Enfermagem da UFPR registra pedido de patente de dispositivo
Projeto automatiza recursos de aquecimento e compressão, visando maior precisão e conforto para o paciente

Uma dificuldade observada na rotina de uma unidade de terapia intensiva levou ao desenvolvimento do primeiro pedido de patente de invenção originado na área de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O Dispositivo Eletrônico Multifuncional para Vasodilatação Periférica (DEMVP) foi desenvolvido pelo enfermeiro Flávio Roberto Gravetz durante o mestrado no programa de pós-graduação em prática do cuidado em saúde, sob orientação da professora Mitzy Tannia Reichembach Danski e com colaboração de André Luiz Cravetz Damiani, da área de engenharia de controle e automação.
O pedido de patente BR 10 2026 014020 1 foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em 8 de junho de 2026. A UFPR é titular da propriedade intelectual.
O DEMVP foi concebido como um equipamento portátil, semelhante a um manguito colocado ao redor do braço. O aquecimento busca favorecer a dilatação dos vasos sanguíneos, enquanto a compressão contribui para torná-los mais evidentes e acessíveis para a punção. O sistema também permite alternar entre aquecimento e resfriamento. A proposta é facilitar a localização dos vasos, especialmente em pacientes com acesso venoso difícil.

Da prática à inovação
A ideia surgiu da experiência de André Luiz Gravetz na assistência hospitalar. Na rotina da unidade de terapia intensiva, ele observou que recursos utilizados para facilitar a punção, como o garroteamento e a aplicação de calor, nem sempre têm a pressão e a temperatura controladas com precisão.
“O avanço proposto consiste em reunir, automatizar e controlar recursos já conhecidos em uma solução tecnológica integrada”
Mitzy Danski, professora da UFPR
O depósito do pedido representa um marco para a área na UFPR. O dispositivo está em fase experimental de prova de conceito. Embora exista um protótipo funcional parcial, a avaliação de seu funcionamento não fez parte do escopo da dissertação.
A próxima etapa prevê ensaios em ambiente simulado. Também serão necessárias avaliações de biocompatibilidade dos materiais, usabilidade e segurança elétrica, além de estudos clínicos com as aprovações éticas pertinentes e o atendimento às exigências sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os benefícios esperados estão a padronização da preparação para a punção e a possibilidade de reduzir tentativas repetidas, que podem causar dor e desconforto aos pacientes. Esses resultados, porém, ainda precisam ser comprovados por testes experimentais e clínicos.
A titularidade da propriedade intelectual é integralmente da UFPR, e a gestão cabe ao Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). A tecnologia está disponível para licenciamento ou desenvolvimento conjunto com empresas do setor de dispositivos médicos, por meio dos procedimentos institucionais.