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Tecnologia

A robótica doméstica no Brasil para além do hardware

Ao automatizar tarefas invisíveis e reduzir conflitos domésticos, a nova geração de robôs autônomos abre uma fronteira bilionária para negócios que vendem tempo e qualidade de vida

A robótica doméstica no Brasil para além do hardware
Erlon Labatut, especialista em robôs para empresas e varejo · Foto: Divulgação

Esse conteúdo é parte integrante da edição 353 da revista AMANHÃ. Acesse a publicação completa clicando aqui.

O mercado de robótica doméstica deixou de ser uma promessa para se consolidar como uma das verticais mais dinâmicas e lucrativas da economia tecnológica em 2026. Estudo divulgado pelo Grupo IMARC indica que o setor pode atingir a marca de US$ 4,9 bilhões até 2034 no Brasil.

Empreendedores que buscam antecipar tendências precisam olhar além da simples comercialização de hardware. A oportunidade pode estar na reconfiguração da rotina doméstica e na oferta de serviços que eliminam fricções cotidianas.

Pesquisa da TP-Link com a consultoria GfK aponta que 86% das residências possuem ao menos um item controlado remotamente, revelando que o consumidor brasileiro já está habituado à automação e pronto para soluções mais complexas.

Para Erlon Labatut, especialista em robôs para empresas e varejo, a ascensão desses dispositivos sinaliza uma mudança estrutural no perfil dos negócios que estão surgindo. "Empreendedores olham para a tecnologia não apenas como suporte, mas como parte central da proposta de valor. Assim, surgem operações mais flexíveis e com novas possibilidades de atuação. O movimento acaba atraindo capital porque aponta para modelos que já nascem mais conectados às transformações do mercado", explica.

O especialista destaca que a variedade para aplicação dos robôs autônomos domésticos facilita a definição de estratégias por parte dos empreendedores. Ao automatizar o "trabalho invisível" como lavar louça, organizar ou limpar, o robô doméstico vende conveniência, por isso o maior valor percebido pelo cliente é a economia de tempo. Portanto, o modelo de negócio vencedor não é o que foca na venda única do equipamento, mas o que oferece um ecossistema de soluções.

Labatut alerta que o setor irá muito além da comercialização. A rápida evolução tecnológica e a tendência de popularização dos equipamentos exigem estratégias focadas em serviços de valor agregado, como manutenção, atualização de software, consultoria de integração e suporte técnico contínuo. Nichos como saúde e cuidados com pets apresentam margens elevadas para quem desenvolver soluções personalizadas e integradas.

A tendência aponta para robôs que funcionam como hubs inteligentes, coordenando toda a casa, o que favorece empresas que se posicionarem como integradoras de sistemas, unindo hardware de diferentes marcas a uma experiência de usuário fluida.