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Noruega conquista o topo da sommellerie mundial

Nikolai Haram Svorte vence concurso da ASI em Lisboa, que reuniu 66 candidatos e reforçou a projeção internacional da profissão

Finalistas do Concurso de Melhor Sommelier do Mundo 2026.webp
O vencedor Nikolai Haram Svorte (ao centro) e os demais finalistas, Pascaline Lepeltier (à esquerda) e Wataru Iwata (à direita) · Foto: ASI/Divulgação

A Noruega tem um novo nome de destaque no universo do vinho. Nikolai Haram Svorte conquistou, nesta sexta-feira (16), o título de Melhor Sommelier do Mundo de 2026, concedido pela Association de la Sommellerie Internationale (ASI). A final, realizada no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, encerrou uma semana de provas que reuniu 66 profissionais de diferentes países e devolveu a capital portuguesa ao centro da sommellerie internacional pela primeira vez desde 1978.

A disputa exigiu muito mais do que conhecimento sobre uvas, regiões produtoras e safras. Os três finalistas — Svorte, a francesa Pascaline Lepeltier e o japonês Wataru Iwata — enfrentaram degustações às cegas de vinhos e destilados, simulações de serviço em restaurantes e bares, exercícios de harmonização gastronômica e a correção de uma carta de vinhos com erros.

Uma prova-surpresa, revelada apenas no dia da decisão, completou o desafio diante do público. O formato evidencia a amplitude de competências exigidas de um sommelier de alto nível. Além de identificar bebidas e avaliar suas características sensoriais, o profissional precisa dominar técnicas de serviço, compreender a relação entre vinho e gastronomia, administrar situações sob pressão e comunicar suas escolhas com precisão.

A final atraiu mais de 600 espectadores ao Coliseu dos Recreios, enquanto outras 3 mil pessoas acompanharam a transmissão ao vivo pelo YouTube (acompanhe a íntegra aqui, em inglês). Os números ajudam a dimensionar o alcance de uma competição que, além de consagrar um vencedor, funciona como vitrine para uma profissão cada vez mais associada à experiência gastronômica, à hospitalidade e à cultura do vinho. “Embora apenas um candidato possa conquistar o título, os 66 que se classificaram para competir são uma fonte de inspiração para sommeliers do mundo inteiro”, afirmou Olivier Poussier, codiretor do Comitê de Concursos de Sommeliers da ASI e vencedor da edição mundial de 2000.

Para ele, o retorno a Lisboa depois de quase cinco décadas também simboliza a evolução da profissão. A organização envolveu a ASI e a Associação dos Escanções de Portugal (AEP), além de uma rede de 80 voluntários e profissionais ligados à comunidade internacional do vinho. Para Piotr Kamecki, vice-presidente da ASI para a Europa, o resultado individual é apenas parte do legado do encontro. A experiência coletiva, segundo ele, está entre os principais significados do concurso.

O calendário da entidade mantém o circuito competitivo em movimento. Em maio de 2027, África e Oriente Médio terão sua primeira competição continental conjunta. Em setembro, a Polônia receberá o concurso europeu. Já em 2028 estão previstas as disputas das Américas e da Ásia-Pacífico. A vitória norueguesa, portanto, vai além de um troféu. Em um setor no qual conhecimento técnico, sensibilidade e capacidade de interpretação caminham juntos, o concurso mundial reafirma o papel do sommelier como elo entre produtores, bebidas e consumidores — e como um dos protagonistas da experiência de descobrir o vinho.