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Disrupção marca retorno da icônica “FeNeMê” ao mercado

Com a proposta de revolucionar o modelo de operação das montadoras de veículos, grife ressurge com caminhões elétricos que serão fabricados no Sul
A comercialização será direta com os operadores logísticos dos compradores, por meio de demanda, com pagamento antecipado

A marca FNM, conhecida popularmente como "FeNeMê", voltará em breve às estradas brasileiras, agora à frente de modernos caminhões elétricos. O retorno da conhecida grife trará embutido, também, uma disrupção do próprio negócio. A empresa pretende trabalhar com uma planilha aberta, na qual todos os custos de produção dos veículos são apresentados. Até a margem de lucro da montadora será aprovada pelos compradores.

Rede de concessionária será algo do passado. A comercialização será direta com os operadores logísticos dos compradores, por meio de demanda, com pagamento antecipado. A assistência técnica também será diferente. Como os caminhões estarão todos conectados on-line com a fábrica, o mecânico irá até o caminhão para resolver, direto nas garagens dos frotistas. As pré-vendas já estão acontecendo e, segundo a empresa, o interesse pelo produto tem sido surpreendente.

"As montadoras de caminhões instaladas no país estão agarradas ao diesel e suas matrizes determinam que o Brasil será o último a evoluir para os modelos elétricos. Mas a nova FNM pensa diferente e entrega uma logística segura, silenciosa e conectada, que traz economia para os seus clientes, não opera com revendas, abre todos os custos e margens e produz sob demanda", sintetiza Zeca Martins. A proposta é produzir modelos para transporte de cargas e de passageiros que proporcionem uma logística sem poluentes, silenciosa, segura, sustentável e sem emissão de carbono.

A produção das unidades começará em uma unidade industrial em Caxias do Sul em novembro. Segundo os empresários Zeca Martins e Alberto Martins, sócios da holding proprietária da FNM, a parceria foi feita com a Agrale. Inicialmente a montagem será feita com a maioria dos componentes importados. A expectativa é que a parceria para montagem com empresas locais renderá frutos para a futura instalação de fornecedores na região, reduzindo os custos de produção. Os veículos utilizarão nióbio em componentes como chassis, freios, suspensões, rodas e demais peças e estruturas, para diminuir o peso e aumentar a resistência, o desempenho e a autonomia. O motor elétrico tem tecnologia norte-americana, sistema de 650 volts e gera 355 cavalos. No total, a companhia já recebeu pedidos de 7 mil unidades – 4 mil para o Brasil e 3 mil para o México. 

"O FNM é um smarttruck. Utiliza tecnologias de ponta, com tablet ligado com a TI operacional e com os sistemas de logística das empresas, incluindo monitoramento, alertas de mudança de pista, de partida de veículos à frente, aviso de riscos de colisão, parachoques virtuais, telão de alta resolução na traseira, que pode transmitir imagem da câmera da frente ou anúncios, aviso de perigo de colisão com motocicletas e bicicletas e quatro câmeras – duas laterais, na dianteira e na traseira. Tudo sendo transmitido em tempo real para o centro de gestão dos frotistas e para a nuvem FNM. O produto tem tudo para se tornar um caminhão autônomo no futuro", vislumbra Marco Aurélio Rozo, diretor de TI da FNM.

Histórico
A Fábrica Nacional de Motores (FNM), conhecida popularmente como "FeNeMê", foi inaugurada em 1942 em Xerém, distrito de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, para produzir motores aeronáuticos. Mas quando saiu o primeiro avião com motor FNM, em 1946, a Segunda Guerra Mundial já havia acabado e a demanda estava retraída. Em 1949, em uma parceria com a marca italiana Isotta Fraschini, a FNM tornou-se a primeira fabricante de caminhões no Brasil. Seu primeiro produto foi o D-7.300, com motor a diesel e capacidade para 7,5 toneladas de carga. Quando a Isotta teve problemas financeiros e deixou de fornecer componentes, deu lugar à também italiana Alfa Romeo.

Em 1958, foi lançado o D-11.000, um pesado que se tornou "figura fácil" nas estradas brasileiras e marcou presença nas obras de construção da nova capital em Brasília, com seu jeito abrutalhado e o som grave do motor a diesel de seis cilindros. Em 1960, a FNM lançou o automóvel JK 2000, que foi reestilizado em 1969 e renomeado como 2150. O sedã foi produzido até 1973, mas nunca obteve a empatia dos caminhões da marca. Em 1968, o regime militar resolveu privatizar a FNM, que foi repassada à Alfa Romeo. Em 1977, a marca italiana foi vendida à Fiat, que continuou a fabricar o caminhão pesado FNM 180 em Xerém por mais dois anos e depois passou a produzir caminhões com sua própria marca até 1985. No local da fábrica, atualmente funciona a Marcopolo Rio, unidade fluminense da encarroçadora de ônibus gaúcha.

O renascimento da FNM começou em 2008, quando uma empresa carioca do ramo de mobilidade adquiriu os direitos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para usar o nome da histórica marca brasileira – inclusive a logomarca, inspirada no clássico logotipo da Alfa Romeo. Em sua nova versão, a sigla FNM passou a significar Fábrica Nacional de Mobilidades. 

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Quarta, 12 Agosto 2020

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