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Primeiro edifício residencial carbono zero do Brasil é inaugurado em Curitiba

Fórmula para zerar emissões soma estratégias de descarbonização, da etapa de obras ao uso, além de adoção de área de Mata Atlântica

Primeiro edifício residencial carbono zero do Brasil é inaugurado em Curitiba
Com VGV de R$ 40 milhões, o Árten será inaugurado com 80% das unidades vendidas

As incorporadoras Altma e Hiex anunciaram a conclusão das obras do Árten, primeiro multiresidencial carbono zero do Brasil, que será entregue no fim de novembro. O empreendimento, construído em Curitiba incorporou diversas soluções para redução de gases do efeito estufa durante e após a construção. E o saldo de emissões da obra, calculado em 2.640 toneladas de CO2, já está sendo compensado com a manutenção dos estoques de carbono de uma área de Mata Atlântica, em reserva ecológica no Litoral do Paraná. Com oito pavimentos e 34 apartamentos, o Árten tem 5.845 metros quadrados de área construída. A fórmula que tornou possível a construção de um empreendimento carbono zero desse porte partiu do cálculo da pegada de carbono por metodologia internacional. O projeto inicial, de 2019, foi lapidado para alcançar a máxima eficiência, endossada com o selo Procel Edifica A. Além disso, foi adotado um check list de boas práticas que reduziram de forma significativa o impacto ambiental da obra.

De acordo com a engenheira Júlia Berticelli Basso, coordenadora de sustentabilidade corporativa da Hiex, foram consideradas as emissões associadas à construção do empreendimento e também as estimadas com o uso do edifício pelos futuros moradores. "Levamos em conta o carbono incorporado, associado aos impactos atribuídos aos materiais ao longo de seu ciclo de vida, e também o carbono operacional, relacionado às emissões durante a vida útil do edifício, como consumo de eletricidade, aquecimento, resfriamento e todo o impacto na cadeia de valor", explica. Com a escolha de materiais de menor impacto ambiental e gestão eficiente das sobras da obra, mais de 107 toneladas de resíduos de construção civil – o que corresponde a 156 caçambas – foram desviadas de aterros sanitários. Ao longo da construção, o material passou por triagem e, em vez de descartado, foi reaproveitado, por meio de doações e destinação para reciclagem.

O cálculo de emissões do Árten também considerou o combustível usado no transporte de matéria-prima e estruturas para o canteiro de obras. Para reduzir o impacto com os deslocamentos e fomentar a economia local, foram priorizados fornecedores locais. A seleção resultou em 40% de empresas e indústrias situadas em um raio de até 200 quilômetros da obra. Além das medidas de redução do impacto ambiental da obra, o projeto do Árten recebeu uma série de itens de sustentabilidade com efeito nas emissões pelo uso do empreendimento, após a entrega. Entre eles, um sistema fotovoltaico para uso da energia elétrica de matriz solar nas áreas comuns, equipadas com sensores de presença e lâmpadas de LED. Nos apartamentos, foram instalados os sistemas de ecoclick – que permitem o desligamento de interruptores e lâmpadas de forma remota – e de banho inteligente com recirculação da água, com acionamento dos chuveiros por smartphones.

As soluções de conforto térmico, como ventilação cruzada e esquadrias termoacústicas, contribuíram para a redução das emissões futuras, em função da redução do uso de climatizadores. No manual do proprietário, os moradores serão orientados a optar por modelos de ar condicionado com fluído R032, de baixo impacto de GWP (Potencial de Aquecimento Global). A partir de simulações, o projeto arquitetônico do Árten também incorporou a eficiência lumínica, para máximo aproveitamento da iluminação natural. Com VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 40 milhões, o empreendimento será inaugurado com 80% das unidades vendidas. "A construção civil é responsável por cerca de 40% das emissões globais de CO2 e nos sentimos cobrados a assumir um posicionamento mais consciente com relação à emergência climática. Para nós, que participamos de todo o processo pioneiro que viabilizou o primeiro edifício carbono zero do país, a missão cumprida é a de inspirar e encorajar iniciativas semelhantes", afirma o engenheiro Gabriel Falavina Dias, sócio e diretor da Altma.