Expansão das Lojas MM mira faturamento de R$ 3,5 bi até 2032
Sob o comando da segunda geração da família, varejista paranaense aposta em crédito próprio, atendimento humanizado e eficiência com IA

Em um setor que viu gigantes como Casas Bahia e Americanas sofrerem diante de crises financeiras e mudanças no comportamento de consumo, uma empresa de 50 anos do interior do Paraná é um exemplo de resiliência e rentabilidade. As Lojas MM, comandadas por Márcio Pauliki, não apenas sobrevivem à tempestade do varejo brasileiro, como agora se posicionam entre as dez maiores do país em seu segmento, segundo o Top 300 do Varejo Brasileiro 2026, levantamento do Instituto Retail Think Tank (IRTT) — uma meta que, segundo seu CEO, estava originalmente projetada para 2032.
A receita para o sucesso, no entanto, está longe de ser a busca cega por faturamento. Em entrevista exclusiva, Pauliki deixa claro que a obsessão da companhia é outra: "Não adianta ter R$ 40 bilhões de faturamento e não ter rentabilidade. Venda por si só não paga a conta", afirma. É com esse mantra que as Lojas MM projeta quintuplicar seu tamanho, saltando de R$ 700 milhões e m 2022 para R$ 3,5 bilhões até 2032.
Segundo Pauliki, o pilar do crescimento é o crédito. "Se nós conseguimos crescer é por conta desse carnezinho, que é muitas vezes uma válvula de escape de um cliente que não tem limite num cartão de crédito", explica. Longe de ser um modelo ultrapassado, o carnê das Lojas MM é o principal produto da empresa e evoluiu para o digital sem perder a essência. Hoje, 40% das vendas já ocorrem via WhatsApp, com vendedores que fazem vídeos demonstrando produtos, tiram dúvidas dos clientes e realizam cadastros com prova de vida digital.
Essa proximidade é o pilar que sustenta a cultura da empresa. Com foco em cidades com menos de 30 mil habitantes, as Lojas MM construíram uma relação de fidelidade e proximidade com seu público. "Em cidades do interior as pessoas se conhecem. Ficar com o nome sujo é uma coisa muito ruim", pondera Pauliki. Para manter esse vínculo mesmo com o crescimento, o CEO instituiu o "MDL" (Meu Dia de Loja), em que visita pessoalmente as mais de 200 unidades e mantém um canal direto com dois mil colaboradores para ter acesso aos problemas da ponta.

Estratégia de expansão
Para atingir a meta de R$ 3,5 bilhões, a estratégia de expansão da Lojas MM é multifacetada e combina o fortalecimento da operação física com o avanço do atacado e o uso inteligente de dados no marketing. No varejo de lojas físicas, o foco está na expansão para o Mato Grosso do Sul, onde a empresa já inaugurou um depósito, além do fortalecimento em Joinville, em Santa Catarina, e em Curitiba, no Paraná. Já no atacado, a companhia atende mais de 3 mil pequenos lojistas e conta com centros de distribuição na Paraíba e na Bahia, o que tornou sua operação nacional e ampliou o potencial de crescimento.
A companhia prevê a abertura de novas unidades nos estados em que já atua, além da modernização de aproximadamente 30 lojas por ano. Paralelamente, mais de 90 cidades já estão mapeadas para futuras operações. Segundo a empresa, o braço atacadista registra crescimento superior a 200% nos últimos anos. No campo digital, a Lojas MM aposta na integração de canais digitais por meio da MM.com
Cautela em tempos de incerteza
Enquanto o mercado observa a quebra de concorrentes, as Lojas MM adotam uma postura de cautela estratégica. Para 2027, a projeção de crescimento é conservadora, próxima a 10%, priorizando o Ebitda e a geração de caixa. "Empresas quebram por falta de caixa, não por falta de lucro. O melhor momento de arrumar o telhado não é em dia de chuva, é em dia de sol", compara.
Essa prudência se traduz em decisões práticas: a construção de um novo e grande centro de distribuição em Ponta Grossa está pronta para começar, mas suspensa. A empresa só dará o passo com capital próprio, sem recorrer a bancos, e condiciona o investimento à estabilidade econômica pós-eleições e à queda dos juros. "Ego mata uma empresa. Conheço muitas que fizeram investimento na hora errada e agora estão pagando a conta", alerta Pauliki.
Em vez disso, a varejista foca em eficiência. A empresa está usando inteligência artificial para automatizar o setor administrativo, aproveitando o turnover natural para reduzir custos e melhorar a média salarial dos remanescentes. O investimento em cibersegurança também é prioridade, seguindo padrões bancários.
Gente é o diferencial
Apesar do investimento em inovação e em tecnologia, Pauliki é enfático ao afirmar que o sucesso depende das pessoas. A empresa pratica um dos maiores percentuais de comissionamento do Brasil, chegando a quase 5% sobre as vendas. "Queremos que as pessoas vejam a possibilidade de fazer dinheiro aqui. O varejo não é mais de espera, é de prospecção", filosofa.