Tecnologia

Pequenos negócios do Brasil usam mais IA que nos EUA

Pesquisa mostra que inteligência artificial é adotada principalmente para aprimorar o trabalho existente

inteligencia-artificial-1320x879-1.webp
Tanto nos EUA quanto no Brasil, a IA alterou o número de funcionários em menos de 10% das empresas · Foto: Divulgação

Os pequenos negócios brasileiros estão adotando a inteligência artificial (IA) em um ritmo muito mais acelerado do que as empresas dos Estados Unidos. É o que revela a pesquisa inédita Transformação Digital nos Pequenos Negócios (2026), realizada pelo Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa.

A pesquisa foi realizada com 7.182 entrevistados, entre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Segundo o levantamento, 52% dos empreendedores brasileiros de pequenos negócios usaram IA em suas atividades contra apenas 21% registrados pela pesquisa equivalente do U.S. Census Bureau (BTOS), dos EUA.

“O nosso empresário percebeu que a IA não é uma realidade distante de grandes corporações, mas sim uma ferramenta de competitividade diária que cabe no bolso e ajuda no dia a dia da empresa”

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae

Aliada, não substituta

Segundo o levantamento do Sebrae, a IA tem atuado como uma força de apoio, e não motivação para demissão. Tanto nos EUA quanto no Brasil, a IA alterou o número de funcionários em menos de 10% das empresas. No Brasil, 90% dos pequenos negócios que usam IA não alteraram o número de funcionários nos últimos seis meses por conta da tecnologia. Apenas 5% diminuíram postos de trabalho devido à IA e 3% registraram aumento de contratações motivadas pela IA.

O principal uso da inteligência artificial nos pequenos negócios brasileiros foi para aprimorar tarefas já realizadas por colaboradores (28%) e introduzir novas funções (19%). E, quando houve substituição de tarefas de funcionários por IA, 55% dos empresários relataram que a mudança envolveu apenas um pequeno número de tarefas específicas.

No mercado brasileiro, 46% dos negócios precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para incorporar essas ferramentas. Nos EUA, apenas 15% repensaram os fluxos e 64% das empresas afirmaram que o uso da IA não exigiu nenhuma mudança significativa na estrutura da empresa, em contrapartida com 33% dos negócios brasileiros.

Perfil de uso

A adoção da IA no Brasil é liderada por empresas de médio e pequeno porte (EPP), onde a taxa de utilização nas duas semanas anteriores à entrevista para a pesquisa chegou a 61%, principalmente pelo setor de Serviços (62%). Os empreendedores mais jovens (de 18 a 29 anos, com 78%) e com pós-graduação (75%) são os que mais aplicam a tecnologia.

Por outro lado, o estudo identificou que a principal barreira para quem ainda não utiliza a IA é a desinformação. Entre os empresários que não planejam adotar a IA nos próximos seis meses, 38% justificam que o motivo é a “falta de conhecimento sobre as capacidades da IA”. Nos EUA, o principal argumento para a não adoção é que a tecnologia simplesmente “não se aplica ao negócio” (62%).