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Brique: um modelo que redefiniu a docência na Unisinos

Instituição inverte a lógica da capacitação tradicional e transforma a troca de vivências entre professores em um diferencial pedagógico

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O Brique de Experiências rompeu a lógica tradicional de capacitação, na qual a instituição define os temas e os especialistas · Foto: Divulgação

Esse conteúdo é parte integrante da edição 353 da revista AMANHÃ. Acesse a publicação completa clicando aqui.

O ambiente universitário vive um momento de redefinição constante. As instituições de ensino superior enfrentam o desafio de equilibrar a tradição acadêmica com as demandas velozes da sociedade. O sucesso não está apenas na implementação de novas tecnologias ou em ferramentas digitais. A inovação exige uma mudança na cultura organizacional, onde a sala de aula se transforma em um laboratório de possibilidades e o professor assume o papel de facilitador de experiências. É neste cenário que a Unisinos consolida sua trajetória, conquistando pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar na categoria Ensino & Pesquisa do Campeãs da Inovação.

A excelência acadêmica é o objetivo, mas o caminho para alcançá-la passa pela forma como a instituição enxerga o conhecimento. Cristiane Schnack, gerente de desenvolvimento de ensino da graduação da Unisinos, define a inovação como parte intrínseca da identidade da universidade. “A formação docente tem uma função fundamental porque ela não está ali apenas para desenvolver competências, técnicas de metodologias, práticas pedagógicas, mas também e substancialmente de construir uma cultura organizacional inovadora”, afirma.

O Brique de Experiências, iniciado em 2024, rompeu a lógica tradicional de capacitação, na qual a instituição define os temas e os especialistas. A premissa é a aprendizagem entre pares, na qual os próprios professores compartilham suas pesquisas e vivências. Esse modelo gera confiança e contextualidade. Cristiane cita o exemplo de um professor de medicina que encontrou uma forma diferente de levar a inteligência artificial para a sala de aula. Ao compartilhar sua prática com um professor de engenharia, ele percebe possibilidades de aplicação em sua própria disciplina. Essa colaboração e criatividade embasada pela aprendizagem entre pares é um vetor para o desenvolvimento acadêmico.

O Brique de Experiências surgiu de iniciativas anteriores, como o Café com Ideias. O formato permitia que os professores discutissem perguntas inquietantes em um ambiente informal. O desafio inicial foi mobilizar os docentes para reconhecerem o valor de suas próprias práticas para o compartilhamento. A universidade passou a ofertar um modelo para quem tem algo a compartilhar e deseja trocar conhecimentos com os colegas. “O fato de uma prática ter sido inovadora no passado não garante que ela continuará sendo significativa para as pessoas, por isso a necessidade de constante reinvenção”, pontua Cristiane, ressaltando que a inovação precisa de maturação e de consistência.

Em uma das edições, a universidade promoveu um dia focado em bem-estar, com oficinas de dança para os professores, permitindo que eles sentissem na prática a conexão entre o corpo e o aprender. A vivência se tornou o centro da concepção pedagógica da Unisinos. O sucesso da iniciativa desdobrou-se também em novos formatos de conexão, como o CompartilhaAí, encontros mensais realizados no ambiente virtual para o compartilhamento contínuo de práticas e tecnologias pedagógicas. Esse movimento de valorização do saber docente culminou na publicação do livro do Brique de Experiências. A entrega da obra rompeu com ritos formais, ocorrendo diretamente nas salas de aula, diante dos alunos. Esse gesto transformou o reconhecimento em um momento de celebração e orgulho, consolidando o impacto da docência no cotidiano da universidade.

Cristiane também relata o caso de uma professora de arquitetura que, mobilizada por conversas sobre o tema da diversidade, alterou sua prática docente. Ela passou a solicitar explicitamente que os alunos pesquisassem arquitetos e arquitetas negros e negras, que eram invisibilizados na história que se narrava da arquitetura. A mudança de perspectiva da docente gerou um movimento em todos os alunos, que passaram a questionar por que aquele tema nunca tinha sido abordado antes na grade curricular daquela disciplina.

Na Unisinos as iniciativas inovadoras são incorporadas aos fluxos de processos e à cultura pedagógica, o que garante continuidade. A gestão atenta e a avaliação constante, tanto formal quanto informal, permitem que a universidade sediada em São Leopoldo se adapte às demandas dos professores. Por essa razão, o Brique de Experiências não se tornou apenas um evento no calendário institucional, mas um dispositivo de uma virada cultural para o corpo docente.