em agosto a produção em crescimento novamente – o índice atingiu 52,4 pontos – e o retorno dos estoques aos níveis desejados pelas empresas, após quase dois anos de excesso. É um cenário relativamente positivo se comparado aos meses anteriores, apesar da retração no emprego. "O resultado traz alguma perspectiva ao industrial gaúcho que, mesmo cauteloso, revela otimismo contido em relação aos próximos seis meses, com projeções de aumento da demanda e estabilidade do emprego", afirma Gilberto Petry, presidente da entidade. Ele reforça que a intenção de investir também subiu entre os empresários, mas continua moderada.

Após quatro meses de quedas, a produção industrial gaúcha cresceu em relação a julho, e ficou acima da marca de 50 pontos que separa queda de alta. É apenas o segundo avanço em um ano e parte disso pode ser atribuído a dois dias úteis a mais. O emprego, porém, permanece em queda. O índice registrou 47,8 pontos no mês, ante os 44,8 de julho, mostrando que o emprego no setor, abaixo dos 50, caiu em agosto, mas com menor intensidade do que no mês anterior. A tendência de recuo é longa, pois o índice não supera essa marca desde setembro de 2022. A indústria gaúcha utilizou 71% da capacidade instalada (UCI) no mês passado, um ponto percentual acima de julho. Já o índice de UCI em relação a usual passou de 40,7 para 42,9 pontos, revelando que os empresários consideram o patamar abaixo do normal, ainda que mais próximo se comparado a julho.

Além da alta da produção, outra boa notícia da sondagem de agosto é a regularização dos estoques. O índice de evolução mensal nos 50 pontos mostra estabilidade dos níveis de estoques em relação a julho, enquanto o índice em relação ao planejado pelas empresas, nos 49,7 pontos, ficou muito próximo de 50, indicando estoques ajustados depois de 23 meses consecutivos de acúmulo. Na comparação com outubro de 2022, que foi momento crítico do excesso de estoques desse período, a queda chega a 5,5 pontos. Com base no melhor cenário, o empresário gaúcho vê uma perspectiva mais favorável para os próximos seis meses. Todos os índices de expectativas cresceram na pesquisa realizada entre 1º e 13 de setembro com 196 empresas, sendo 40 pequenas, 69 médias e 87 grandes. Mas continuam em patamares modestos, acima, mas muito próximos dos 50 pontos, e abaixo de suas médias históricas.

Os empresários projetam aumento da demanda (53,3 pontos em setembro ante 51,4 em agosto), inclusive das exportações (51,8 ante 47,1), e das compras de matérias-primas (51,4 ante 49,2). O crescimento da demanda, contudo, não deve ser acompanhado de elevação do emprego que, de acordo com os empresários, com 49,9 deve permanecer estável. O maior otimismo impacta positivamente na disposição de investir. O Índice de intenção cresceu de 51,8, em agosto, para 52,6 pontos, em setembro, mas continua em patamar moderado, pouco acima da média de 51,3 pontos e bem distante dos 62,1 de setembro de 2022, pico mais próximo. No levantamento de setembro, 55,6% das empresas estão dispostas a investir nos próximos seis meses.

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Sábado, 13 Abril 2024

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