Grupo Vellore acelera expansão com meta... | Grupo AMANHÃ
Grupo paranaense recém-listado na B3 projeta triplicar faturamento em seis anos, impulsionado por investimentos industriais, digitalização e aquisições

O Grupo Vellore, controlador das marcas Foxlux e Famastil, está em plena trajetória de crescimento. Com faturamento de R$ 340 milhões em 2025, o grupo tem projeção de crescer 17% neste ano e planeja atingir R$ 1 bilhão em receita até 2030. O grupo também é uma das mais novas empresas na B3. A empresa venceu o programa "Rota Fácil", competindo com mais de 100 companhias.
À frente desse processo está Laufran Wosniak, que assumiu o cargo de CEO em janeiro após uma carreira de 13 anos dentro do próprio grupo. Sua trajetória começou na área de tecnologia da informação, passou pela diretoria de operações por oito anos e incluiu a liderança na montagem da fábrica em 2015 e na aquisição da marca Famastil em 2018. "O fundador, Paulo Veloso, foi para a presidência do conselho e está fazendo essa transição junto comigo. Não temos pressa, pois estamos desenhando o futuro em conjunto", antecipa o executivo em entrevista à AMANHÃ.
A Vellore, braço principal do grupo, concentra as operações das marcas Foxlux e Famastil. Atualmente, a Foxlux responde por 70% do faturamento, com foco em material elétrico, iluminação e ferramentas para eletricistas, majoritariamente via importação. Já a Famastil representa 30%, com produção industrial significativa em território nacional. A meta é equilibrar essa balança. "A tendência é que a Famastil chegue a 50% de relevância", projeta Wosniak. "Quando compramos a marca, ela representava menos de 10%. Hoje já está em 30% e continua crescendo."
Além da Vellore, o grupo diversifica suas operações por meio de outras frentes: a Iluzze (varejo multimarcas com função de showroom estratégico), o hub Sob Medida (braço digital), o F2 Bank (serviços financeiros) e a Vellore Ventures (empresa de inovação que já investe em 15 startups, com meta de chegar a 30).
Investimentos robustos na indústria
A modernização industrial da Famastil tem sido um dos pilares da estratégia. Nos últimos anos, mais de R$ 10 milhões foram investidos em automação, Indústria 4.0 e robótica. Os resultados já aparecem: a fábrica atingiu o recorde de 420 mil produtos produzidos em um único mês e superou a marca de 1 milhão de vassouras vendidas em 2025. O portfólio da marca mais que dobrou desde a aquisição, e para 2026 estão previstos mais de 200 novos SKUs. "A gente pretende dobrar o número de itens nos próximos anos", adianta Wosniak.
"Esse número é consequência direta dos investimentos e da maturidade operacional que construímos. Não é um resultado pontual, mas fruto de automação e eficiência em linhas de injeção, extrusão e metalurgia"
Laufran Wosniak, que assumiu o cargo de CEO do Grupo Vellore
Digital e expansão internacional
O braço digital do grupo, a Sob Medida, também recebe investimentos significativos. Após crescer 80% nos últimos anos, a meta é triplicar as vendas digitais no próximo ano. "A presença no digital é escalável e precisa estar alinhada ao crescimento que esperamos", destacou o executivo. No front internacional, o Grupo Vellore mantém um escritório na China há 29 anos, inicialmente criado para garantir controle de qualidade e, atualmente, também responsável por scouting de inovação. "Estar presente lá nos permite acompanhar tendências e provocar inovação na nossa linha de produtos", afirma. A companhia também exporta para mais de seis países na América Latina e vê nessa expansão uma oportunidade de diversificação.
O CEO fez questão de destacar que, além dos investimentos em tecnologia e infraestrutura, o grupo mantém um DNA de desenvolvimento humano. "O resultado, o grande diferencial, vem por meio das pessoas", enfatiza. A empresa pratica gestão à vista, com compartilhamento de resultados até o nível de Ebitda para todos os colaboradores, e mantém programas de coaching e desenvolvimento para todas as lideranças. "Temos casos de pessoas que entraram como estagiárias e hoje são diretoras", orgulha-se.
Desafios do cenário econômico
Apesar do otimismo, Wosniak reconhece os obstáculos macroeconômicos. "O mercado de material de construção teve uma retração em 2025 e a previsão de crescimento para 2026 é de apenas 1,5% a 2%", contextualiza. Para superar esse cenário, a estratégia combina eficiência operacional, investimento em marca e preparação para aquisições. "Estamos olhando o mercado. Nos próximos anos, com certeza faremos um investimento grande em M&A", sinaliza.