Tradener: iluminando novos caminhos
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
Quando Walfrido Avila decidiu fundar a Tradener, em julho de 1998, o mercado de energia no Brasil ainda engatinhava na ideia de liberdade. Até então, eletricidade era um assunto exclusivamente estatal, gerada, transmitida e distribuída sob domínio de empresas públicas, em um sistema verticalizado onde consumidores não escolhiam de quem comprar energia: simplesmente recebiam. Mas o país atravessava um processo de abertura econômica. As reformas dos anos 1990 começavam a redesenhar setores inteiros, e a energia não escaparia dessa revolução. Foi nesse intervalo entre o velho modelo e a promessa de um mercado mais livre que Avila enxergou uma oportunidade que poucos conseguiam sequer imaginar.
Engenheiro civil com décadas de estrada na Copel, ele largou a estabilidade para apostar em um futuro que, àquela altura, era mais uma tese do que uma realidade palpável. Surgia, então, a Tradener, a primeira comercializadora independente de energia elétrica do Brasil. Uma empresa que nascia para operar em um mercado que ainda nem existia de fato. A regulamentação só viria um mês depois, quando a Resolução 265 da ANEEL abriu oficialmente as portas do chamado Ambiente de Contratação Livre. Pela primeira vez, grandes consumidores poderiam negociar diretamente com geradores, escolhendo de quem comprar sua energia, em vez de depender da distribuidora local.
Foi a Tradener, aliás, que protagonizou o primeiro contrato oficial desse novo modelo, com a indústria Carbocloro e a Copel. Estava escrito o primeiro capítulo de uma transformação que, décadas depois, faria com que quase metade de toda a energia consumida no Brasil circulasse fora do ambiente regulado. Hoje, passados 26 anos daquele salto no escuro, a Tradener está presente em 23 estados, abastecendo cerca de 1.200 clientes livres, de pequenas padarias a indústrias que nunca param. São contratos que variam de 0,1 MW a 50 MW, compondo uma rede que sustenta mais de 1.000 MW médios em circulação. E um mercado que, em 2024, movimentou R$ 193 bilhões.
Para tanto, a empresa não se limita à compra e venda de energia, atuando também na operação de usinas próprias. São oito no total em operação, com fontes hídricas, eólicas e térmicas. Juntas, essas plantas têm um potencial de 170 MW, e entregam a energia média de aproximadamente 682.000 kWh/ano, o suficiente para abastecer cidades de 500 mil habitantes com desenvolvimento industrial moderado — como Florianópolis, Caxias do Sul ou Londrina. Com os projetos em desenvolvimento, esse número pode chegar a 712 MW, o equivalente à demanda energética de uma metrópole.
Estabilidade, inovação e confiança
A confiança conquistada ao longo de mais de duas décadas é refletida na fidelidade dos clientes. "Temos clientes conosco há mais de 20 anos. Isso mostra uma confiabilidade muito grande, tanto na energia quanto na administração dos contratos, mesmo em contextos regulatórios em constante mudança", afirma Avila. A Tradener não apenas representa geradores de energia, como também atua como elo entre eles e os consumidores, zelando por uma cadeia equilibrada e saudável. Desde o início, a empresa assume o compromisso de garantir fornecimento confiável e contínuo para seus clientes — da madrugada ao horário de pico. "Não adianta vender energia barata por um ano e no ano seguinte não ter como entregar. O que oferecemos é o melhor preço na constância dos anos", reforça. Esse movimento estratégico fortalece o posicionamento da empresa como uma parceira sólida e equilibrada, capaz de oferecer o melhor preço ao longo do tempo, e não apenas o mais barato pontualmente.
A empresa se destaca também por antecipar tendências e responder com agilidade às novas demandas do setor. "Sempre estivemos um passo à frente. Nenhum problema de governo se antecipou a nós. Nosso diferencial está no relacionamento, na presença, na inovação", complementa o executivo. Um exemplo é a suspensão e renegociação de contratos com empresas do Rio Grande do Sul durante a calamidade climática de maio de 2024, algo similar ao que a Tradener havia feito durante a pandemia. A ação rápida e flexível não é um caso isolado, praticada diante de uma crise de múltiplas dimensões, mas sim um modus operandi da empresa. Com uma equipe especializada e estrutura tecnológica robusta, um dos pilares do crescimento da Tradener está no investimento em tecnologia e automação. Da entrada do pedido de energia ao faturamento, a empresa conta com sistemas próprios que agilizam processos e possibilitam escalabilidade. "Vimos que dobrar de tamanho é perfeitamente possível, considerando o crescimento contínuo do mercado", projeta Avila.
O papel da Tradener no novo Brasil energético
De olho em um setor energético cada vez mais integrado, além da energia elétrica, a empresa também avança no setor de gás natural, com contratos já firmados com fornecedores da Bolívia e da Argentina. Os primeiros acordos com grandes consumidores e distribuidoras já estão em curso, preenchendo lacunas de abastecimento e abrindo caminho para a expansão do mercado livre também nessa frente.
A empresa mantém sua aposta em fontes renováveis, sem abrir mão do realismo. Sobre os desafios da transição energética no Brasil, Avila pontua a necessidade de fazer um planejamento energético inteligente, com equilíbrio entre as fontes e foco em sustentabilidade de verdade. O Brasil, com seu potencial energético quase inesgotável, vive o desafio de conciliar esses fatores com a regulação e a expansão. "Temos de fazer um planejamento integrado das formas de energia e também da transmissão. Isso é difícil por causa dos diversos interesses, mas é fundamental", analisa Avila. Para ele, fontes como a hídrica, já bem estabelecida na matriz energética brasileira, ainda são as mais sustentáveis Por outro lado, reconhece o papel importante das fontes eólica e solar — especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Combinando tradição, visão de futuro e responsabilidade com a cadeia produtiva, a Tradener consolida-se como uma das maiores comercializadoras independentes de energia do Brasil — e a maior no Paraná —, ao mesmo tempo que se coloca como uma das engrenagens na construção de um setor elétrico mais competitivo, moderno e sustentável. Nesse cenário, a capacidade de se antecipar e manter a confiança do cliente é o que garante solidez. E isso a Tradener tem provado ano após ano.
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