Produção mundial de vinho deverá ser a menor dos últimos 60 anos

Safra será menor em alguns países devido às condições climáticas extremas
Austrália, Argentina, Chile, África do Sul e Brasil foram fortemente afetados por condições climáticas adversas

O chefe do departamento de estatística e transformação digital da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Giorgio Delgrosso, apresentou na terça-feira (7) as primeiras estimativas da produção mundial de vinho em 2023. Com base na informação recolhida em 29 países, que representam 94% do volume mundial na safra passada, a produção mundial de vinho está estimada entre 241,7 milhões de hectolitros e 246,6 milhões de hectolitros (mhl). Isso representa uma queda de 7% em relação ao volume já abaixo da média de 2022. Esta seria a menor produção desde 1961 (214 mhl), ainda inferior ao volume de produção historicamente pequeno de 2017 (248 mhl). Este cenário negativo pode ser atribuído a quedas significativas nos principais países produtores de vinho em ambos os hemisférios.

"Mais uma vez, as condições climáticas extremas – como geadas precoces, chuvas fortes e secas tiveram um impacto significativo na produção vitivinícola mundial. Contudo, num contexto em que o consumo global está em declínio e as existências são elevadas em muitas regiões do mundo, a baixa produção esperada poderá trazer equilíbrio ao mercado mundial", avalia a OIV. "Os números deste ano devem, no entanto, ser vistos com cautela, pois ainda existem países grandes como a China, cuja informação ainda não está disponível. Além disso, a elevada volatilidade nos volumes de produção observada nos últimos anos, tanto a nível nacional como regional, torna o exercício de previsão ainda mais difícil", alerta a entidade.

Enquanto no Hemisfério Sul Austrália, Argentina, Chile, África do Sul e Brasil registaram variações anuais entre quedas de 10% e de 30%, no Hemisfério Norte Itália, Espanha e Grécia são os países que mais sofreram das más condições climáticas durante a estação de crescimento das videiras. Apenas os Estados Unidos e alguns países da União Europeia, como a Alemanha, Portugal e a Romênia, registaram condições climáticas favoráveis que resultaram em volumes médios ou acima da média. De acordo com as projeções da OIV, espera-se um baixo volume de produção na União Europeia. Itália e Espanha registam uma diminuição significativa em relação a 2022 devido a condições climáticas desfavoráveis que levaram ao míldio e às secas. 

Por isso, a França será o maior produtor mundial em 2023, com um volume ligeiramente acima da média de cinco anos. As previsões da primeira colheita nos Estados Unidos indicam que o volume será não só superior ao de 2022, mas também acima da média observada nas últimas safras. No Hemisfério Sul, os volumes de produção de vinho deverão ficar bem abaixo dos valores de 2022. Austrália, Argentina, Chile, África do Sul e Brasil foram fortemente afetados por condições climáticas adversas. A exceção é a Nova Zelândia, o único país com um nível de produção em 2023 acima da média de cinco anos.

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Sábado, 22 Junho 2024

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