Industria

Insatisfação da indústria com lucro é maior desde a pandemia

A elevada carga tributária segue à frente no ranking de principais problemas enfrentados pela indústria

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A intenção de investimento voltou a subir em outubro · Foto: Divulgação / CNI

A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade dos próprios negócios atingiu o maior patamar desde a pandemia, revela a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (22). Segundo o levantamento, o índice de satisfação com a margem de lucro caiu 1,3 ponto no terceiro trimestre do ano, para 42,2 pontos. Trata-se do menor valor para o indicador desde o segundo trimestre de 2020.

"Essa insatisfação reflete uma maior pressão de custos, em parte por conta da guerra no Oriente Médio. Adicionalmente, há redução da demanda e, naturalmente, do faturamento das empresas, fatores que apertam o lucro”

Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI

Além do descontentamento em relação ao lucro, os industriais também ficaram mais insatisfeitos com a facilidade de acesso ao crédito e com a situação financeira das empresas, cujos índices caíram para 39,4 pontos e 47,4 pontos, respectivamente.

O índice que mede a evolução do preço médio dos insumos e matérias-primas demandados pela indústria caiu 3,6 pontos, para 60,5 pontos, ficando abaixo da média histórica para o terceiro trimestre. Ainda assim, o indicador continua acima da linha divisória de 50 pontos, o que revela alta dos preços, ainda que em ritmo menor.

A elevada carga tributária seguiu à frente no ranking de principais problemas enfrentados pela indústria. No terceiro trimestre do ano, 37,2% dos empresários assinalaram o peso dos impostos entre os maiores obstáculos ao setor, um aumento de 3,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Na passagem do segundo para o terceiro trimestre, a preocupação dos industriais com a demanda interna insuficiente ganhou importância na lista e saltou do quarto para o segundo lugar entre os principais entraves. O problema foi mencionado por 29,6% dos empresários, alta de 3 pontos percentuais no período. Na terceira colocação do ranking aparecem as taxas de juros elevadas, cuja assinalação saltou 0,6 ponto percentual, alcançando 24,3%.

Pelo terceiro mês consecutivo, o índice que compara o estoque efetivo em relação ao planejado pelos empresários subiu. Em setembro, o indicador cresceu 0,4 ponto, chegando a 50,8 pontos, maior nível em quase três anos.

Outros índices também reforçam o quadro de enfraquecimento da atividade industrial. O índice de evolução da produção, por exemplo, ficou em 46,7 pontos em setembro, abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando queda da atividade em relação a agosto. Já o indicador que acompanha o número de empregados fechou o mês com 48 pontos, o que significa percepção de queda dos postos de trabalho do setor.

Na contramão, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) teve alta de 1 ponto percentual, atingindo 70% e se igualando ao observado no mesmo período do ano passado.

Os índices de expectativas pouco mudaram na passagem de setembro para outubro. Com isso, todos seguem abaixo das respectivas médias históricas:

  • Índice de expectativa de demanda: +0,3 ponto, para 51,5 pontos;

  • Índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas: continuou em 50,4 pontos;

  • Índice de expectativa de evolução do número de empregados: -0,5 ponto, para 48,7 pontos;

  • Índice de expectativa de quantidade exportada: +0,3 ponto, para 49,2 pontos.

Os resultados apontam projeção de melhora da demanda por produtos industriais e aumento da compra de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, ao passo que sinalizam queda do número de empregados e do volume exportado. Depois de quatro quedas consecutivas e de cair ao pior patamar desde a pandemia. Ainda assim, o indicador acumula perda de 3,3 pontos em 2026.