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A China fala português. E o Brasil?

País precisa investir na difusão da língua e da cultura brasileiras para estreitar laços com seu principal parceiro comercial

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A ampliação do ensino do português na China depende de uma estratégia brasileira de promoção cultural · Foto: Chinamacau/Reprodução

A Universidade de Évora inaugura dia 16 de outubro o sexto Instituto Confúcio em Portugal, o qual se somará aos de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Minho e Porto. Esse novo Confúcio em Évora, cidade mais importante da região do Alentejo, resulta de parceria da universidade local com as universidades de Macau e a de linguagem e cultura de Beijing, mais a Fundação Educacional Internacional Chinesa.

Considerando-se que Portugal tem população próxima à da cidade de São Paulo (11 milhões de habitantes) – que possui o Instituto Confúcio na Unesp, criado em 2008, e o Instituto Confúcio para Negócios, na Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP) – e que em todo o Brasil existem apenas mais 11 estados com Instituto Confúcio (AM, PA, MA, CE, PE, BA, DF, GO, MG, RJ e RS), estamos em franca desvantagem, comparativamente a Portugal, no acesso à cultura chinesa e aprendizado do mandarim.

Há mais universidades (40?) ensinando a língua portuguesa – com sotaque lusitano – na China, do que mandarim no Brasil. Talvez o Instituto Camões tenha o seu quinhão nesse esforço chinês de proporcionar o acesso à língua portuguesa. Criado em junho de 1992, para a promoção da língua e da cultura portuguesa no exterior, o Instituto integra o Ministério dos Negócios Estrangeiros, situação semelhante à do brasileiro Instituto Guimarães Rosa (IGR), criado em março de 2022, afeto ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e responsável pela promoção da cultura brasileira no exterior.

Sobre essa instituição quase desconhecida, foi publicado em 2025 o livro “A Criação do Instituto Guimarães Rosa: desafios e oportunidades para a difusão da língua portuguesa no exterior”, de autoria de Jorge Luiz Vieira Tavares, disponível para download no site da Fundação Nacional Alexandre Gusmão – Funag, que certamente contribui para esclarecer o que está faltando para a versão brasileira acontecer na China.

Enquanto o Brasil tem superávit histórico na relação com a China (US$ 29 bilhões, com base no ano de 2025), Portugal tem déficit histórico (5,2 bilhões de euros, também no ano passado). Portanto, é o Brasil que tem recursos sobrantes para investir em conhecimento cultural e linguístico para melhorar a relação com a China. Ampliar o ensino do português “brasileiro” na China depende de fazer o Instituto Guimarães Rosa atuar como os seus congêneres europeus – além do Camões, o Cervantes (Espanha), Dante Alighieri (Itália) e o Goethe (Alemanha), o que exige investimentos consideráveis, só possíveis se houver uma estratégia do país em relação à China.

Para debater essas questões, dia 22 de outubro, às 11 horas (horário de Lisboa), haverá o evento “Geopolítica da Língua Portuguesa na China – desafios e oportunidades para Portugal e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, com transmissão online e a participação do Centro Científico Cultural de Macau (CCCM), Instituto Internacional de Macau (IIM), Global Strategic Platform, do Instituto Português do Oriente (IPOR), Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, Universidade de Lisboa, e da Embaixada de Portugal na China.