Receita da Tupy cai em 2025 em razão das tarifas dos EUA
A receita líquida consolidada da Tupy totalizou R$ 9,7 bilhões em 2025, impactada, entre outros fatores, pela redução de 10% no volume físico de vendas, parcialmente mitigada pelo crescimento de 16% na unidade de negócios de energia e descarbonização e de 12% no segmento de peças de reposição (aftermarket), que apresentam baixa correlação com o negócio tradicional, bem como pelo cenário cambial favorável, com a depreciação do real ante o dólar quando comparado com 2024 (câmbio médio do ano), tendência que se reverteu a partir do terceiro trimestre. O resultado líquido foi um prejuízo de R$ 655 milhões, afetado, entre outros fatores, pelo ajuste de impairment de R$ 327 milhões, redução ao valor realizável de estoques no valor de R$ 40 milhões, e baixa de créditos tributários no valor de R$ 125 milhões, decorrentes de iniciativas de otimização da capacidade e de realocação da produção para linhas mais eficientes, que contribuirão para o aumento das margens, da geração de caixa e do retorno sobre o capital investido (veja os principais indicadores ao final desta reportagem).
De acordo com a companhia catarinense, o ano de 2025 foi marcado por um ambiente de incertezas que impactou a economia global e, consequentemente, os mercados de atuação da Tupy. "A implementação de tarifas comerciais contribuiu de forma decisiva para esse cenário, afetando a confiança de empresas, consumidores e gerando pressões inflacionárias. Somado ao adiamento da definição das regras de emissões para veículos comerciais, esse contexto levou compradores a postergar a renovação e expansão de suas frotas. Além disso, preços de frete depreciados — decorrentes do expressivo aumento da oferta no período pós-pandemia — pressionaram a rentabilidade das empresas de transporte nos últimos anos, contribuindo para a queda das vendas de caminhões na América do Norte", descreve o relatório trimestral.
No mercado off-road, incentivos à indústria de data centers impulsionaram os setores de construção não residencial e grupos geradores, com consequente aumento na demanda por motores maiores. "No Brasil, a combinação de juros elevados, inadimplência recorde e o fraco desempenho do agronegócio reduziu as vendas de veículos comerciais pesados e extrapesados, impactando diretamente o desempenho das unidades de negócio de componentes estruturais e contratos de manufatura. Esse cenário levou a companhia a promover ajustes relevantes em sua estratégia. Desde o segundo trimestre de 2024, estava em execução um projeto de desmobilização de capacidade, com foco principal nas operações localizadas no México. Trata-se de um processo complexo, que demandou investimentos em ativos imobilizados e estoques que totalizaram R$ 145 milhões. Contudo, diante da nova administração nos Estados Unidos e a adoção de políticas protecionistas, optamos por suspender esse movimento e reavaliar nossa estratégia industrial", detalha a empresa.
"A partir do segundo trimestre de 2025, implementamos alterações significativas nesse processo, incluindo o redirecionamento do projeto originalmente previsto e o início de um novo plano de adequação de capacidade a partir do Brasil. Essas mudanças resultaram em custos com ociosidade, além de provocarem atrasos na captura dos benefícios esperados. Em paralelo, seguimos avançando nos novos negócios provenientes da aquisição da MWM, com crescimento de dois dígitos no segmento de peças de reposição e na unidade de energia e descarbonização", descreve o relatório da empresa.
A Tupy é a 29ª maior empresa da região e a 10ª maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com apoio técnico da PwC Brasil (veja o ranking completo aqui e o anuário digital completo clicando neste link).
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