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Dólar vai a R$ 5,65 com saída de Moro do Ministério da Justiça

PGR pede abertura de inquérito no STF para apurar declarações de ex-ministro. Bolsonaro rebateu declarações feitas por Moro na manhã desta sexta-feira
Pronunciamento-do-Presidente-Jair-Bolsonaro
"Tenho de preservar minha biografia, mas acima de tudo tenho de preservar o compromisso com o presidente de que seríamos firmes no combate à corrupção, a autonomia da PF contra interferências políticas", declarou Moro

O mercado repercutiu negativamente a decisão do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de deixar a pasta. O dólar comercial chegou a bater novo recorde histórico, chegando a passar dos R$ 5,70 durante os negócios pela manhã. No final do dia, a moeda norte-americana fechou vendido a R$ 5,6573, em alta de 2,3%. Na máxima do dia, chegou a ser negociado a R$ 5,7469. Neste ano, o dólar acumula valorização de 41,1%. No mês, a alta acumulada é de 8,8%. O Ibovespa, principal índice da B3, a bolsa de valores brasileira, chegou a cair quase 10% logo depois do pronunciamento de Moro, mas ao longo da tarde recuperou parte das perdas alcançando 75.331 pontos, queda de 5,4%.

O noticiário político tomou a atenção do mercado durante todo o dia. O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar as declarações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, que pediu demissão do cargo e fez acusações contra o presidente Jair Bolsonaro. Entre as medidas solicitadas ao STF, Aras pediu que seja determinado o depoimento de Moro. De acordo com o procurador, os fatos evidenciam supostos crimes de falsidade ideológica, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada, coação no curso do processo ou denunciação caluniosa e crime contra a honra. "Indica-se, como diligência inicial, a oitiva de Sergio Fernando Moro, a fim de que apresente manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamento, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão. Uma vez instaurado o inquérito, e na certeza da diligência policial para o não perecimento de elementos probatórios, o procurador-geral da República reserva-se para acompanhar o apuratório e, se for o caso, oferecer denúncia", escreveu Aras no pedido.

Pronunciamento de Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24) no qual afirmou que Sergio Moro disse a ele que aceitaria a substituição do diretor-geral da Polícia Federal, mas em novembro, depois de ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). "Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim: 'Você pode trocar o Valeixo sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o STF'", declarou. "Sabia que não seria fácil. Uma coisa é você admirar uma pessoa. A outra é conviver com ela, trabalhar com ela. Hoje pela manhã, por coincidência, tomando café com alguns parlamentares eu lhes disse: 'Hoje, vocês conhecerão aquela pessoa que tem compromisso consigo próprio, com seu ego e não com o Brasil'", contou em um pronunciamento de quase uma hora. "Hoje, essa pessoa vai buscar essa maneira de botar uma cunha entre eu e o povo brasileiro. Isso aconteceu há poucas horas", disse, em referência a Moro.

Bolsonaro afirmou que pedia um relatório diário sobre atividades da PF, com o objetivo de tomar decisões. "Sempre falei para ele: 'Moro, não tenho informações da PF. Eu tenho de ter, todo dia, um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas 24 horas, para poder decidir o futuro da Nação'. Nunca pedi [sobre] o andamento de qualquer processo, até porque a inteligência, com ele, perdeu espaço na Justiça, quase que implorando informações. Sempre cobrei informações dos demais órgãos de inteligência do governo, como a Abin", declarou. Ele disse ainda que não precisa de autorização para trocar qualquer ocupante de cargo no Executivo.

"Falava-se em interferência minha na PF. Oras bolas, se posso trocar ministro, por que não posso, de acordo com a lei, trocar o diretor da PF? Não tenho de pedir autorização para ninguém para trocar diretor ou qualquer outro que esteja na pirâmide hierárquica do Poder Executivo", afirmou. Segundo o presidente, a Polícia Federal se preocupou mais em identificar os autores do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) que investigar o atentado que ele, Bolsonaro, sofreu durante a campanha eleitoral.

"A PF mais se preocupou com a Marielle do que com o seu chefe supremo. Acho que todas as pessoas de bem no Brasil querem saber – entendo senhor ex-ministro, entre o meu caso e o da Marielle, o meu está muito menos difícil de se solucionar", destacou. Ele reforçou que a indicação do diretor-geral da PF cabe a ele e que, se um dia ele se "submeter a qualquer subordinado", deixará de ser presidente. "Interajo com os homens da inteligência das Forças Armadas se preciso for, interajo com a Abin, interajo com qualquer um do governo. Sempre procuro o ministro, mas, numa necessidade, falo diretamente com o primeiro escalão daquele ministro", destacou. Bolsonaro destacou ainda que, se Moro gostaria de ter "independência e autoridade", deveria ser candidato. "Não posso conviver ou fica difícil a convivência com uma pessoa que pensa bastante diferente de você", finalizou e, depois, leu três páginas contendo o mesmo teor do pronunciamento de maneira mais informal.

Pedido de demissão de Moro
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, anunciou na manhã desta sexta sua demissão. O ex-juiz federal deixa a pasta após um ano e quatro meses no cargo. A demissão foi motivada pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado por Moro. A Polícia Federal é vinculada à pasta da Justiça.

Moro afirmou que disse para Bolsonaro que não se opunha à troca de comando na PF, desde que o presidente lhe apresentasse uma razão para isso. Para ele, o problema não é a troca em si, mas o motivo pelo qual Bolsonaro tomou a atitude. Segundo Moro, a intenção do presidente é conseguir "colher" informações dentro da PF, como relatórios de inteligência. "O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação", contou durante o pronunciamento de aproximadamente 40 minutos.

De acordo com o relato de Moro, ele disse a Bolsonaro que a troca de comando na PF seria uma interferência política na corporação. Moro reiterou, então, que o presidente admitiu isso. "Falei para o presidente que seria uma interferência política. Ele disse que seria mesmo", revelou. O agora ex-ministro contou que Bolsonaro vem tentando trocar o comando da PF desde o ano passado. "Tenho de preservar minha biografia, mas acima de tudo tenho de preservar o compromisso com o presidente de que seríamos firmes no combate à corrupção, a autonomia da PF contra interferências políticas", disse.

Moro afirmou também que pesou para sua decisão o fato de o governo federal ter decidido exonerar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo. O decreto de exoneração foi publicado hoje (24), no Diário Oficial da União. É assinado eletronicamente pelo presidente Jair Bolsonaro e por Moro, e informa que o próprio Valeixo pediu para deixar o comando da corporação. O ministro, no entanto, afirmou que não assinou o decreto e que o agora ex-diretor-geral da PF não cogitava deixar o cargo. "Não é absolutamente verdadeiro que Valeixo desejasse sair". Para o ministro, a substituição do diretor-geral, sem um motivo razoável, afeta a credibilidade não só da PF.

"O grande problema desta troca é que haveria uma violação da garantia que me foi dada quando aceitei o convite para ingressar no governo, a garantia de que eu teria carta branca. Haveria interferência na PF, o que gera um abalo na credibilidade. Minha e do governo. E também na PF, gerando uma desorganização que, a despeito de todos os problemas de corrupção dos governos anteriores, não houve no passado", disse.

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Segunda, 23 Novembro 2020

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