BRDE no Paraná: crédito estruturante para um estado que planeja o futuro
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) chega em 2026 aos 65 anos com uma história que se entrelaça com a própria transformação econômica e social do Sul do Brasil. Criado em 15 de junho de 1961, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, o banco nasceu como principal instrumento financeiro do Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul (Codesul), idealizado pelos então governadores Ney Braga, Leonel Brizola e Celso Ramos. A proposta era estruturar uma instituição pública regional capaz de planejar e financiar o desenvolvimento integrado, superando limites estaduais.
Autorizado pelo então presidente João Goulart, o banco foi instalado naquele mesmo ano e, desde o início, distanciou-se do modelo bancário tradicional. Sua missão envolvia planejamento econômico, apoio técnico e visão estratégica para transformar a base produtiva da região.
Nos anos 1960 e 1970, a instituição participou ativamente dos ciclos de industrialização e modernização da economia, ampliando o apoio à infraestrutura energética, ao saneamento e à interiorização do crescimento produtivo. A partir dos anos 1990, fortaleceu sua integração ao sistema nacional de fomento, consolidando parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e organismos multilaterais, ao mesmo tempo que passou a incorporar de forma sistemática critérios sociais e ambientais às operações.
No início dos anos 2000, modernizou processos, diversificou ainda mais as fontes de recursos e expandiu sua presença institucional. Ao longo das seis décadas e meia de atuação, alcançou mais de 90% dos municípios da Região Sul, estruturando economias locais, fortalecendo cadeias produtivas e financiando projetos que moldaram o perfil produtivo regional.
Escala, inovação e impacto econômico
Entre 2021 e 2025, foram contratados, no Paraná, R$ 9,49 bilhões em operações com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), distribuídos em 15.230 contratos diretos e indiretos. No último ano, foram R$ 2,2 bilhões em 5.701 novos financiamentos no estado e no Mato Grosso do Sul.
Os dados da operação paranaense do BRDE inseridos em um volume regional de R$ 5,6 bilhões contratados pelo banco na Região Sul. A carteira de crédito ativa da instituição toda alcança mais de R$ 24 bilhões, com crescimento de 72% nos últimos cinco anos, indicador que revela expansão consistente e fortalecimento patrimonial.
Os números dimensionam o papel da instituição na economia, especialmente em cadeias estratégicas como agronegócio, indústria, infraestrutura, energia e inovação. Em 2025, cerca de 54% das contratações totais no Paraná foram destinadas ao agro, principal macroprograma do banco.
Para além das estatísticas, os dados refletem um modelo de fomento estruturado, com análise técnica rigorosa e visão de longo prazo. Por isso, os critérios ambientais e sociais também são parte central da estratégia. Hoje, aproximadamente 79% dos negócios apoiados pelo BRDE estão alinhados com pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
O crescimento recente evidencia uma fase de consolidação e expansão qualificada. Em 2025, o BRDE registrou 17.880 operações diretas e indiretas e superou R$ 5,5 bilhões em investimentos. A instituição também alcançou recorde de captação a mercado, com R$ 1 bilhão obtido por meio de RDBs, LFs, LCDs, LCAs e CDBs, ampliando autonomia financeira e capacidade de alavancagem. "O crescimento da carteira demonstra que o fomento ganhou escala sem perder rigor técnico. Estamos financiando projetos que efetivamente impactam a economia", afirma o diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior.
O efeito macroeconômico é perceptível: o crédito viabilizado tende a se refletir de forma proporcional na atividade produtiva regional, fortalecendo a geração de renda e o dinamismo empresarial. Além disso, a inovação se consolidou como eixo estratégico. O BRDE Labs, programa voltado ao tema, reúne 57 empresas âncoras no Paraná e já atraiu mais de 1.100 startups inscritas, com 125 selecionadas para imersão e 21 provas de conceito concluídas até 2024. A iniciativa aproxima capital e tecnologia, contribuindo para posicionar o estado como ambiente favorável à inovação aplicada ao setor produtivo.
Na agenda socioambiental, o Banco Verde fomenta projetos que promovem impactos positivos, indo de iniciativas relacionadas ao clima à preservação de patrimônio histórico e cultural na Região Sul do Brasil. Desde 2021, 1,5% do lucro é destinado ao Fundo Verde, que já soma R$ 40 milhões em aportes voltados a ações de mitigação de impacto ambiental, descarbonização da indústria, segurança hídrica e adaptação climática.
Metas e projeções: o próximo ciclo no ParanáO próximo ciclo combina estabilidade operacional e visão de futuro. Para 2026, o BRDE projeta a ampliação das captações a mercado e o fortalecimento de parcerias internacionais. Nesse sentido, sustentabilidade e inovação permanecem como pilares prioritários da estratégia institucional.
No Paraná, especificamente, a previsão indica a manutenção do ritmo de contratações em patamar semelhante ao período anterior, com aproximadamente R$ 2,3 bilhões em novos contratos ao longo do ano, reforçando previsibilidade e continuidade no fluxo de financiamentos estruturantes.
O desempenho recente também evidencia a relevância de frentes específicas que consolidam a presença do banco no estado: só no Banco do Agricultor Paranaense, desde 2021, ano de lançamento da iniciativa pelo Governo do Estado, o BRDE soma R$ 434,33 milhões em valores contratados, distribuídos em 3.127 projetos, indicador que reforça a capilaridade do crédito e a aderência da operação às prioridades do setor agropecuário paranaense.
"No Paraná, um exemplo claro da atuação em prol do desenvolvimento está no Banco do Agricultor Paranaense, uma política do Governo do Estado voltada a fomentar produtores, cooperativas e agroindústrias familiares, combinando crédito subsidiado e subvenções econômicas. É uma frente que seguirá ganhando escala, porque une competitividade, geração de renda no campo e transição sustentável", afirma o diretor administrativo do BRDE, Heraldo Neves.
Para o superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Cesar Starke Junior, o momento é de consolidação estratégica. "O estado combina uma estrutura econômica consolidada, uma base industrial diversificada e um ambiente favorável à inovação. Nós atuamos para integrar essas frentes com crédito qualificado e visão de longo prazo", diz.
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