Mercado De Capitais

Mercado de capitais soma R$ 556 bi em ofertas até setembro

Debêntures seguem como principal instrumento de financiamento

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As emissões de FIIs foram um dos principais destaques do ano, com R$ 70,6 bilhões em ofertas · Foto: Divulgação

As ofertas públicas no mercado de capitais somaram R$ 556,7 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Até setembro, a renda fixa permaneceu como principal fonte de financiamento, com R$ 441 bilhões, com um recuo de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. Já as emissões de instrumentos híbridos, formados por FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais), alcançaram R$ 80,8 bilhões, ante R$ 35,7 bilhões no mesmo período de 2025.

A renda variável totalizou R$ 34,8 bilhões até setembro, ante R$ 4,2 bilhões no ano passado. As ofertas subsequentes de ações (follow-ons) somaram R$ 31,8 bilhões e o único IPO do período respondeu por R$ 3 bilhões. O volume total de renda variável já supera os resultados anuais de 2023, 2024 e 2025.

“Mesmo com a perda de espaço da renda fixa em relação ao ano passado, o mercado de capitais segue resiliente. O crescimento dos instrumentos híbridos e o avanço da renda variável sustentam os volumes e mostram um mercado capaz de se adaptar e continuar abrindo caminho para as empresas levantarem recursos”

Cesar Mindof, diretor da Anbima

Renda fixa

As debêntures movimentaram R$ 86,1 bilhões no terceiro trimestre, recuperando parte da atividade frente aos R$ 75,7 bilhões do segundo trimestre. No acumulado de 2026, as emissões somaram R$ 261,2 bilhões, recuo de 18% ante o mesmo período de 2025.

As ofertas de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) mantiveram trajetória de crescimento, com R$ 34,8 bilhões no terceiro trimestre, 9,8% acima do segundo e 62,3% acima do primeiro. Entre janeiro e setembro, as emissões somaram R$ 87,8 bilhões, alta de 42,8% na comparação anual.

Setor imobiliário

As emissões de FIIs foram um dos principais destaques do ano, com R$ 70,6 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro, alta de 114,3% na comparação anual. No terceiro trimestre, foram R$ 31,1 bilhões, o segundo maior volume trimestral da série histórica iniciada em 2012, atrás apenas do quarto trimestre de 2025.

Já os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) acumularam R$ 29,4 bilhões até setembro, queda de 14,9% na comparação anual.

Agronegócio

Os instrumentos voltados ao agronegócio levantaram R$ 33,1 bilhões até setembro, queda de 8,2% na comparação anual. Os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) recuaram 62,3%, para R$ 11,1 bilhões, enquanto as CPR-Fs (Cédulas de Produto Rural Financeira) cresceram 202,7%, atingindo R$ 11,8 bilhões em ofertas, e os Fiagros avançaram 274,7%, registrando R$ 10,2 bilhões.

Mercado externo

No mercado internacional, as emissões brasileiras de renda fixa alcançaram US$ 22,2 bilhões entre janeiro e setembro, abaixo dos US$ 28,7 bilhões do mesmo período de 2025. O governo brasileiro respondeu por 46,4% do total.