Tecnologia

Cada violação de dados no Brasil custa R$ 7,44 milhões

Custo médio dos incidentes de segurança atingiu recorde, segundo relatório da IBM

Custo médio de violação de dados no Brasil atinge o recorde de R$ 7,44 milhões.webp
Empresas que usam IA e automação em segurança observaram custos médios de violação 30% menores · Foto: MCTI/Divulgação

Negligenciar a cibersegurança pode sair caro para as empresas, de acordo com o relatório anual Cost of a Data Breach (CODB), da IBM. O custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,4 milhões em 2026, um recorde e um aumento de 3,5% em relação ao ano anterior (R$ 7,1 milhões).

O relatório, conduzido pelo Ponemon Institute e patrocinado e analisado pela IBM, aponta que, no Brasil, os setores mais afetados continuam sendo os que lidam com dados altamente sensíveis: saúde (R$ 12,5 milhões), tecnologia (R$ 8,9 milhões) e serviços (R$ 8,6 milhões) lideram a lista dos mais custosos.

Globalmente, os ataques gerados por inteligência artificial custam em média R$ 35 milhões, cerca de R$ 6 milhões a mais por violação que a média dos demais incidentes de segurança.

Falhas comuns

Entre as organizações globais que registraram violações envolvendo seus próprios modelos ou aplicações de IA, algumas das causas mais frequentes estavam relacionadas a vulnerabilidades nos sistemas que os cercam. O comprometimento de APIs e plug-ins e as configurações incorretas de nuvem responderam, cada um, por 27% dos casos.

Entre as causas iniciais mais comuns de violações no país, phishing (incluindo ataques por voz e SMS) e comprometimento da cadeia de suprimentos (quando cibercriminosos exploram vulnerabilidades em fornecedores ou parceiros confiáveis para acessar sistemas e dados de uma organização) se destacam, ambos respondendo por 16% dos incidentes, gerando um custo médio de R$ 7,9 milhões e R$ 7,3 milhões respectivamente.

A complexidade dos sistemas de segurança, marcada pela coexistência de múltiplas ferramentas e processos continua a ser um dos principais amplificadores de custo, adicionando em média R$ 645,2 mil ao valor total de uma violação no Brasil. Além disso, a falta de visibilidade sobre o uso de aplicações não autorizadas por funcionários, a chamada shadow IT, representou um aumento médio de R$ 720,3 mil nas empresas.

IA é aliada para mitigar riscos

Em um momento em que uma em cada quatro ameaças maliciosas é impulsionada por IA, o estudo ressalta a urgência de as empresas adotarem automação e inteligência artificial em suas estratégias de defesa para mitigar custos e tempos de resposta. A maioria dos ataques impulsionados por IA globalmente (62%) visou setores de infraestrutura crítica, como serviços financeiros e energia.

Organizações brasileiras que fazem uso amplo de IA e automação em seus processos de segurança relataram uma economia de 30% no custo médio de violação. Em contrapartida, as que não utilizam essas tecnologias, o valor salta para R$ 8,69 milhões, uma diferença de mais de R$ 2,6 milhões em relação ao primeiro grupo.

“A inteligência artificial permite aos criminosos automatizar etapas, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar ataques a um custo cada vez menor. Para as empresas, quanto maior o atraso, maior o custo. Quanto mais tempo uma falha permanece sem correção, maior a probabilidade de exploração e maior o esforço necessário para conter as ameaças”

— Nicolas Mucci, líder em serviços de cibersegurança para a IBM Consulting na América Latina

Como reduzir os custos

O relatório também identificou os fatores que mais ajudam a reduzir os custos. No Brasil, a implementação de testes de segurança ofensivos (que simulam ataques reais para identificar vulnerabilidades) gerou uma economia média de R$ 579.422 por incidente. Em seguida destacaram-se a criptografia (que protege dados sensíveis), com uma economia média de R$ 478.111, e a gestão de credenciais (que fortalece o controle de acesso aos sistemas), responsável por uma economia média de R$ 454.700 por violação.


Para Nicolas Mucci, líder em serviços de cibersegurança para a IBM Consulting na América Latina, é preciso encurtar a distância entre identificar um risco e agir sobre ele. “Isso passa por integrar segurança e remediação aos fluxos de desenvolvimento, fortalecer a proteção de identidades e acessos e usar automação para responder na mesma velocidade em que as ameaças evoluem”, explica Mucci.